novembro 20, 2009
Fundo de Desemprego
Uma borboleta, um colar de coral
o rapaz não quer saber de competência.
Está por agora aqui
amanhã pode sentar-se noutro lado
não tem opinião sobre coisa nenhuma
e nada nem ninguém o desconvocam
do seu concílio com a indiferença.
Veio de Colónia e na volta é semelhante
suprimiu hamburguers
com pescadores ao lado.
O resvale da tarde sobre rochas
não lhe prega na alma
precipícios.
Um ocaso onde há melancolia
desperta-lhe a contra-gosto
recessões
e perde tempo a descobrir ao sol
a loura rapariga inanimada
enquanto apalpa
na bolsinha a erva.
No outro dia é com resignação
que se saúdam
e a tarde nos contunde
mineral.
Fátima Maldonado
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novembro 13, 2009
amanhã vou comprar umas calças vermelhas
porque não tenho rigorosamente nada a perder:
contei, um a um, todos os degraus
sei quantas voltas dei à chave,
sublinhei as frases importantes,
aparei os cedros
fechei em código toda a escrita.
Amanã comprarei calças vermelhas
fixarei o calendário agrícola
afiarei as facas
ensaiarei um número
abrirei um livro na mesma página
descobrirei alguma pista.
Ana Paula Inácio
Publicado por pilantra às 05:11 PM | Comentários (1)
novembro 08, 2009
Zélia Barbosa
( Obrigada Esteva! )
Publicado por pilantra às 02:46 PM | Comentários (1)
outubro 30, 2009
Publicado por pilantra às 07:19 PM | Comentários (0)
outubro 14, 2009
João Aguardela

No próximo dia 5 de Novembro terá lugar no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, um concerto de homenagem ao João Aguardela com algumas das bandas que ele mais acarinhava: Gaiteiros de Lisboa, Dead Combo e Ó’Questrada, para além de A Naifa, na primeira (e decerto única) actuação sem o Aguardela.
Nesse concerto será anunciada a instituição, com o apoio da SPA, do Prémio Megafone, que «pretende destacar anualmente músicos e/ou entidades que com o seu trabalho contribuam para o presente e o futuro das tradições musicais portuguesas».
É da mais elementar justiça, em todo este processo, chamar a atenção para os seus timoneiros: a Sandra Baptista, companheira do João Aguardela. e o Luís Varatojo, seu camarada de armas em A Naifa, antigo líder e vocalista dos Peste & Sida (depois rebaptizados Despe e Siga) e explorador e inovador da guitarra portuguesa.
Publicado por pilantra às 12:44 AM | Comentários (0)
outubro 05, 2009
Mercedes Sosa
(Tucuman, 09:JUL:1935 - 2009- 04:OUT, Buenos Aires)
Soy pan, soy paz, soy más....
Violetas para Violeta (Parra)
Vientos del alma (Pachamama)
Balderrama
Honrar la Vida
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outubro 04, 2009
Por Janis Joplin
( Port Arthur, Texas, 19 de janeiro de 1943 - 4 de octubre de 1970, Los Angeles )

Leonard Cohen (para Janis Joplin)
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agosto 29, 2009
GRANDE GALA DE ÓPERA
4 de Setembro
Festa do «Avante!» 2009
Artistas
Ana Paula Russo (soprano)
Giovanni Manfrin (tenor)
Laryssa Savchenko (meio-soprano)
Pedro Correia (barítono)
Luíza Dedisin (soprano)
Luís Gomes (tenor)
Orquestra Sinfónica Ginásio Ópera
Maestro Kodo Yamagishi
Coro Lisboa Cantat
Maestro Jorge Alves
Elenco de cantores do Ginásio Ópera
Programa
• Gioachinno Rossini. Il Barbiere di Siviglia
Abertura. Orquestra
• Vicenzo Bellini. Norma
Ária «Casta Diva». Orquestra, coro, Ana Paula Russo (soprano)
• Giuseppe Verdi. Rigoletto
Ária «La donna e mobile». Orquestra, Giovanni Manfrin
(tenor)
• Giuseppe Verdi. Nabucco
Coro «Va pensiero». Orquestra e coro
• Georges Bizet. Cármen
Ária «L’amour est un oiseau rebelled» (Habanera). Orquestra, coro, Larissa Savchenko (mezzosoprano)
• Wolfgang Amadeus Mozart. Le Nozze de Fígaro
Ária «Non piú andrai farfallone amoroso». Orquestra, Pedro Correia (barítono)
• Giuseppe Verdi. Il Trovatore
Coro «Vedi! Le fosche notturne». Orquestra e coro
• Giacomo Puccini. Madame Buterfly
Ária «Vogliatimi bene». Piano, Luiza Dedisin (soprano) e Luís Gomes (tenor)
• Georges Bizet. Cármen
Ária «Votre toast (Toreador). Orquestra, Pedro Correia (barítono), Larissa Savchenko (mezzosoprano), Ana Paula Russo (soprano)
• Gioachinno Rossini. Il Barbiere di Siviglia
Ária «Una voce poco fa». Orquestra, Larissa Savchenko (mezzosoprano)
• George Gershwin. Porgy and Bess
Ária «I got plenty o’ nuttin’». Orquestra, Pedro Correia (barítono)
• Giuseppe Verdi. Aída
Coro «Gloria all Egitto». Orquestra e coro
• George Gershwin. Porgy and Bess
Ária «Summertime». Orquestra, Ana Paula Russo (soprano)
• Giacomo Puccini. La Óveme
Ária «O soave fanciulla». Orquestra, Ana Paula Russo (soprano)
• Ruggiere Leoncavallo. I Pagliacci
Ária «Vesti la giubba». Orquestra, Giovanni Manfrin (tenor)
• Wolfgang Amadeus Mozart. Le Nozze de Fígaro
Abertura. Orquestra
• Giacomo Puccini. Turandot
Ária «Nessum dorma». Orquestra, coro, Giovanni Manfrin (tenor)
• Giacomo Puccini. Turandot
Ária «Diecimila anni al nostro Imperatore!
Orquestra, coro, Larissa Savchenko (mezzosoprano)
• Giuseppe Verdi. La Traviata
Libiamo, n’ lieti calici (Brindisdi).
Ana Paula Russo (Soprano)
Soprano portuguesa. Tem actuado regularmente em Portugal no Teatro Nacional de S. Carlos, e em diversos teatros no estrangeiro. Participou em numerosos festivais de música, na «Europália» (Bruxelas) e em espectáculos no âmbito da «Lisboa 94 – Capital Europeia da Cultura».. Actuou com grande êxito no «Festival de Macau», no Teatro Nacional de S. Carlos e noutros locais de grande relevo como o Teatro Real de Madrid. Desempenhou o papel principal na ópera “O Corvo Branco” de Philipp Glass, na Expo 98, e no Teatro Real de Madrid e, em Julho de 2001, no New York State Theatre (Lincoln Center – Nova Iorque). Nascida em Beja em 1959, completou o Curso Superior de Canto do Conservatório Nacional e licenciou-se em Canto pela Escola Superior de Música de Lisboa. Estudou em Salzburg e Luzern e trabalhou com Gino Becchi, C. Thiolass, Regine Resnick e Marimi del Pozo. Como solista tem actuado em inúmeros concertos de Lied, ópera e oratória, quer no nosso país, quer no estrangeiro. Destacam-se, nomeadamente, trabalhos para a Fundação Gulbenkian, RTP, RDP, Europália- 91 (em Bruxelas), espectáculos no âmbito de Lisboa 94 — Capital da Cultura e a participação nos Festivais de Música dos Capuchos, Leiria, Estoril, Algarve, Póvoa de Varzim, Figueira da Foz e no Festival Internacional de Macau. Em Abril de ’98 integrou o elenco que fez a estreia mundial da ópera Os Dias Levantados de A. Pinho Vargas.Foi escolhida para desempenhar um dos papéis principais da ópera Corvo Branco de Philip Glass, levada à cena na Expo ’98 e no Teatro Real de Madrid e, em Julho de 2001, no New York State Theatre (Lincoln Center – Nova Iorque).
Giovanni Manfrin (Tenor)
O tenor milanês Giovanni Manfrin começou a sua carreira ainda criança como membro do famoso coro infantil da catedral de Milão, onde iniciou os seus estudos musicais com os mestres Luciano Migliavacca, Renato Fait e Luigi Benedetti. Tendo optado por seguir a carreira musical, prosseguiu os estudos com os maestros Giampero Malaspina e Ângelo Loforese. Ao longo de uma carreira ainda no Coro da catedral de Milão (e também na de Novara e Bérgamo) interpretou peças como a Pequena Missa Solene e Stabat Mater de Rossini, o Magnificat de J.S. Bach, os Requiem de Mozart e também de Verdi, entre outras peças desta área de reportório. Simultaneamente, tem-se ampliado largamente a sua carreira de tenor lírico interpretando papeis centrais em apresentações da Traviata e do Rigoletto de Verdi, de La Bohème e Tosca de Puccini, Pagliacci de Leoncavallo, Trovator e Aida de Verdi. Integrado na Companhia de Teatro Italiano de Milão, realizou recentemente uma tourné pela Áustria, Alemanha, Holanda, Grã-Bretanha e Noruega intepretando a figura de Pinkerton na Madama Butterfly de Puccini.
Laryssa Savchenko (Meio-soprano)
Nascida na Ucrânia, iniciou os estudos de piano aos cinco anos de idade. Estudou no Conservatório Nacional de Kiev e obteve o diploma de Canto Lírico. No teatro de Ópera de Kiev, interpretou os papeis de Madalena (Rigoletto), Siebel em Faust (Gounod), Olga (Eugeni Onegin), Duenia (Mosteiro Noivado) de Prokofiev, Marta (Iolanta de Tchaikovsky), Liubacha (A Noiva do Czar de Rimsky-Korsakov, entre outrtos. Foi solista no Requiem de Mozart, Stabat Mater de Rossini, Requiem de Verdi, no decurso de numerosas digressões pela Europa. Na temporada e 2001-2002 do Teatro Nacional de São Carlos cantou em Alexander Nevsky e nessa presente temporada integrou o elenco de Charodeika de Tchaikovsky. Na temporada de 2002-2003 interpretou o papel de Catherine em Jeanne d`Arc au bûcher, de Artur Honegger. Em 2004 cantou Petitte Messe Solennelle de Rossini, Stabat Mater de Dvorâk, Suzuki de Madama Butterfly, de Puccini. Trabalhou com os maestros Volodymyr Gluchko, Zoltan Pesko, Jonatahn Webb, e José Lobo.
Pedro Correia (Barítono)
Pedro Correia nasceu em 1974 no Entroncamento. Aos 8 anos inicia os seus estudos de Órgão e Teoria Musical. Frequentou a Licenciatura em Engenharia Mecatrónica. Depois de ingressar em 1991 na Escola de Música de Santarém em Saxofone, entrou no Conservatório Nacional de Lisboa para a classe de canto de Elsa Saque em 1997 e termina na classe de Filomena Amaro com a classificação máxima. Tem uma Licenciatura em Canto pela Escola Superior de Música de Lisboa nas classes de Elsa Saque e Luís Madureira. Estudou com Liliana Bizineche e Montserrat Caballè. Depois de integrar o Coro Gulbenkian e ter passado pelo Coro do Teatro Nacional de S. Carlos, a sua estreia em palco ocorreu em 2001 com Bartolo ( Le Nozze di Fígaro) de Mozart e Ceprano (Rigoletto) de Verdi. Como solista destaca-se do seu repertório D. Bartolo ( Il Barbiere di Siviglia) de Rossini, Colline ( La Bohème) de Puccini, Papageno ( A Flauta Mágica) de Mozart, Messiah de Handel, Stabat Mater de Dvorâk, Requiem de Verdi e L’enfance du Christ de Berlioz, Messa di Gloria de Puccini, Requiem de Faurè, sob a direcção de Zoltan Pesko, Harry Christophers, Donatto Renzetti, Brian Shembri, Ivo Cruz, Ferreira Lobo, Armando Vidal, entre outros, e com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra do Norte, Orquestra Filarmonia das Beiras, ao lado das mais prestigiadas figuras da lírica nacional
Luíza Dedisin (Soprano)
Esta jovem de 19 anos começou os seus estudos musicais aos 6 anos no Liceu “Ciprian Porumbescu” na Moldávia, na classe de piano da professora Lia Oxinoid. Aos 14 anos veio para Portugal e continuou os seus estudos na Escola de Música do Conservatório Nacional, onde ingressou também na classe de canto da professora Filomena Amaro. Após concluído o 8º grau de piano com 19 valores, dedicou-se intensamente à técnica vocal e repertório lírico. Presentemente a par de frequentar o curso superior de Piano na classe da professora Tânia Achaut, continua os seus estudos de canto lírico no Conservatório Nacional abordando todo o repertório lírico e participando como aluna distinguida nos concertos da semana aberta entre outros. Está presentemente a participar como solista integrada no elenco do Teatro Praga em apresentação no teatro São Luiz. É também elemento do Coro da Fundação Calouste Gulbenkian.
Luís Gomes (Tenor)
Nasceu a 18 de Fevereiro de 1987 no Montijo e aos 9 anos de idade iniciou os estudos musicais na escola MusiMusa daquela cidade começando nas disciplinas de Guitarra Clássica e Formação Musical. Aos 11 anos entrou para a Classe de Canto da mesma escola onde foi aluno do Professor João Paulo Reya. Fez vários concertos em coro e como solista. Em 2005 com 18 anos de idade é admitido na Escola de Música do Conservatório Nacional na classe de Canto da professora Filomena Amaro. Durante este período fez masterclasses com L.S.Tuan e Ronny Lawders em 2006 e no ano seguinte com Marimi Del Pozo. Também neste ano é admitido na Escola Superior de Música de Lisboa com nota máxima, 20 valores, na classe do professor Luís Madureira. Mais recentemente, em Dezembro de 2007, na cidade de Londres prestou provas para a Guildhall School of Music and Drama.
Kodo Iamagishi (Maestro)
Nascido no Japão em 1971, Kodo Yamagishi estudou na Universidade de Música de Viena. Foi aluno de direcção orquestral de U. Lajovic e seu sequência aos estudos com o mestrado na mesma instituição. Durante esse período trabalhou como ensaísta em montagens de óperas e dirigiu a Orquestra Pró-Arte de Viena. Participou ainda em masterclasses de direcção, piano e interpretação de lieder em Viena, Cairo, Weimar e com Dietrich Fischer-Dieskau em Estugarda. Desde 1997 trabalha como assistente em masterclasses do maestro E. Acel. Foi maestro assistente em montagens de óperas no Festival de Verão de Klosterneuburg, no Festival Haydn de Eisenstadt e no Opern Air em Gars am Kamp. Em 2002 dirigiu L’Enfant et les Sortilèges na Alemanha e também a Orquestra de Salão de Merena (Itália). De 2002 a 2004 ytrabalhou como maestroco- -repetidor e kapelmaister no Platztheater em Kaiserlautern (Alemanha), onde dirigiu 22 récitas de óperas. Em 2004 dirigiu a Orauestra Nacional da Cidade de Oradea (Roménia) e desde a temporada de 2004/2005 é maestro assistente do coro do Teatro de S. Carlos, em Lisboa. Foi vencedor do prémio «Finalista» (2º lugar) do II Concurso Internacional de Regência Orquestral Prémio OSESP ,em S. Paulo.
Jorge Alves (Maestro do Coro)
Formado pelo Instituto Gregoriano de Lisboa e Escola Superior de Musica de Lisboa em Canto Gregoriano e Direcção Coral, exerce a sua actividade como director coral desde 1985. Entre os diversos grupos que tem dirigido nos mais de 20 anos de carreira como director coral destacam-se o Coro de Câmara Syntagma Musicum, o Coro Sinfónico Lisboa Cantat, O Coro de Câmara Lisboa Cantat, o Coro do Teatro Nacional de S.Carlos, o Coro da Universidade Técnica de Lisboa e o Coro da Universidade Católica Portuguesa . Foi membro do Coro Gulbenkian (1988 a 2001), do Coro Gregoriano de Lisboa (1995 a 1998) do quarteto vocal masculino Tetvocal (1998 a 2007) com os quais gravou diversos trabalhos discográficos. Dirigiu nas principais salas de espectáculo nacionais e tem actuado em diversos Festivais Internacionais de Música por toda a Europa, Macau, Japão, Brasil, Argentina, Uruguai, Índia e Tailândia.
Mas não acaba aqui!
Outros artistas presentes nesta festa do Avante:
Aldina Duarte
Bandarra
Blind Zero
Carla Pires
Ciganos d'Ouro
Clã
David Fonseca
Francisco Naia
Frei Fado d'El Rei
Gazua
Guy Davis
Hazmat Modine
João Lencastre's Communion
Laurent Filipe
Luísa Amaro
Maria Alice
Maria João e Mário Laginha
Nelson Cascais
Peste & Sida
Roda de Choro de Lisboa
Samuel
Seth Lakeman
Ska P
Skalibans
Tabanka Djaz
Telectu e convidados
Tereza Salgueiro
The Men They Couldn't Hang
The PostCard Brass Band
The Soaked Lamb
Vanessa Alves
Vitorino com os Cantadores do Redondo
Voces del Sur
Willie Nile
mas a verdade é que isto do programa ainda não acabou:
falta o Teatro todo, as Canções do Brecht, o Café Concerto, os Blues, o
Fado e nem eu já sei o quê mais.
Quem quiser saber mais pormenores, o melhor mesmo é ver aqui
Publicado por pilantra às 09:58 PM | Comentários (3)
agosto 24, 2009
Michel Petrucciani
(December 28, 1962, Orange, France – January 6, 1999, New York City, USA),

Disco 1
Disco 2
Faixa 2 - These Foolish Things
Entrevista ao Mezzo:
Publicado por pilantra às 02:38 PM | Comentários (0)
agosto 20, 2009
Oxalá seja um dos «excomungados» !
Olhos cor de chicote
Fiz uma casa com traves funestas
e a casa estava toda em fogo.
À hora da tarde quando o canto dos melros
e dos tentilhões começa a enlouquecer.
Por vezes a chama fugia da casa
à espera de viragem que não vinha.
A distância naufraga em soro branco,
o arbusto recolhe na falésia a profecia,
na carcuma onde a poalha não tem fim.
Torna-se ainda mais convulso
o remorso que tomba, ouvia-se
cada um dos soluços, pisados
por todos os que passavam.
Um nome ganha temor, a penumbra, o cipreste,
a crepitação das coisas que dizimam.
Um jorro negro é a sua frente.
E tu dizes-me: vais deixar
de ouvir as ondas, o verão não voltará,
podes esquecer e ser feliz.
Mas já é tarde. Não valia a pena
cada lágrima, a casa calcinada,
o bosque ao abandono, a geada no bebedouro,
o regresso de mais um sonho.
Em todos eles se liquefazem as árvores,
o torreão afogado do caminho, o curral,
o saque da fruta por larvas de uma grade.
E continua a arder no quarto
que rebenta.
Tudo se acumula na representação.
Assim um sismo
retira cidades do que foi cidade.
Então o fogo, cada uma das suas homilias,
corre pelo vazio veloz de todo o fogo.
No corpo desmantelado chamamos
à ignorância que de dentro nos mata
o destino, a casa a arder,
a passageira ondulação final.
Incham os órgãos até à gangrena,
as mucosas apodrecem, os tendões
esmagam-se de encontro à terra
numa dança de cinza.
De vez em quando passam os cavalos,
vão pelo silêncio para o alto.
De cada vez os teus olhos pousam
na pradaria de silva e cana seca.
Passam os cavalos com o cavaleiro,
enredam arvoredos, o seu tropel sustém
tocas mineiras, muros derruídos, a tarde
uma canção em luta. Nada traz
nenhum aviso ao plaino ácido,
ao mundo sem açaime.
E chega o escuro
donde desapareceram os cavalos. A vigília
em ligadura, sufocações por trás do que não sabemos,
uma praga certa vez ouvida, incurável na recordação.
Líquidos que batem, molas que não agarram,
galhos donde evapora a seiva.
Uma casa arrasta para longe
do humano, a natureza traz-nos
ao que somos diante de coisa alguma.
Se eu tivesse uma máquina suspeita
que, de encontro ao pano da montanha
e do mar em seu redor, arrancasse
o que pelo sol fora abatido,
animais ominosos ouvir-se-iam de repente.
Assim, apenas em redor do meimendro
se debruçam os arcos rasteiros da amica.
Tanto tempo os confundi com as azedas
pelo campo desarticulado.
Na cremação viscosa dos telhados,
no cerco dos olhos incapazes de seguir,
no alarme do verdete da fonte,
no túnel donde escorre a fuligem,
no perigo de passeios com cadastro
perdi todo o trevo desses lábios
que sabiam prender-se com os meus.
Joaquim Manuel Magalhães
Publicado por pilantra às 11:20 PM | Comentários (0)
agosto 13, 2009
Não à homofobia
Publicado por pilantra às 09:23 PM | Comentários (1)
agosto 01, 2009
outra música, outra paisagem...
a ria - (u can't do me)
o rio - (instead)
o mar - ( all over again)
Publicado por pilantra às 04:40 PM | Comentários (0)
julho 30, 2009
Pasárgada não é mais aqui
Já não há orelhas de abano.
Vou-me.
( A Ria Formosa da Pilantra, 2)
Publicado por pilantra às 11:55 AM | Comentários (3)
julho 26, 2009
Contra os optimistas
Chamam destino ao rifão do acaso
e chamam à fraude boa fortuna.
Crêem no Batman e na Virgem Maria.
Duvidam do frio, não da polícia
e nunca dão crédito àquilo que vêem.
Reservam a tempo um lugar na geral,
põem o pé entre duas ciladas
e ficam a rir-se nas fotografias.
Sujam a roupa tal como nós, mas
mandam-na sempre a lavandarias
que sabem tratar dos casos difíceis.
Nunca dão ponto sem antes o nó,
mas fazem um laço por cima do nó.
Compram revistas de aval científico
em cujos artigos se prova o seguinte:
é quase impossível determinar
se é falsa uma lágrima ou se é verdadeira.
Depois, jantam em grupo, falam dinheiro,
guiam a vida por grandes veredas e ouvem
sininhos, muitos sininhos de música sacra.
José Miguel Silva (outra vez)
Publicado por pilantra às 06:35 PM | Comentários (0)
julho 25, 2009
( A Ria Formosa da Pilantra )
Publicado por pilantra às 07:08 PM | Comentários (0)
julho 24, 2009
Miguel Vale de Almeida:
in Os tempos quer correm, 24.07.2009 :
«O desafio
Aceitei concorrer à Assembleia da República como independente pelas listas do PS. Vai ser um desafio de todo o tamanho. Mas, e como já disse, é importante definir - e ajudar a definir - que a linha de separação entre direita e esquerda deve passar entre o PSD e o PS; como é importante que cada vez mais pessoas vindas da vida “civil” participem da vida parlamentar e ajudem a animá-la e a influenciá-la com outras energias, pensamentos, linguagens e ligações aos movimentos de cidadania. O desafio vai ser “de todo o tamanho” porque conheço os defeitos do nosso sistema partidário, das nossas instituições democráticas e do debate fulanizado em meios como a blogosfera e os media. Mas acabou o tempo do nicho confortável da oposição absoluta ou do remanso da observação à distância. »
Oxalá, Miguel ! Oxalá consiga mais alguma coisa do que ser
o primeiro homossexual assumido eleito para o Parlamento Português.
O que já é muito.
Embora nos deixe um travo amargo na ternura que lhe dedicamos.
Publicado por pilantra às 09:39 PM | Comentários (3)
julho 15, 2009
Publicado por pilantra às 01:27 PM | Comentários (0)
maio 21, 2009
AJUDAR A MARTA

AJUDAR A MARTA 5ª FEIRA, em Lisboa: Fac. MED. DENT.+ Fac. FARMAC.+ ISCTE (Av. Forças Armadas; 9-16h), HOTEL BAIRRO ALTO (Lg. Camões; 9-16h), C.C. AMOREIRAS (loja 1089, piso 0, perto do rest. “Portugália”; 10–16h). COIMBRA: Fac. Matemática (9-17h). 6ª FEIRA: Amoreiras Square, Edif. Torre de Monsanto (Miraflores), McKinsey e Braga. Sábado: EXPONOR: Domingo: C.C. OEIRAS PARQUE. Todos os detalhes em "Eventos". pf divulgue
Dados actualizados sobre datas e locais de recolha, aqui
por favor ajude a divulgar
Publicado por pilantra às 11:39 AM | Comentários (1)
abril 30, 2009
Victor Oliveira Mateus

7 .
Em Lefteris é que eu me quero. No colorido vário
da sua pequena praia. No seu ar selvagem a concordar
contigo, quando esfarelas as folhas do tabaco
e, alheadamente, as misturas com o que sempre
compras no agitado mercado de Potamos.
Ágios Lefteris, escreves tu com uma navalha,
numa das tábuas do chão, debaixo do alpendre.
A mesma com que em mim, náufrago a intuir caminhos
jamais representáveis, também escreves sentires
de que não falamos. Ou então é de nós que traças
breve e rigoroso esboço. Desta nossa vocação translúcida
para apascentar palavras, que, devendo ser sagradas,
tantas vezes atraiçoamos na espinhosa gramática
dos afectos. Com um graveto remexes os seixos
junto à linha d'água e o silêncio é uma planície
súbita e felinamente apanhada pelo desejo. O desejo.
Não o cego impulso sem fonte nem direcção, mas
essa infinda avidez de ser o outro, como coisa nossa
que nos prolonga e individua, bem longe do ser
gratuito, que, divisa deste tempo, a tantos mata
de vida sem contornos nem alimento. O desejo.
O pulsar-me das veias ao despique com o comedido
desgoverno da alma. O agradável tormento de nós
ante a imensidão do mar e o esmorecer do sol
(só em Lefteris há um pôr-do-sol assim!),
enquanto o teu galgo corpo galga galhardamente a casa
e, ridente e rígido, ressurge com a luminosa voz
de Angélica Ionatos por detrás: Lygmos Aggelon.
É uma canção que fala do transido soluçar dos anjos.
Uma canção que fala desses soluços, desse pretexto
para que soltemos os nossos pássaros e com eles cantemos
debaixo das janelas que insistem em fechar-se-nos.
É em Lefteris que eu me quero, decididamente!
Lugar do mais admirável deslumbramento, dos mais
inexprimíveis sinais em mim atento e despojado.
Mas, entretanto, enquanto o tempo ainda é e não resiste,
tu, que estás e me seduzes, põe de novo a canção
que fala dos soluços dos anjos, a irresistível voz
de Ionatos e, com teus decididos gestos, abre-me
com doçura a janela, o corpo, a morte pressentida.
Victor Oliveira Mateus

Publicado por pilantra às 12:22 AM | Comentários (3)
abril 29, 2009
Cláudio Neves

O GRITO
( sobre um quadro de Munch )
Há sempre um fiorde e uma ponte
em toda a vertigem humana,
e sempre essas nuvens em chama
no som da palavra horizonte.
Há sempre um fiorde, uma ponte,
dois homens de negro e o louco,
e curvas no espaço amplo e pouco,
e ser nesse andrógino instante.
Há sempre dois barcos que somem
além do fiorde e da ponte
que brumas tão rubras consomem.
E nesse grito a que ninguem responde,
há sempre esse eco bifronte,
esse espaço sem quando, esse tempo sem onde.
DUPLO
Eu finjo ser quem fui,
porquanto assim me seja
real ser o que frui
e não quem o deseja.
Eu tento ser quem era
somente porque é belo
e inútil, e desespera
tentar ser mais do que sê-lo.
Finjo sempre nesta hora
de crepúsculo incompleto
em que duvido se é minha
a sombra azul que projecto.
Cláudio Neves

claudiomns@gmail.com
Publicado por pilantra às 12:04 PM | Comentários (17)
março 27, 2009
Amnistia Internacional
Publicado por pilantra às 12:03 PM | Comentários (0)
fevereiro 12, 2009
DARWIN (12 de Fevereiro de 1809 — 19 de Abril de 1882)


Publicado por pilantra às 08:55 AM | Comentários (2)
fevereiro 09, 2009
Já está na rua!

Publicado por pilantra às 10:07 AM | Comentários (0)
janeiro 22, 2009
Um retrato imperdível da homofobia:
escrito por PAULO PINTO no Jugular
Para ler clica no título:
«Os sete blefes mortais da homofobia»
E, já agora, vá ao publico.pt e, ao fundo à esquerda, vote.
Publicado por pilantra às 04:50 PM | Comentários (0)
janeiro 19, 2009
João Aguardela

João Aguardela, aos 39 anos, deixa-nos a sós com a sua música.
Sei que é muito.
Mas não posso impedir-me o desejo de que tivesse tido tempo para nos deixar mais música.
Um João vai, outro João vem - também sei.
Mas o João Aguardela «da Naifa» era um João dos que é dificil, ao nosso ouvido, encontrar.
Publicado por pilantra às 03:26 PM | Comentários (6)
dezembro 04, 2008
«desafio místico-literário»
1. Agarrar o livro mais próximo.
2. Abrir na página 161.
3. Procurar a 5ª frase completa.
4. Colocar a frase no blogue.
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro!!! Utilizar mesmo o livro que estiver mais próximo.
6. Passar a 5 pessoas.
Só por acaso, evidentemente, o primeiro livro é de poesia e uma revista, a Telhados de Vidro, nº10, de Maio de 2008 que, como se depreenderá, não tem 161 páginas! Passemos então ao primeiro da prolixa prosa:
«Tinham eles acabado de adormecer quando ouviram um grande barulho, uma quantidade de ladrões que apareciam.»
Esta é a quinta frase da página 161 do livro mais próximo: Italo Calvino, «Fábulas e Contos Italianos, Terceiro Volume, 165- Jesus e São Pedro na Sicília» ; Trad. de José Colaço Barreiros para a Circulo de Leitores, Lisboa.
Esta a minha contribuição para o desafio místico-literário proposto pelas queridas Tangas e myprecious
E passo o desafio (mistico-literário) a tod@s @s desassombrad@s competidor@s
em papa-pó-de-livros que passem por aqui e queiram ajudar a encher a prateleira!
Publicado por pilantra às 09:36 AM | Comentários (4)
outubro 12, 2008
Torquato Neto
Cogito
eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.

« Torquato Pereira de Araújo Neto nasceu em Teresina (Piauí), no dia 09 de novembro de 1944. Foi contemporâneo de Gilberto Gil no colégio em que estudou, em Salvador, tornando-se amigo do compositor e conhecendo também os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia. Em 1966 mudou-se para o Rio de Janeiro, começando seus estudos de Jornalismo. Mesmo sem ter concluído o curso, iniciou-se na profissão trabalhando em diversos jornais cariocas, tendo criado e redigido a coluna "Geléia Geral" no jornal carioca "Última Hora". Um dos criadores do movimento tropicalista, é o autor de inúmeras letras de músicas de sucesso, entre as quais destacamos "Mamãe, Coragem", "Geléia Geral", "Domingou", "Louvação", "Pra dizer adeus", "Rancho da rosa encarnada" e "Marginália II".
Em 10 de novembro de 1972, suicidou-se deixando o seguinte bilhete: "Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar".
Em 1973, ocorreu a publicação póstuma de seu livro "Os Últimos Dias de Paupéria", organizado por Ana Maria Silva Duarte e Waly Salomão. Três anos depois, alguns de seus poemas foram incluídos na antologia "26 Poetas Hoje", organizada por Heloísa Buarque de Hollanda. Em 1997, foram publicados quatro de seus poemas na antologia bilíngüe "Nothing the Sun Could Not Explain", organizada por Michael Palmer, Régis Bonvicino e Nelson Ascher.
O poema acima foi publicado no livro "Os Últimos Dias de Paupéria", Max Limonad - Rio de Janeiro, 1973, e selecionado por Ítalo Moriconi para figurar no livro "Os cem melhores poemas brasileiros do século", Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 269.»
Esta informação encontra-se aqui
Quem quiser saber mais sobre poetas e escritores brasileiros antigos, novos, médios e assim-assim, tem aqui uma ajuda possível
E aos mais curiosos lembro que se procurar aí à direita no meu «diário de bordo»
pode clicar no «Um dia desses» cantado pela Adriana Calcanhoto
e ouvir cantar outro poema de Torquato Neto.
Publicado por pilantra às 12:19 PM | Comentários (0)
setembro 24, 2008
A Loja da BOO em Biarritz!
E vende jóias maquiavélicas!
Publicado por pilantra às 10:57 PM | Comentários (2)
setembro 22, 2008
Segóvia, chica romanica
(fotos «samartaime», Segóvia, Setembro 2008)
[Nota: Para ver as fotos inteiras é necessário abrir a caixa dos comentários]
Publicado por pilantra às 12:26 AM | Comentários (0)
setembro 18, 2008
Pau, Place de La Liberation
Preparava-me para dar uma espreitadela na Igreja quando me aparece esta despachada freira em passo desiquilibrado de corrida
que repara em mim a fotografa-lo e declara que me vai dizer um belo poema
compõe a vestimenta, estuda a pose, sorri gentilmente
Mas os outros avisam-no dos «guardiões do templo»
levantou-se gritando-me «era Verlaine! Conhece?»
Verlaine??? Cheirou-me a Sade !
E lá fugiram aos «guardiões do templo» num atropelo de macacos puladores e acenantes, rindo à gargalhada e gritando: «Para si! vá a Lourdes! Loudes!» Irei!
Publicado por pilantra às 12:00 AM | Comentários (0)
setembro 17, 2008
Brassempouy
Publicado por pilantra às 09:20 PM | Comentários (0)
setembro 16, 2008
Publicado por pilantra às 09:04 AM | Comentários (0)
setembro 10, 2008
Gente
(Donóstia, Espanha. Agosto 2008)
Publicado por pilantra às 01:31 AM | Comentários (0)
(Donóstia, Espanha. Agosto 2008)
Publicado por pilantra às 01:07 AM | Comentários (0)
setembro 07, 2008
Biarritz (ainda!)
A Praia Grande de Biarritz - ou «Biarritz»
O passeio das vaidades e vãs glorias ou o Cáis da Praia Grande, hoje um lugar tranquilo e civilizado onde apetece ficar.
Perdeu as plumas e maquilhagens senhoriais, perdeu até os smoking-jackets à porta do Casino, mas ganhou a alegria das slot machines electrónicas esfusiantes! A roleta conserva o seu ar abafado e suspiroso de cave estofada a veludo e cabedal, onde só o brilho dos olhos revela o golpe de asa ou de chumbo que vai «na alma». E perduram as pequenas e muito subterrâneas e reservadas, quase privadas, salas do pocker e do bridge arruinantes .
A Rua do Corsário Landrines a escorregar para o Casino e a rua Gardères a desaguar no Cáis da praia.
Não há um canto sem encanto...
... nem encanto que não encontre o seu canto !
todos se misturam sem se incomodarem
Biarritz está mais «democrática», é verdade. Mas ganhou com essa «liberdade».
A «tradição» não esmaga, é apenas uma história comum, benévola e doce
... e lá continua o navio - meio baleeiro, meio pirata e pintado de fresco - sobre o altar-mor!
(fotos «samartaime», Biarritz, Agosto 2008)
Publicado por pilantra às 11:31 PM | Comentários (0)
julho 09, 2008
(foto «samartaime»)
Publicado por pilantra às 06:19 PM | Comentários (0)
junho 15, 2008
Castelo de Monsaraz
fotos «samartaime», Monsaraz, 15:JUN:08.
Publicado por pilantra às 11:31 PM | Comentários (0)
maio 18, 2008
Foi aqui, perfeitamente aqui, ao fundo deste beco abrangente,
que o Arquimínio
e a Heliodora dos sapatos de fazerem brim brim deram com o descampado
onde figurava o desejo pedestre de desfazer a barba a um pão de cinco quilos!

(foto de Rodchenko . rua myasnicka, 1933)
Publicado por pilantra às 01:45 AM | Comentários (1)
maio 01, 2008
Viva O Primeiro de Maio !

(Foto da BOO)
Publicado por pilantra às 12:28 AM | Comentários (1)
abril 30, 2008
Publicado por pilantra às 01:19 PM | Comentários (3)
abril 25, 2008
25 de Abril sempre!
Como eramos tristes, antes do 25 e Abril!
Cantávamos coisas tristes, de um modo triste. E tudo quanto se cantava não valia pelo que se dizia mas pelo que se dava a entender - era o furar do muro da censura.
Deixo aqui uns poucos dos nossos «baladeiros». Faltam muitos., mesmo muitos. Mas não me era tecnicamente possivel. E isto é só para que façam ideia de «como era»:
António Bernardino - Cantiga para os que partem ( guerra colonial e emigração)
Duarte Mendes - Lágrima de uma preta ( racismo)
José Afonso - A morte saíu à rua (assassinato pela PIDE de José Dias Coelho)
José Mário Branco - Mudam-se os tempos... (a mudança)
Manuel Freire - Livre (Liberdade de expressão)
Padre Fanhais - Juventude ( resistência)
Paulo de carvalho - Maria vida fria ( guerra colonial)
Samuel - Poema da malta das naus (guerra colonial)
Vieira da Silva - Canção para um povo triste ( fascismo)
Adriano Correa de Oliveira - P'ro que der e vier (resistência)
Depois... veio o 25 de Abril!





E hoje já podemos cantar tudo!
Publicado por pilantra às 04:34 PM | Comentários (4)
abril 24, 2008
Um galardão destes não se pode perder!

Ganhei este sinal de amizade :
obrigada, Seguradeti !
Estas são as regras:
Copie o selo aqui no blog ( ou no Gospel Gifs http :/ gospel-gifs.zip.net ), nomeie 10 blogs amigos e visite cada um deles avisando da nomeação. Se foi nomeado por alguém, passe adiante e visite os outros nove blogs que foram nomeados junto com você. Ao passar a campanha, pode copiar este texto ou criar o seu próprio texto. O importante é não esquecer de avisar onde se encontra o selo e de nomear os seus 10 blogs amigos.
Vamos lá ver se consigo atinar com os blogues que acompanho desde... 2003!
Nem todos sobreviveram, é verdade. Mas o núcleo «duro» permanece!
São os do tempo do «Samartaime» e da sua Pilantra. Lembram-se?
Aqui vão, à aventura:
Publicado por pilantra às 04:25 PM | Comentários (4)
abril 15, 2008
Os cinco defeitos na praça pública
Sem bolo de chocolate e com um frio destes, ó coisa ruim, ficar a criança exposta pois claro à intempérie!
Coisa de vizinhas que passam o dia na varanda e de binóculos
a langussar aqui o pátio das osgas!!
Mas aproveitemos o remanso para a introspeção - à moderna, para arreliar o Vasco Graça Moura e a APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros):
1- Desarrumada mas a culpa nunca é minha e sim das insanas das minhas mãos e dos meus pés levianos
2- Despassarinhada, que as coisas nunca são só o que se pensa. E ainda há liberdade de entendimento, por muito que lhes custe libertar o pensamento.
3- Muito mau feitio, é verdade! Ele é diretamente proporcional ao muito bom feitio dos outros.
4- A mania matricida de me rir com e das palavras. E convencida de que se não desenvolvermos essa mania, ainda vamos a mirandês de uma variante incógnita, caspite castelhana.
5- Perdida só por mil bolos de chocolate ! Que bolo só é se de chocolate. E chocolate, por mais chibante, não é bolo!
Posta que fui a confesso, passo aos ameaçadores convites:
Travessia - uma brasileira que tem um blog em Portugal! rsrsrs
Publicado por pilantra às 11:42 AM | Comentários (3)
abril 09, 2008
De tanga e ao desafio !
O desafio chegou-me da venerável dona - em comunhão desandanalógica, economicamente falando - da Botica das Tangas e é o de apontar cinco autores ou obras literárias preferidas, mais indicar um livro ou autor que ache que merece apodrecer na estante.
Passemos às queridas avulsas, sem ordem nem gabarito:
«Outono em Pequim», do Boris Vian, em francês ou na tradução portuguesa da Luiza Neto Jorge.
Porque quando era eu miuda muito pequena, raro foi o dia em que não ia de castigo para «o quarto escuro». E quando me senti adolescente parti, de bicicleta, qual Martinho Toucinho, em busca do buraco negro mãe de todas as escuridões da minha infância.
«O Velho e o Mar», do Hemingway, ou da provação da espinha para a humildade de cada qual.
«Bourlinguer», do Blaise Cendrars. (Não sei se há tradução portuguesa).
Porque todas as viagens têm cais e cada cais mil viagens.
«Les Sept Piliers de la Sagesse», de T.E. Lawrence. (Não conheço tradução portuguesa.O original inglês: «The Seven Pillars of Wisdom»).
Pelo direito inalienável de todos os marinheiros a darem à costa e perderem-se no deserto.
[«Justine», 1957; «Balthazar»,1958; «Mountolive»,1958; «Clea», 1960] ou «O Quarteto de Alexandria», do Lawrence Durrell, na tradução portuguesa do Daniel Gonçalves.
Porque, para além da exemplificação da teoria da relatividade, já contempla a inconstância da luz na paisagem vitalicia. E porque me apresentou Kavafis.
Um autor para apodrecer na estante não, que todo o espaço de estante é pouco.
Mas um autor que NÃO ENTRA na estante: José Régio, p. ex..
E o desafio aqui fica, agora entregue às meninas:
... desejando que não tenham ido todas de férias!
Publicado por pilantra às 01:45 PM | Comentários (3)
abril 07, 2008
Billy Preston, Eric Clapton, Ringo Starr, Paul McCartney,
Dhani Harrison and a slew of other friends of...
Publicado por pilantra às 03:09 PM | Comentários (0)
abril 04, 2008
Martin
Prémio Nobel da Paz, 1964
I have a dream!...

The Death of the Dream:

The Day Martin Luther King Was Shot :
4 de Abril de 1968
NESTA VARANDA DE UM MOTEL EM MEMPHIS, TENNESSEE.
Nina Simone - «Dr.Martin Luther King», Saga of the Good Life and Hard Times
Publicado por pilantra às 01:56 PM | Comentários (1)
março 25, 2008
A volta do mar
Foto Samartaime, MAR:08
Publicado por pilantra às 11:26 AM | Comentários (0)
março 14, 2008
Sofia Lourenço
Amanhã, sábado 15 de Março, às 18:30, na FNAC/Chiado com apresentação de Rui Vieira Nery
lançamento do novo disco «Porto Romântico» de Sofia Lourenço (piano).
Para ouvir um bocadinho do cêdê active a grafonola, à sua direita
E para mais informação sobre o disco e ouvir mais faixas clique aqui vá até ao dia 6 e... descubra a música! rsrsrs
Publicado por pilantra às 02:45 PM | Comentários (0)
março 10, 2008
Maria do Rosário Pedreira
Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.
Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.
O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.
* * *
O verão deixa-me os olhos mais lentos sobre os livros.
As tardes vão-se repetindo no terraço, onde as palavras
são pequenos lugares de memória. Estou divorciada dos
outros pelo tempo destas entrelinhas - longe de casa,
tenho sonhos que não conto a ninguém, viro devagar
a primeira página: em fevereiro, eles ainda faziam amor
à sexta-feira. De manhã, ela torrava pão e espremia
laranjas numa cozinha fria. Havia mais toalhas para lavar
ao domingo, cabelos curtos colados teimosamente ao espelho.
Às vezes, chovia e ambos liam o jornal, dentro do carro,
antes de se despedirem. As vezes, repartiam sofregamente
a infância, postais antigos, o silêncio - nada
aconteceu entretanto. Regresso, pois, à primeira linha,
à verdade que remexe entre as minhas mãos. Talvez os olhos
estivessem apenas desatentos sobre o livro; talvez as histórias
se repitam mesmo, como as tardes passadas no terraço, longe
de casa. Aqui tenho sonhos que não conto a ninguém.
in «A Casa e o Cheiro dos Livros»

Publicado por pilantra às 08:49 PM | Comentários (3)
março 08, 2008
Para todas as mulheres que, por nós, se esqueceram de si.
E para todas as mulheres que, por si, se esqueceram de si.

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Publicado por pilantra às 04:21 PM | Comentários (2)
março 04, 2008
Maria Ângela Alvim
A volta
Tão só em prosseguir busquei sentido
e o caminho é sem regresso a quem caminha
por nenhum instinto além reconhecido.
Espaço meu ou de loucura, era sozinha.
Vinha de não sei onde, lar perdido
de mim mesma, ou infância. Vinha
quando apenas vi que recobrara o ido
antigo estar em tal estância, minha.
E tudo que abandonei, o a que deu termo
muda solidão pairando em grito ermo,
largo deserto visto em falso medo,
tudo que abandonei, faz companhia.
Enquanto, indo, um ocaso brando me assistia
eis que amanheço em mim, volto a ser cedo!
Estou e não me respondo
Estou e não me respondo.
Assisto. Em mim se decide
um inútil afã e se some
a vida que me preside.
E passo, ainda... Meu nome
há muito não coincide
comigo se estar se consome
e tantas vezes me elide.
Me move o tempo mais frio
de tanto pranto afogado
num quase mito de mim.
Vou morando em desvario
quase em sonho inaugurado
para um começo, meu fim.
V
Moro em mim? No meu destino, largado
partido em mil?
Moro aqui? Demoraria
sempre aqui, sem me saber - fugindo sempre
estaria?
Eis um lugar. Degredo
(de quê?). Dimensão se perseguindo
num sonho? - Sim, que me acordo.
Tudo existe circunstante
e ninguém para me crer.
Sou eu o sonho,
momento da ausência alheia (que devasso quase fria).
Morte, vida recente,
subindo em mim a resina,
ungüento de noite, amor.
As sombras e seus véus,
tantos véus - o mais sucinto
preso a meu corpo (aparente?)
me divide em dois recintos.
Um deles sendo equilíbrio
noutro posso me conter.
Avanço no sono aberto
até a altura do dia,
fria, fria,
mais fria, minha pele
filtra a aurora - neste tempo
aquela hora, seu pulso de instante e ocaso.
Eis que me encontro. Limite
de transparência e contato
entre a luz e meu retrato, na casta
parede - a louca?
Marulho d'água, caindo
dentro de mim, claridade.
Graça de mãos mais presentes,
que minhas mãos, já vazias
de sua forma, na palma.
Que gesto extenso as reteve
sempre além, configuradas?
E este azul, quase em branco
se desfazendo (na carne?).
Ah! Três retinas cortadas
de um prisma, se amanhecidas
nestes vidros, na vigília.
Ah! Três retinas pousadas
em ver, em ver contemplando
(ser, será o esquecimento
de quanto somos - pensando?).
Maria Ângela Alvim
Brasil (1926 - 1959)
Superfície (1ª ed.br.1950)
Toda Poesia
apresentação de Max de Carvalho
Assírio & Alvim - 2002
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fevereiro 22, 2008
Morreu Milena Barbosa
«Não mais a natureza ou o Estado, ou uma qualquer religião a decidir sobre a vida e o futuro das mulheres, mas elas próprias.»
Madalena Barbosa
Faro, 1942 - 2008 , Lisboa
PÚBLICO: {Público.pt, 21-02-2008]
Aos 66 anos
Morreu Madalena Barbosa, fundadora do Movimento de Libertação das Mulheres
21.02.2008 - 17h53 Lusa
Madalena Barbosa, fundadora do Movimento de Libertação das Mulheres, em Abril de 1974, organismo de luta pelo "direito à igualdade de oportunidades, sem discriminação de género", morreu hoje aos 66 anos, anunciou o grupo parlamentar do PS.
Nos anos 80, Madalena Barbosa integrou a Comissão da Condição Feminina, actual Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, onde trabalhou até agora, lembra o grupo parlamentar do PS. Nas eleições intercalares de 2007 foi candidata à Câmara de Lisboa pelo Movimento Cidadãos por Lisboa.
No decorrer da sua carreira, a activista representou Portugal e a União Europeia em várias cimeiras e conferências internacionais, nomeadamente em Nova Iorque.
Madalena Barbosa auto-definia-se como "feminista, socialista e mulher, chamada em outros lugares do mundo gender expert".
Madalena Barbosa morre um dia antes do lançamento de "Que Força é Essa", o seu livro de crónicas e textos de reflexão sobre temas como feminismo, igualdade e estudos de género, participação cívica e política. A obra será lançada amanhã na Fábrica Braço de Prata, no Poço do Bispo, onde também será feita uma última homenagem.
A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) já lamentou o falecimento da feminista, a quem diz prestar homenagem por se tratar de "uma das primeiras lutadoras pela despenalização do aborto em Portugal". Foi "uma mulher que sempre se firmou como feminista em todas as dimensões da sua vida", sublinhou a UMAR em comunicado, acrescentando que vai "preservar o exemplo de dignidade e de coragem revelado nos dias mais difíceis da sua vida".
Em comunicado, a UMAR apela à "participação das feministas portuguesas" nas cerimónias fúnebres de Madalena Barbosa, sexta-feira às 16h00 na casa mortuária Santa Joana, em Lisboa. O funeral segue para o cemitério do Alto de S. João, onde o corpo será cremado pelas 23h00.
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fevereiro 19, 2008
As velhas cheias de Lisboa
Maria Elisa voltou à RTP com a memória das cheias de 67 e fui ver no que dava. Que ainda me lembro e duvido que alguém que viu tenha esquecido.
Estava em Lisboa havia menos de uma semana e fui jantar a casa de uns amigos. Saí pouco depois da meia-noite. Chovia bastante e eu teria de percorrer a 24 de Julho e a Av. da Índia que, tradicionalmente, alagavam. Principalmente a 24 de Julho.
Desci a Infante Santo e ao fundo, sob o viaduto, vejo um espelho escuro. Aproximei-me muito devagar: era água. Mas água como? Como era possível aquela piscina? Abateu o chão? Eu não conseguia atinar com o que via. Virei o carro e subi a Infante Santo.
Enquanto pensava noutro caminho, talvez a Maria Pia para Alcântara, liguei o rádio. E ouvi o Fialho Gouveia a pedir barcos de borracha para a Praça de Espanha. Que havia autocarros presos na lama e era preciso tirar de lá as pessoas antes que subisse mais «a água».
Lembrei-me de me terem contado da experiência da «invasão dos marcianos», uma reposição portuguesa do programa do Orson Wells, e pensei: estes tipos estão loucos, vai dar barafunda outra vez! Mas de repente lembrei-me da água na Infante Santo, parei o carro e fiquei a ouvir. Havia cheias em Lisboa, pediam mesmo barcos para a Praça de Espanha. Pediam para se evitar a zona baixa da cidade e quem precisasse seguir para zona ocidental que utilizasse a autoestrada . E fui para a autoestrada meio preocupada meio incrédula, apesar da evidência das ruas transformadas em ribeiras agitadas e da chuva grossa que não parava.
A subida da autoestrada, vista do viaduto, era uma serpente gorda de luzes vermelhas, quase parada. No alto da subida havia polícia: tinham feito uma abertura no separador e só podia seguir quem ia para Montes Claros. Os outros tinham de voltar para Lisboa e procurar onde passar a noite que havia problema com um paiol não sei onde e Algés e o Dafundo «estavam fechados à circulação».
Mas no dia seguinte foi pior. Lembrei-me de descer até Algés, pensando nas caves – que hoje são lojas por causa dessas cheias: foi proibido serem utilizadas para habitação.
Porque muita gente ficou aí encurralada na lama. Morreu gente nas casas da rua Damião de Góis, na Rua dos Lusíadas e naquelas ruas ali à volta. Morreu gente no largo da praça de Touros. Morreu gente junto ao Mercado. Nos passeios.
Nunca soubemos quantos morreram. Morreram. Alguns deixaram as mãos marcadas nas paredes. Outros sobreviveram à família por casualidade e nunca mais foram quem eram.
Em Odivelas foi ainda pior, eu sei. A Maria Elisa recordou-o, e bem, em pormenor.
Morreram centenas de pessoas. E hoje, tal como dantes, não sabemos nem quem nem quantos.
A censura do fascismo apagou-os.
Uns tantos ficámos a saber que é sempre possível a repetição do desastre e que há modos de o prevenir e evitar o cataclismo. De que valeu?
Nem de propósito: acabado o programa da Maria Elisa, repetiu-se outra noite de pandemónio.
De novo a zona ribeirinha de Lisboa alagou. De novo a ribeira do Jamor matou.
Tivemos muito menos mortes, felizmente. Mas os estragos materiais são idênticos.
Até quando, Catilina?
Publicado por pilantra às 06:25 PM | Comentários (2)
fevereiro 11, 2008

(Autor desconhecido)
Publicado por pilantra às 03:10 PM | Comentários (1)
fevereiro 07, 2008
Queixas de um utente
Pago os meus impostos, separo
o lixo, já não vejo televisão
há cinco meses, todos os dias
rezo pelo menos duas horas
com um livro nos joelhos,
nunca falho uma visita à família,
utilizo sempre os transportes
públicos, raramente me esqueço
de deixar água fresca no prato
do gato, tento ser correcto
com os meus vizinhos e não cuspo
na sombra dos outros.
Já não me lembro se o médico
me disse ser esta receita a indicada
para salvar o mundo ou apenas
ser feliz. Seja como for,
não estou a ver resultado nenhum.
José Miguel Silva

Publicado por pilantra às 03:12 PM | Comentários (3)
janeiro 28, 2008
Deficiências
'Deficiente' é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
'Louco' é quem não procura ser feliz com o que possui.
'Cego' é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
'Surdo' é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
'Mudo' é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
'Paralítico' é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
'Diabético' é quem não consegue ser doce.
'Anão' é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:
a amizade é um amor que nunca morre.
Mário Quintana

Publicado por pilantra às 03:13 PM | Comentários (3)
janeiro 23, 2008
A noite chega com todos os seus rebanhos
Uma cidade amadurece nas vertentes do crepúsculo
Há um íman que nos atrai para o interior da montanha.
Os navios deslizam nos estuários do vento.
Alguma coisa ascende de uma região negra.
Alguém escreve sobre os espelhos da sombra.
A passageira da noite vacila como um ser silencioso.
O último pássaro calou-se.As estrelas acenderam-se.
As ondas adormeceram com as cores e as imagens.
As portas subterrâneas têm perfumes silvestres.
Que sedosa e fluida é a água desta noite!
Dir-se-ia que as pedras entendem os meus passos.
Alguém me habita como uma árvore ou um planeta.
Estou perto e estou longe no coração do mundo.
António Ramos Rosa

Publicado por pilantra às 11:08 PM | Comentários (2)
