dezembro 04, 2009

Satyr and Peasant



satyr.jpg

Jacob Jordaens
«Satyr and Peasant» (c. 1620-21)
Oil on canvas, 174 x 205 cm.
Alte Pinakothek, Munich.



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dezembro 01, 2009



rivera_rich.jpg

Diego Rivera
Night of the Rich,1928, fresco.
North wall, Courtyard of the Fiestas;
Ministry of Education, Mexico City

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novembro 09, 2009

Da herança corruptiva





A corrupção herdou-se e vai herdando-se.

Herdámos a «corrupção de classe», sob a forma de privilégios variados, que iam desde os latifúndios aos monopólios industriais e que viviam paredes meias com os grandes fazendeiros e concessionários coloniais, muitos dos quais apenas conhecendo, disto e daquilo, os números: de hectares e de lucros.
E, tendo tão farto império, como poderiamos esquecer os nossos velhos aliados?
O açúcar era um privilégio inglês apesar dos portugueses que lhe andavam na babugem.
Tal como o chá era inglês e belga- apesar da babugem portuguesa do Gurué.
Note-se que mesmo na babugem se tinham lucros de respeito.
Mas na babugem era diferente: aí já se sentiam o ar do tempo, as aflições, apertos e trabalhos.

Herdámos a «corrupção corporativa» como a que levou Marcelo Caetano a acabar com a polícia de trânsito da época - aquela do um sabia ler, o outro escrever e o terceiro gostava de acompanhar com intelectuais, que a anedota é pelo menos desse tempo.
Tal como herdámos o silêncio inter pares ou, se preferirem, à la d'Artagnan: o «um por todos e todos por um» de médicos, engenheiros, contabilistas, farmacêuticos, cozinheiros, os sacrílegos economistas e financeiros, juristas, etc., etc., etc..

E herdámos a «corrupção sem classe» do envelopezinho para os papéis andarem mais depressa,
da denúncia do vizinho a troco duma orelha de porco,
do perú no natal do chefe, para não ficarmos esquecidos nas promoções de janeiro,
da ida à missa para se mostrar a fiabilidade ao patrão,
da cestinha de ovos à Senhora para que interceda junto do Sr. Doutor e o rapaz consiga um trabalho,
miserere nobis.
Que tempos imperdoáveis aqueles
do pão por deus, poucas letras e a esmola do trabalho.

Hoje, o palmo adiante do nariz alargou-se incomensuravelmente.
Não para todos, é verdade, mas para muitos mais.
Inclusive para a corrupção.

E de novo a vemos, à corrupção,
agora de excelência e disfrutando da sua inefável sustentabilidade
mas sempre ou de classe, ou corporativa ou sem classe nenhuma.

Bem poderemos invocar Herculano e os seus «fartai, vilanagem» ou «destapai, cães, e lambei!»
- mas isto não vai com invocações. Sequer com indignações.

Isto vai com polícias que os agarrem, juízes que os julguem, tribunais que lhes saquem o que roubaram.

Se não, terá de ser o povo - a única entidade soberana, todos os outros são meros delegados de propaganda - a indicar-lhes «a serventia da casa».

E isso é quando, ó povo?



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novembro 04, 2009

João Aguardela



Aguardela 1.jpg


megafone 1

«Terço da Quaresma»
(Recolha de JA Sardinha)


naifa_rabat.jpg


(sobre Recolhas Michel Giacometti:)

Canto da Santa Cruz

Senhora do Carmo

Moda do Ladrão

Encomendação das Almas

O mineiro



Aguardela 3.jpg


(sobre Recolhas José A. Sardinha:)

Saias da Morena

Canto de S.João

Cantiga da Segada

Maragato




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outubro 28, 2009

Para uma varredoura estêvica





«Grandes Atacadores do Mundo,


Atai-vos e Tropeçainde!»



e cainde de borco


e partinde a cornadura!



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julho 19, 2009

DJELEM DJELEM Romanei

Gypsy Music Video Gelem Gelem - Roman holocaust






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junho 10, 2009

Dia de Camões



440px-Camoes_2.jpg


Horas breves de meu contentamento
Nunca me pareceu quando vos tinha,
Que vos visse mudadas tão asinha
Em tão compridos anos de tormento.

As altas tôrres, que fundei no vento,
Levou, em fim, o vento que as sostinha;
Do mal que me ficou a culpa é minha,
Pois sôbre cousas vãs fiz fundamento.

Amor com brandas mostras aparece:
Tudo possível faz, tudo assegura;
Mas logo no melhor desaparece.

Estranho mal! Estranha desventura!
Por um pequeno bem, que desfalece,
Um bem aventurar, que sempre dura!


Luís de Camões



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junho 06, 2009

TRAVA-LÍNGUA



Somos quatro copos
para quatro respectivas bocas
e cada copo situa-se ao lado do copo
da legítima boca.
Em frente aos legítimos copos
os ilegítimos,
cada um também com a sua respectiva boca.
Este o alinhamento
até que uma respectiva boca
dirige à ilegítima
o seu copo
e baralha a posição inicial
oficial.
Então, a boca-par daquela
que recebeu o ilegítimo copo
repõe a situação:
gira o copo, copo, copo
lá.
Mas a boca que recebera o copo ilegítimo
gostara do seu sabor
e retoma o copo
ilegítimo
gira o copo, copo, copo
cá.

um copo assiste ao esquema rindo
secretamente condoído.
Porém o dono dos copos
leva os copos
e o copo não gira mais
nem cá
nem lá.


Ana Paula Inácio

anapaulainacio 1.jpg

(Telhados de Vidro, 9 - Set 2007/ Ed. Averno)

Publicado por pilantra às 12:20 PM | Comentários (4)

abril 29, 2009

Sapho e Angelique Ionatos



Ke prassinizo- Sapho

Publicado por pilantra às 02:44 AM | Comentários (0)

abril 28, 2009

Angelique Ionatos e Katerina Fotinaki



Angelique Ionatos e Katerina Fotinaki
Nefeli (extrait de Maria Nefeli de Odysseus Elytis)




Angélique Ionatos - Katerina Fotinaki / Tango mnémotechnique

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março 21, 2009

Ah!... O dia mundial da poesia

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(Foto de Pilantra, 21.MAR.09)

Publicado por pilantra às 11:45 AM | Comentários (0)

março 08, 2009

Dia Internacional da Mulher



Cassandra Rios


CassandraRios2.jpg
São Paulo,1932 - 2002, São Paulo


«O anjo pornográfico sai de cena»

Sexta-feira, dia 8 de março de 2002, dia internacional da mulher, morreu a mais polêmica escritora brasileira: Cassandra Rios. Ela publicou seu primeiro livro aos 16 anos, com a ajuda de sua própria mãe. Um detalhe: quando morreu, a mãe jamais havia lido um livro da filha, a pedido desta. O motivo: os livros eram muito picantes, a maior parte deles repleto de lesbianismo.
Filha de espanhóis, nascida e criada no bairro paulistano de Perdizes, Cassandra Rios se chamava, na verdade, Odete. Assinava seus livros sob pseudônimo por motivos óbvios, que o tempo comprovou: Cassandra teve, ao longo de sua carreira, 36 dos seus livros proibidos pela censura do regime militar. Não bastou ser a maior vendedora de livros do país, com recordes de 300.000 cópias vendidas, número surpreendente para os anos 60: Cassandra foi perseguida pela esquerda e pela direita, tachada de pervertida pelos defensores da moral e acusada de conservadorismo pelos que lutavam contra a ditadura. Primeira escritora a desfrutar de uma popularidade que a fazia convidada de todos programas de tv, comparecia também de smoking em festas, recebida pelos governadores da época. Foi pop e cult ao mesmo tempo. Depois de chamar a atenção de todo o país durante os anos 60 e 70, resolveu retirar-se de cena. Tornou-se messiânica e conseguiu reencontrar Odete, sem matar Cassandra.

texto de Vange Leonel

Biografia de Cassandra Rios aqui

Cassandra Rios - Bibliografia (muito incompleta)

Cassandra Rios - Poesia

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março 04, 2009

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Paul Klee, 1918






De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

Natália Correia

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março 01, 2009

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Francis Bacon, «Study for Crouching Nude».

dizem que a paixão o conheceu
mas hoje vive escondido nuns óculos escuros
senta-se no estremecer da noite enumera
o que lhe sobejou do adolescente rosto
turvo pela ligeira náusea da velhice

conhece a solidão de quem permanece acordado
quase sempre estendido ao lado do sono
pressente o suave esvoaçar da idade
ergue-se para o espelho
que lhe devolve um sorriso tamanho do medo

dizem que vive na transparência do sonho
à beira-mar envelheceu vagarosamente
sem que nenhuma ternura nenhuma alegria
nunhum ofício cantante
o tenha convencido a permanecer entre os vivos

Al Berto

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Publicado por pilantra às 05:15 PM | Comentários (1)

fevereiro 26, 2009



origem do mundo_org_courbet.jpg
Gustave Courbet, 1866, «A origem do mundo», óleo s/tela (55 cm x 46 cm), Paris.
No Musée d'Orsay, desde 1995,doado pela família de Jacques Lacan.

... mas que problema cabeludo!


Publicado por pilantra às 05:43 PM | Comentários (1)

fevereiro 24, 2009



Rousseau_sleping gypsy_2.jpg
Rousseau, «sleping gypsy»


Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!

Mário Quintana

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fevereiro 23, 2009



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Maggie Taylor, «small storm»

Publicado por pilantra às 02:13 PM | Comentários (1)

Um céu e nada mais

Um céu e nada mais - que só um temos,
como neste sistema: só um sol.
Mas luzes a fingir, dependuradas
em abóbada azul - como de tecto.
E o seu número tal, que deslumbrados
eram os teus olhos, se tas mostrasse,
amor, tão ribalta azul, como de
circo, e dança então comigo no
trapézio, poema em alto risco,
e um levíssimo toque de mistério.
Pega nas lantejoulas a fingir
de sóis mal descobertos e lança
agora a âncora maior sobre o meu
coração. Que não te assuste o som
desse trovão que ainda agora ouviste,
era de deus a sua voz, ou mito,
era de um anjo por demais caído.
Mas, de verdade: natural fenómeno
a invadir-te as veias e o cérebro,
tão frágil como álcool, tão de
potente e liso como álcool
ímplodindo do céu e das estrelas,
imensas a fingir e penduradas
sobre abóbada azul. Se te mostrasse,
amor, a cor do pesadelo que por
aqui passou agora mesmo, um céu
e nada mais -que nada temos,
que não seja esta angústia de
mortais (e a maldição da rima,
já agora, a invadir poema em alto
risco), e a dança no trapézio
proibido, sem rede, deus, ou lei,
nem música de dança, nem sequer
inocência de criança, amor,
nem inocência. Um céu e nada mais.


Ana Luísa Amaral
in Às Vezes o Paraíso

analuisaamaral.jpg


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fevereiro 14, 2009



V-Silva-bibliotheque-g.jpg
Vieira da Siva, «Bibliothéque en Feu», 1974, óleo sobre tela, 158 x 178 cm ;
Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian;
Lisboa, Portugal


TESTAMENT

Je legue à mes amis

Un bleu céruleum pour voler haut
Un bleu cobalt pour le bonheur
Un bleu d’outremer pour stimuler l’esprit
Un vermillon pour faire circuler le sang allègrement
Un vert mousse pour apaiser les nerfs
Un jaune d’or : richesse
Un violet de cobalt pour la réverie
Un garance qui fait entendre le violoncelle
Un jaune barite : science-fiction, brillance, éclat
Un ocre jaune pour accepter la terre
Un vert Véronèse pour la mémoire du printemps
Un indigo pour pouvoir accorder l’esprit à l’orage
Un orange pour exercer la vue d’un citronnier au loin
Un jaune citron pour la grace
Un blanc pur : pureté
Terre de Sienne naturel : la transmutation de l’or
Un noir somptueux pour voir Titien
Une terre d’ombre naturel pour mieux accepter la mélancolie noire
Une terre de Sienne brûlée pour le sentiment de durée


Maria Helena VIEIRA DA SILVA – (13/VI /1908 – 6/III/1992)

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fevereiro 13, 2009


Que estúpido se não sabe que a infelicidade dos outros é dele
e não se cura de fora.
Porque sofrer não é ter falta de tinta
ou o caixote não ter aros de ferro!

Fernando Pessoa

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(Lisboa, 13 de Junho 1888 - 30 de Novembro de 1935,Lisboa)

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fevereiro 05, 2009



Bendito seja eu por tudo o que não sei
gozo tudo isso como quem sabe que há o sol

Fernando Pessoa


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dezembro 06, 2008

Pierre-Auguste Renoir

(Limoges, 25 FEV 1841 - Cagnes-sur-Mer, 3 DEZ 1919)

Renoir_torso.jpg
Renoir - Buste de Femme; c. 1873-75;
Oil on canvas; 32 1/8 x 24 3/4 in. (81.5 x 63 cm)
Barnes Foundation, Merion, Pennsylvania

Renoir_seated-bather.jpg
Renoir - Seated Bather; c. 1883- 84;
Oil on canvas; 47 1/8 x 36 3/4 in. (119.7 x 93.5 cm);
Fogg Art Museum, Harvard University, Cambridge, MA

Renoir_baigneuses.jpg
Renoir - Les baigneuses; c. 1918;
Oil on canvas; 26 1/2 x 32 in. (80 x 65 cm);
The Barnes Foundation, Merion, Pennsylvania

Publicado por pilantra às 07:14 PM | Comentários (2)

dezembro 02, 2008

Henri Matisse

( França, Le Cateau-Cambrésis, 31:DEZ:1869 - 2:NOV:1954, Nice)


Matisse_le bonheure de vivre.jpg
Matisse, Le bonheur de vivre
1905/1906 - Oil on canvas, 69 1/8 x 94 7/8 in. (175 x 241 cm)
Barnes Foundation, Merion, PA

matisse_le_luxe (I).jpg
Matisse, Le luxe (I)
1907 - Oil on canvas, 6'10 5/8" x 54 3/8" (210 x 138 cm)
Musee National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris

Matisse1.jpg
Matisse, The Blue Nude (Souvenir of Biskra)
1907 - Oil on canvas, 36 1/4 x 55 1/8 in. (92.1 x 140.1 cm)
Baltimore Museum of Art

Matisse_bathers_by_a_river.jpg
Matisse, Bathers by a River
1909/ 1913/ 1916 - Oil on canvas, 259.7 x 389.9 cm
The Art Institute of Chicago

Matisse 4.jpg
Matisse, Odalisque with Red Culottes
1921 - Oil on canvas, 26 3/8 x 33 1/8" (67 x 84 cm)
Musee National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris

Matisse 2.jpg
Matisse, Odalisque with Magnolias
1923/24 - Oil on canvas, 25 5/8 x 31 7/8" (65 x 81 cm)
Private collection

Matisse_decorative_figure.jpg
Matisse, Decorative Figure on an Ornamental Ground
1925 /1926 - Oil on canvas, 51 1/8 x 38 5/8 in. (130 x 98 cm)
Musee National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, Paris

Matisse 3.jpg
Matisse, Large Reclining Nude / The Pink Nude
1935 - Oil on canvas, 26 x 36 1/2" (66 x 92.7 cm)
The Baltimore Museum of Art

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novembro 21, 2008

Modi

(Livorno, 12 JUL 1884 - 25 JAN 1920, Paris)


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1914 - Pink Nude

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1916 - Seated Nude

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1917 - Nude with Necklace

Modigliani-1917_Reclining_Nude.jpg
1917 - Reclining Nude

Modigliani-1917_Reclining_Nude_Raised_on_Right_Arm.jpg
1917 - Reclining Nude Raised on Right Arm

Modigliani-1917_Reclining_Nude_with_Blue_Cushion.jpg
1917- Reclining Nude with Blue Cushion

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1917 - Red Nude

Modigliani-1917_Seated_Nude_on_a_Divan.jpg
1917 - Seated Nude on a Divan

Modigliani -1917_Seated_Nude.jpg
1917 - Seated Nude

Modigliani -1918_Red-Haired_Young_Woman_in_Chemise.jpg
1918 - Red Haired Young Woman in Chemise

Modigliani-1919_Le_Grand_Nu.jpg
1919 - Le Grand Nu

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novembro 07, 2008

Porto CCC.jpg

Cinco Poemas

de Inês Lourenço


AOS INTENSOS

Eles despovoam as superfícies e inventam
a geometria dos espaços, confundem
a pele com o Cosmos, nos jogos de água
do fogo e da madeira.

Desistiram de acreditar no fim
e no princípio
por que o tempo é eterno, e a pulsação
é teia de luas contínuas
e cegueiras vivas de encarar o sol.

Nativos da partida, gastam os passos
até ao próximo éden,
onde eva, adão e a serpente
serão provavelmente desconhecidos.

SIRENE

Bom é ter poucos amigos
poetas, para não ter de
trair a lisura do afecto
ou do texto. Mesmo esses poucos
chegam a nenhuns, se não
conseguimos elogiar epifanias
recessas, queixas piedosas ou
banalidades inócuas. Um amável
neófito muito badalado, ou um sénior
de vários prémios
literários, esperam deliciar-nos
com o verbo no cada vez mais
exíguo palco do poema
impresso. Assim ficamos sós
diante da própria e feroz espera
da negada surpresa. Como quem
adormece na ambulância
apesar da sirene.


PORTA DE ARMAS

Os teus dentes emboscados atrás
dos lábios entreabertos no indício
do sorriso, esse pré-aviso de facas,
anunciam a tua humana condição capaz
de morder e mastigar. A explicação
do mundo recomeça aí, nessa
porta de armas.


FONEMA

Agora que as sílabas estão vagas
dos fonemas tépidos que habitei na tua larva
esse teu nome,
tua descrição sumária e tua máscara,
presença e ausência sendo a pele
da mutação constante sendo ente,
lento é ainda entre os lábios e as gengivas
esse trajecto de umbilical sutura,
deserdando a garganta que regressa
do futuro do passado e do presente
numa página virada e transparente
hábito que desabito lentamente.

OS LIVROS

Os livros duram séculos e
falam da melodia da chuva,
dos rios e dos mares, das fontes,
dos húmidos beijos dos
amantes, mas também

morrem despedaçados num
qualquer temporal que parte
as vidraças e lhes tolhe as páginas
numa brutal invasão líquida.

E falam do fogo
das paixões, de estrelas
a arder no infinito,
mas o convívio das chamas
é-lhes vedado, apesar
da torpe ignorância,
a isso os ter condenado
tantas vezes.

Quantos naufrágios e incêndios
os destruiram, para depois
ressurgirem múltiplos,
audazes, amigos tão antigos e
tão novos.

Porto AA.jpg
(Fotos «samartaime)

Publicado por pilantra às 12:30 AM | Comentários (2)

novembro 01, 2008

Ingres



Jean-Auguste-Dominique Ingres
(29 de Agosto de 1780, Montauban – 14 de Janeiro de 1867, Paris)


Ingres_Valpicon.jpg
Bather of Valpincon
1808
Oil on canvas
Musée du Louvre, Paris

ingres_grand_odalisque.jpg
La Grand Odalisque
1814
Oil on canvas
Musée du Louvre, Paris

Ingres-The_Small_Bather.jpg
The Small Bather
Oil on Canvas
Completed in 1826
Original dimensions: 25.1cm x 32.7cm (9.9in x 12.9in)
Original Painting held in Phillips Collection , Washington, DC USA


ingres_odalisque e a escrava.jpg
Odalisque and Slave
1839
Oil on canvas
Fogg Art Museum, Cambridge, Massachusetts

Ingres -Venus_at_Paphos 2.jpg
Venus at Paphos
Oil on Canvas
Completed in 1853
Original dimensions: 70.0cm x 91.0cm (27.6in x 35.8in)
Original Painting held in Musée d'Orsay , Paris France

Ingres_The_Spring.jpg
The Source
Oil on Canvas
Completed in 1856
Original dimensions: 80.0cm x 163.0cm (31.5in x 64.2in)
Original Painting held in Musée d'Orsay , Paris France

ingres_bain_turc.jpg
Le Bain Turc
1862
Oil on canvas
Musée du Louvre, Paris


250px-Ingres%2C_Self-portrait_1804.jpg Ingres em 1804 (Auto-retrato).


Publicado por pilantra às 10:21 PM | Comentários (0)

outubro 31, 2008

Herberto:

do mundo que malmolha ou desolha não me defendo.
nem de mim mesmo, à força
de morrer de mim na minha própria língua,
porque eu, o mundo e a língua
somos um só
desentendimento

(A faca não corta o fogo)

barcomorto 5.JPG

Publicado por pilantra às 03:51 PM | Comentários (1)

outubro 30, 2008

Ticiano



Tiziano Vecellio ou Vecelli (Pieve di Cadore cerca de 1490 - Veneza 27 de Agosto de 1576)
também conhecido como Tizian Vecellio De Gregorio, Ticiano, Titian ou ainda Titien.

Tiziano_1515_Sacred_&_Profame_Love.jpg
Sacred and Profane Love
Oil on Canvas
Completed in 1515
Original dimensions: 279.0cm x 118.0cm (109.8in x 46.5in)
Original Painting held in Galleria Borghese , Rome Italy

Ticiano-Vénus.jpg
Venus Anadyomene
Oil on Canvas
Completed in 1520
Original dimensions: 57.0cm x 76.0cm (22.4in x 29.9in)
Original Painting held in National Gallery of Scotland , Edinburgh Scotland

Ticiano-Venus de Urbino.jpg
Venus of Urbino
Oil on Canvas
Completed in 1538
Original dimensions: 165.0cm x 119.0cm (65.0in x 46.9in)
Original Painting held in Galleria degli Uffizi , Florence Italy

Tiziano-1545_Danae.jpg
Danae
Oil on Canvas
Completed in 1545
Original dimensions: 172.0cm x 120.0cm (67.7in x 47.2in)
Original Painting held in Museo di Capodimonte , Naples Italy

Tiziano-1550_Venus_&_Cupid.jpg
Venus and Cupid
Oil on Canvas
Completed in 1550
Original dimensions: 195.0cm x 139.0cm (76.8in x 54.7in)
Original Painting held in Galleria degli Uffizi , Florence Italy


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outubro 20, 2008

Manuel de Freitas ou a Arte de falar sem falar nisso



LOVE ME TENDER

Estou cansado de pessoas.
Contudo, sentando ao balcão
a sua garrida mini-saia, Daisy
insiste em chorar sobre a sua quinta imperial.

Ainda bem que neste bar
não são admitidos pessoanos
(seria concorrência desleal,
convenhamos). E contudo Daisy
chora, esconde o rosto em lenços
de papel expressamente concebidos
para atenuar o desamor
e precaver a melancolia atípica.

Daisy chora, chora - e eu,
que nem disso sou capaz,
prometo a mim mesmo
deixar de sair à noite e começar
a escrever poesia metafisica.


in A Flor dos Terramotos, pp 46.
Ed.AVERNO, Lisboa, 2005


PAULINE E VILHELM

O meu marido foi para Skagen, pois
acredita, mais do que eu, que
a missão da actual pintura dinamarquesa
é trazer-nos com rudeza e pormenor
imagens cruas da província,
aquilo a que chamamos Natureza,
mesmo no que possa ter de humano.

Preferi ficar em Copenhaga e passear
logo de manhã pelos lagos, na
companhia de Vilhelm, que por uma vez
condescendeu. Vimos - além de cisnes,
patos e pardais - aqueles graciosos e ridículos
pássaros azuis cujo nome desconhecemos
ambos. Saltitam, voam mal e grasnam ainda pior.

Pergunto-me às vezes se a arte, o futuro
que dela nos é lícito imaginar, não será
uma coisa assim, uma cáustica despedida
do real que constitui, para Heinrich,
um valor supremo. Mas seria indelicado,
da minha parte, colocar essa questão a Vilhelm.
Já foi violência bastante tê-lo obrigado a este passeio.

De resto, ele nunca se interessou por animais.
A não ser, claro, por aquele a que chamamos
homem. Onde eu via pousar uma ave, ele via
apenas uma árvore, a irrepetível configuração
das sombras que a envolvem e é a imagem
mesma de tudo o que se perde numa
manhã de Agosto, ou durante a vida inteira.

Talvez seja por isso que se obstina
em pintar mulheres sem rosto
salas desertas e lições de trevas, portas
tão fechadas como os dias. Não me surpreendeu
que recusasse tomar um chá connosco
na próxima semana e mostrar-nos os seus últimos
trabalhos, que Heinrich moderadamente apreciaria.

Tentei desaconselhá-lo de pintar interiores
estéreis, quase previsíveis. «A melancolia,
caro Vilhelm, é um vício plebeu, um disparate».
Só quando nos despedimos percebi que a vida
de que lhe falava tinha, para ele, a espessura
exacta da morte, das portas tão fechadas como os dias.


in Brynt Kobolt , pp31
Ed.AVERNO, Lisboa, 2008

DSC_0016B.JPG

Publicado por pilantra às 10:48 AM | Comentários (1)

outubro 11, 2008



Poema em linha recta


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Fernando Pessoa, via Álvaro de Campos

F Pessoa10 - João Roth.gif, segundo João Roth

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setembro 21, 2008

VOLTA AO MUNDO





1.

Voltemos a isto, ao cálculo dos danos
na máquina do mundo, à impotência do riso
contra tudo o que não sabemos mudar:
a morte, o egoísmo, o levadiço coração
humano. Porque não há mais nada ( ok,
há o amor - vai-te foder ) e nos negócios
da razão o pessimismo é a moeda
do momento. Regressemos ao ruído,
à sombria comissão liquidatária
desta fábrica de trapos coloridos.
Se não há melhor emprego para a culpa
e os domingos custam dias a passar.

José Miguel Silva

Telhados de Vidro, 10, Maio 2008, pp.23
Edição AVERNO

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setembro 19, 2008

ESTUDO DO VISÍVEL

Quando finalmente cheguei, ninguém
me esperava, apesar de todas as promessas
e da necessidade de constatar que falaríamos.
daí em diante, um idioma comum.
Mas ao menos deixaram-me um manual de instruções.

Amanhã haverá mercado, podes dar
uma volta e conseguir livros baratos, não
há muito para ler, basta-nos que venhas
todos os dias e consumas qualquer coisa
na cantina enquanto te lembras de um
episódio divertido da tua adolescência
ou começas a inventar um futuro que não terá,
devo avisar-te disso, nada a ver. Nos dias
soalheiros, três ou quatro anos depois,
sairiamos para olharmos do terraço, com
as taças quentes nas mãos, suspendendo
por uns instantes o desejo de estar
noutra cidade.

Mariano Peyrou
Trad. Manuel de Freitas

Telhados de Vidro, 10, Maio 2008, pp.63

Edição AVERNO

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setembro 18, 2008

Frederico Garcia Lorca



Finalmente vai ser reposta historica e oficialmente a verdade sobre o assassínio de Lorca, e dos seus três companheiros de infortunio, pelos fascistas de Franco!
A família Lorca e a sua fundação cedem à exigência dos familiares dos outros sacrificados e autorizam a exumação dos restos mortais do poeta.

Hoje, na primeira página do El País:

Lugar_encuentran_restos_Garcia_Lorca.jpg
Este é o lugar onde se encontram os restos mortais de Lorca

hombres_fusilados_Garcia_Lorca.jpg
Estes, os seus últimos companheiros:
Dióscoro Galindo González - professor, activista da democratização do ensino, republicano
Francisco Galadí Melgar - bandarilheiro, militante anarquista, sindicalista e combatente republicano
Joaquín Arcollas Cabezas - bandarilheiro, militante anarquista, sindicalista e combatente republicano

Informação completa no El País:

«El maestro cojo y los banderilleros», aqui

"No impediremos exhumar los restos de Federico, aunque no nos gustaría", aqui

Federico_Garcia_Lorca.jpg

Romance Sonâmbulo (excerto)

Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra pela cintura
ela sonha na varanda,
verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Por sob a lua gitana,
as coisas estão mirando-a
e ela não pode mirá-las.

Verde que te quero verde.
Grandes estrelas de escarcha
nascem com o peixe de sombra
que rasga o caminho da alva.
A figueira raspa o vento
a lixá-lo com as ramas,
e o monte, gato selvagem,
eriça as piteiras ásperas.

Mas quem virá? E por onde?...
[...]

Llanto por Ignacio Sánchez Mejías

A las cinco de la tarde.
Eran las cinco en punto de la tarde.
Un niño trajo la blanca sábana
a las cinco de la tarde.
Una espuerta de cal ya prevenida
a las cinco de la tarde.
Lo demás era muerte y sólo muerte
a las cinco de la tarde.

El viento se llevó los algodones
a las cinco de la tarde.
Y el óxido sembró cristal y níquel
a las cinco de la tarde.
Ya luchan la paloma y el leopardo
a las cinco de la tarde.
Y un muslo con un asta desolada
a las cinco de la tarde.
Comenzaron los sones de bordón
a las cinco de la tarde.
Las campanas de arsénico y el humo
a las cinco de la tarde.
En las esquinas grupos de silencio
a las cinco de la tarde.
¡Y el toro solo corazón arriba!
a las cinco de la tarde.
Cuando el sudor de nieve fue llegando
a las cinco de la tarde
cuando la plaza se cubrió de yodo
a las cinco de la tarde,
la muerte puso huevos en la herida
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
A las cinco en Punto de la tarde.

Un ataúd con ruedas es la cama
a las cinco de la tarde.
Huesos y flautas suenan en su oído
a las cinco de la tarde.
El toro ya mugía por su frente
a las cinco de la tarde.
El cuarto se irisaba de agonía
a las cinco de la tarde.
A lo lejos ya viene la gangrena
a las cinco de la tarde.
Trompa de lirio por las verdes ingles
a las cinco de la tarde.
Las heridas quemaban como soles
a las cinco de la tarde,
y el gentío rompía las ventanas
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
¡Ay, qué terribles cinco de la tarde!
¡Eran las cinco en todos los relojes!
¡Eran las cinco en sombra de la tarde!


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Federico García Lorca, 1935

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setembro 15, 2008

et pur...


In Memorian

Esses mortos difíceis
Que não acabam de morrer
Dentro de nós; o sorriso
De fotografia,
A carícia suspensa, as folhas
Dos estios persistindo
Na poeira; difíceis;
O suor dos cavalos, o sorriso,
Como já disse, nos lábios,
Nas folhas dos livros;
Não acabam de morrer;
Tão difíceis, os amigos

Eugénio de Andrade

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setembro 12, 2008

... e por que não?



Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Talvez consumirá a luz de Janeiro
seu raio cruel meu coração inteiro
roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu me morro
e morrerei de amor porque te quero
porque te quero amor,
a sangue e fogo.

Pablo Neruda

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agosto 12, 2008

Judith Herzberg (II)



O MAR

Ouve-se o mar
tapando as orelhas com as mãos
dentro de um búzio
num boião de mostarda,
ou à beira mar.


CANTIGA

Não me mintas por favor
sobre algo grandioso nem outra
coisa qualquer. Prefiro ouvir
de ti as piores criticas do que
mentiras que são piores ainda.

Não me mintas sobre o amor
sobre algo que sentes ou algo
que gostarias de sentir. Prefiro
ficar triste do que ouvir as tuas
mentiras que são mais tristes ainda.

Não me mintas sobre o perigo
porque sinto bem o teu medo
e aquilo que percebo é verdade
ou então não te conheço
o que é mais perigoso ainda.

Não me mintas sobre a doença
prefiro enfrentar o precipício
do que perder-me numa só
das tuas mentiras piedosas
porque a queda será maior ainda.

Não me mintas sobre a morte
porque enquanto estivermos por cá
o teu modo de excluir-me,
de não dizer o que pensas,
é pior e mais morte ainda.


TODAS AS MANHÃS

Todas as manhãs, entre o enfiar
do sapato esquerdo e do sapato direito
ele vê a vida desfilar-lhe diante dos olhos.
Por vezes só a custo consegue
calçar o sapato direito.


SENTIMENTAL

Sentados no carro numa fila,
com o rádio ligado, gases de escape
e música, uma canção ele diz
que acha bonita, sobre
violinos em fogo e uma dança que continua
até ao fim do amor.
Não pela canção mas pelo que ele diz
ela não consegue olhá-lo.
Agora há no carro uma coisa a mais:
música e gases de escape e embaraço.
Embaraço porque a dança
até ao fim do amor dura tempo de mais,
entra demais no passado
e no futuro, a alma
salta-lhe do peito, de repente tão desamparada,
ela diz apenas: «Sentimental».
Sim, diz ele, sentimental.
Ela nunca saberá se ele sabe
como ela sentiu essa palavra.
Ele nunca saberá o que ela
entendeu, até que ponto,
ela nunca saberá que ele
entendeu que ela entendeu
o que o transiu de repente, só se
alguém, talvez um historiador,
reconstituir mais tarde exactamente o que sentiam
as pessoas com rádios a tocar nas filas.


(Trad. de Ana Maria Carvalho)

O que resta do dia , Ed.Cavalo de Ferro.
Lisboa, Janeiro 2008

Publicado por pilantra às 09:29 PM | Comentários (1)

agosto 10, 2008

GRISALHA CABELO A CABELO



Estranhei o primeiro. Mandei-o para Londres,
mas o meu amor não o descobriu na carta em que o metera,
e assim caiu logo ao chão
onde ninguem mais o encontraria. Have one of mine,
ofereceu uma senhora idosa, mas
nessa altura ele só queria o meu cabelo.

O segundo descobriu-o o cabeleireiro.
A senhora quer que o deixe ficar ou prefere
que eu lho arranque. Que ele tenha dito «a senhora»
já achei esquisito, arranque-o lá disse-lhe mas
vi logo que, filosoficamente, não estava certo,
e decidi ter mais juízo
quando me aparecesse o terceiro.

O terceiro apareceu realmente, não o esperava.
Ainda o cobri com um tom arruivado
mas J. não gostou nada e
lá sabia porquê, porque
ainda há pouco estivera à beira da morte,
e assim com o quarto e o quinto
resolvi conformar-me.

Agora tenho cem e isso abre-me
portas. Para cabeças tão grisalhas
como a minha ou não, para linhas
que ainda podem desaparecer quase todas.
Sinto afinidades com rostos indefinidos,
totalmente áridos que pensam saber já tudo,
mas ainda se iluminam, ilusionistas,
sem rugas. Les absents ont tort,
quem pinta o cabelo nem sabe o que perde.

Judith Herzberg

Trad. de Ana Maria Carvalho

«O que resta do dia», edição Cavalo de Ferro.

Publicado por pilantra às 06:25 PM | Comentários (18)

julho 25, 2008

Penélope escreve



É mais que certo: não sinto a tua falta.
Fiquei a tarde toda a arrumar os teus papéis,
a reler as cinco cartas que me foste endereçando
na semana que perdemos: tu no Alentejo,
eu debaixo de água. Fui depois regar as rosas
que deixaste no quintal. Sempre só e sem
carpir o meu estado (porque não me fazes falta),
pus o disco da Chavela que me deste no Natal
e comecei a preparar o teu prato preferido.
Cozinhar fez-me perder o apetite; por isso
abri uma garrafa de maduro e não me custa
confessar-te que não sinto a tua falta.
Por volta das dez horas, obriguei-me a recusar
dois convites para sair (aleguei androfobia)
e estou neste momento a recortar a tua imagem
(não me fazes falta) nas fotos que possuo de nós dois,
de maneira a castigar com o cesto dos papéis
a inábil idiota que deixou que tu te fosses.


José Miguel Silva

Melides_Lagoa 1.JPG

Publicado por pilantra às 01:16 AM | Comentários (3)

julho 16, 2008

Mulheres de Klint



klimt_music1.jpg
Klimt, Gustav, Music I, 1895
Oil on canvas; 37 x 45 cm.
Neue Pinakothek, Munich

klimt_mermaids.jpg
Klimt, Gustav; Mermaids (Whitefish); c. 1899.
Oil on canvas, 82 x 52 cm.
Zentralsparkasse, Vienna

klimt_veritas.jpg
Klimt, Gustav, Nude Veritas,1899.
Oil on canvas, 252 x 56 cm, .
Theatre Collection of the National Library, Vienna

judith_i -Klint.jpg
Klimt, Gustav ; Judith I; 1901
Oil on canvas, 60 1/4 x 52 3/8 in. (153 x 133 cm)
Osterreichische Galerie, Vienna

emilie_floge -Klint.jpg
Klimt, Gustav; Portrait of Emilie Floge;1902.
Oil on canvas; 71 1/4 x 26 1/8 in. (181 x 66.5 cm).
Historisches Museum der Stadt Wien, Vienna

klimt_hope1.jpg
Klimt, Gustav ; Hope I; 1903.
Oil on canvas; 189 x 67 cm.
National Gallery of Canada, Ottawa

klimt_3ages_of_woman.jpg
Klimt, Gustav; The Three Ages of Woman:;1905.
Oil on canvas; 178 x 198 cm.
Galleria Nazionale d'Arte Moderna, Rome

klimt_riedler.jpg
Klimt, Gustav; Portrait of Fritza Riedler; 1906.
Oil on canvas; 153 x 133 cm.
Austrian Gallery, Vienna

klimt_hygeia.jpg
Klimt, Gustav; Hygeia - Detail from "Medicine"; 1907.
Oil on canvas ; 430 x 300 cm.
Destroyed by fire at Immendorf Palace, 1945 .

klimt_bloch-bauer1.jpg
Klimt, Gustav; Portrait of Adele Bloch-Bauer I ; 1907.
Oil and gold on canvas; 138 x 138 cm.
Private collection

klimt_hope2.jpg
Klimt, Gustav; Hope II;1907/08 ;
Oil and gold on canvas: 110 x 110 cm;
The Museum of Modern Art, New York

danae - Klint.jpg
Klimt, Gustav; Danae; 1907-08.
Oil on canvas; 77 x 83 cm;
Private collection, Graz .

klimt_judith2.jpg
Klimt, Gustav ; Judith II ; 1909
Oil on canvas ;178 x 46 cm
Galleria d'Arte Moderne, Venice .

klimt_primavesi Mada.jpg
Klimt, Gustav: Portrait of Mada Primavesi ; c. 1912
Oil on canvas ; 150 x 101.5 cm
Metropolitan Museum of Art, New York

klimt_eugenia primavesi.jpg
Klimt, Gustav; Portrait of Eugenia Primavesi ;c. 1913-14.
Oil on canvas ;140 x 84 cm.
Private collection

klimt_death_life.jpg
Klimt, Gustav; Death and Life ;1916.
Oil on canvas; 178 x 198 cm.
Private collection, Vienna .


Publicado por pilantra às 10:18 PM | Comentários (3)

julho 13, 2008



cama douro 2.JPG

Ladrões de bicicletas - Vittorio de Sica (1948)


Mil quilómetros por dia pedalava meu pai, desde
a cama junto ao Douro até à próspera Cerâmica
de Valadares. Se qualquer homem recebe,
à nascença, uns sessenta inimigos por hora,
imaginem a jornada de um operário ciclista.
Tudo são despesas para ele: o rosário de geada
nas giestas, o jornal atropelado pelo vento, o verdor
da Primavera, a poalha do suor em cada mão.

Meu pai, é claro, não se queixa, ganha um conto
de réis, tem uma casa portuguesa e grandes sonhos
de amanhãs a gasolina. Pelo menos não trabalho
em nenhum matadouro, pensa ele, e com razão,
erguido nos pedais do seu veículo de sombra,
solitário trepador pela encosta de Avintes. Não
trabalha em nenhum matadouro. E nesse reconforto
passa a Quinta dos Frades, alcança o Freixieiro,
sente já o rumor de fumacentos camiões na nacional.


José Miguel Silva

água 1.JPG
(fotos samartaime, 2008)

Publicado por pilantra às 01:35 AM | Comentários (2)

julho 10, 2008




neste bar

bebe-se... pintura!




Publicado por pilantra às 10:17 PM | Comentários (5)

julho 06, 2008


quando as serpentes regatearem o direito a colear
e o sol fizer greve para ganhar o salário mínimo -
quando os espinhos olharem as suas rosas alarmados
e os arco-íris estiverem seguros contra a velhice

quando um tordo não puder cantar nenhuma lua nova
se todas as corujas não tiverem aprovado a sua voz
- e qualquer onda assinar sobre a linha ponteada
senão um oceano é obrigado a fechar

quando o carvalho pedir licença à bétula
para criar uma borboleta - os vales acusarem as suas
montanhas de terem altitude - e março
denunciar abril por sabotagem

então acreditaremos nessa íncrível
humanidade inanimal ( e não antes)

e.e. cummings

Trad. Jorge Fazenda Lourenço


Pedra Dour 1.JPG
(foto «samartaime»)

Publicado por pilantra às 05:44 PM | Comentários (2)

julho 03, 2008

A Dr.ª Ferreira Leite e os homossexuais


Disse a Dr.ª Ferreira Leite na TV - e o Público, qual espadilha, confirma - ,
que não tem nada contra a homossexualidade. Entendo-a: como qualquer tecnocrata foi clara, eficiente e banal.

No seguimento do seu raciocínio e já um tanto agastada pelo peso do esforço de entendimento, adiantou a Dr.ª Ferreira Leite que, no entanto, é contra o casamento legal entre homossexuais.
Aqui, baralhei-me.

A Dr.ª Ferreira Leite defende, implicitamente, dois tipos de casamento: o legal e o ilegal. E é aqui que a porca torce o rabo: não entendo essa figura do casamento ilegal. Sempre pensei que o casamento ou era ou não era. O casamento ilegal é que não entendo mesmo: lá vou ter de esperar que o Pacheco Pereira troque em miúdos essa complexidade inóspita!

A Dr.ª Ferreira Leite mais uma vez me azedou o leite sem que lhe veja utilidade.
Querem ver que eu, que sou contra o casamento, que vivo há 30 e tal anos com a mesma pessoa, não querem lá ver que, calhando, não só estou casada contra a minha vontade como ninguém se lembrou de me participar o tal do meu casamento e, ainda por cima, só 30 anos depois, qual Conde de Monte-Cristo do matrimónio, sei que estou num casamento ilegal?
E isso dá direito a quê?
A prisão preventiva?
A cadeia?
A pulseira electrónica?

A estrela amarela ao peito?


A cruz roxa na testa?


Não contente, a Dr.ª Ferreira Leite com receio de não ter sido suficientemente explícita esclareceu «que não se pode dar o mesmo estatuto» - aos homossexuais, evidentemente.

Que nisto do estatuto é que reside o busílis do desempenho ou não do papel – sociologicamente falando;
e, muito paralela e popularmente dito, de ter ou não ter papel passado - civilmente falando.


No Teatro, o faz de conta da vida, o problema não se põe: qualquer homossexual pode, com toda a dignidade, representar o papel de casado e dar um enxurro de porrada na mulher que nem a ASAE se alarma.
Mas podemos muito bem à saída ouvir comentários do tipo: «Viste como o cabrão do maricas fez aquilo bem?».
Estes comentadores são os seus companheiros de ocasião, Dr.ª Ferreira Leite.
Esperava melhor da sua capacidade.

Na Vida a homossexualidade existe, simplesmente.
E os «actos que definem socialmente a homossexualidade» são ainda mais comuns e correntes do que os tecnocratas e burocratas da moral vigente sempre pretenderam e pretendem fazer crer.

Olhe à sua volta, olhe os seus pares, olhe o seu povo.
Não lhes olhe as carteiras: olhe-lhes «as cadeiras».

E quando, desassombradamente embora, voltar a assumir que pretende discriminar os homossexuais unicamente pela sua diferença, lembre-se que é concorrente a um lugar político.
E que mesmo eu, que não gosto do político José Sócrates, votaria nele contra si.



Publicado por pilantra às 02:36 PM | Comentários (0)

junho 17, 2008

O BARCO ESTÁ A REGRESSAR A CASA



Finalmente o barco está a regressar a casa.
O mestre tenta ler mas sonha com a casa.
O velho homem das luzes dorme, o motor ruge:
Casa. As luzes estão dispostas para iluminar-nos do passado
Até um futuro próximo e sem mistério como este mastro,
Cuja dimensão conhecemos e o seu finito sonho.
Paciente ferro! Mas, para lá do mastro maior, eis a
Muda escuridão, ou as cintilantes constelações
À deriva nun oceano branco de dúvidas.
Talvez este vagabundo caminhe para um futuro
Que atingr menos o oceano do que o ódio
No pensamento dos marinheiros. Essa estrela é a amargura
Entre as estrelas do amor? Este cargueiro é a eternidade?
Para onde vamos? Que a vida nos salve.

Malcolm Lowry

Trad. de José Agostinho Baptista

navio 023.JPG
(foto «samartaime»)

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junho 07, 2008

NÃO HÁ POESIA QUANDO VIVES LÁ





Não há poesia quando vives lá.
Essas pedras são tuas, esses ruídos são o teu pensamento,
Os atroadores eléctricos de ferro e as ruas que te prendem
Ao bar sonhado onde o desespero se senta
São electricos e ruas: a poesia está noutro lugar.
As fachadas do cinema e as lojas há muito abandonadas
E choradas, já não são choradas. Estranhamente cruéis
Parecem todos os marcos da terra de aqui e agora.


Mas vai a caminho da Nova Zelândia ou do Pólo,
E essas pedras florescerão e os ruidos hão de cantar.
E os eléctricos seduzirão a criança adormecida
Que nunca descansa, cujo barco sempre navegará,
Que nunca poderá voltar a casa, mas deverá trazer
Estranhos troféus a Tróia, e a todos os ermos!

Malcolm Lowry

Trad.J.A.Baptista

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maio 30, 2008

Ilha dos Amores.JPG
samartaime, «A Ilha dos Amores», óleo s/tela (116X89), 1998.(Colec.Particular)





À sua passagem a noite é vermelha,
E a vida que temos parece
Exausta, inútil, alheia.

Ninguém sabe onde vai nem donde vem,
Mas o eco dos seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.

Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.

Sophia de Mello Breyner Andresen

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março 11, 2008

A propósito de mais um novo pensionista




Aos 50 anos de idade e com 20 anos de descontos como deputado, o sr. M. M. acaba de requerer a Pensão a que tem direito, no valor mensal vitalício de 2.905 euros mensais.

Contudo, um trabalhador normal tem de trabalhar até aos 65 anos e ter uma carreira contributiva completa durante 40 anos para obter uma reforma de 80% da remuneração média da sua carreira contributiva.
Tudo bem: é só mais um deputado a receber aquilo que ele legislou e a lei estipula - muitos foram antes e muitos virão depois.

E muitos mereciam mais e muitos outros menos. É tudo uma questão de avaliação do trabalho desempenhado embora, no presente caso dos deputados, só de quatro em quatro anos sejam avaliados.

Porém, os deputados não são efectivamente avaliados por aqueles por quem dizem ser «avaliados» de quatro em quatro anos e de quem dizem ser os «representantes» e que adoram invocar: «os utentes da deputação».

Na realidade, os deputados são nomeados pelos partiditos dos Partidos, por avaliação a olhómetro já que gravatas, falas mansas, óculos de aros de tartaruga ou de ouro ou de pêlo de elefante, mais algum desembaraço na leitura dos papéis nada significam sobre o saber, a experiência, a perseverança, a honestidade e a habilidade.

E se estes elementos e as suas múltiplas e inesgotáveis alíneas não forem rigorosa e metafisicamente cumpridas, podemos então dizer que os deputados não são, de todo, avaliados. Que se trata, politicamente falando, de uma corporação que usufrui de progressão automática na carreira e, ainda por cima, de ocasião.

Aliás, só assim se entende que todo o funcionalismo público tenha chegado onde chegou sem alguma vez na vida ter sido avaliado. E muito à pressa aqui declaro que toda a excepção a esta regra pontua no caso dos meretíssimos, por causa da separação dos poderes.

Mas, voltando à dita: e de gente sem avaliação, o que espera a nação?
Que fale de excelência, evidentemente: a cada um o sonho americano ou chinês ou russo que merece, ainda que lhe falte o espaço para o passo.

A coerência da Nação é discutida, ajustada e legislada na Assembleia da República - que, por sua vez, é constituída não pelo imóvel e respectivos móveis, mas pelo conjunto dos deputados. E daí saem governos, gestores públicos e privados, and so on: simplex a corte.

A culpa da coerência centrifuga existente na Nação, esta pesada culpa é, sim e sem dúvida, dos professores.
Que perderam a oportunidade única de os chumbarem a todos logo na quarta classe e para todo o sempre.

Bem sei que há canudos por fax, cartas de condução por clonagem, seguros faz-de-conta e economia paralela tirando a paralelipipédica. Mas isso, como se sabe, não consta que sejam funções públicas pelo que as equivalências são mais privadas e encolarinhadas.

Mas ainda há salvação: mandem Maria de Lurdes Rodrigues reformar a Assembleia da República e vão ver como aquilo se embrulha tudo e estacionam, angustiados, em cima da passagem dos peões - para variar.


Publicado por pilantra às 02:31 PM | Comentários (1)

fevereiro 19, 2008

Entrevistas e entre vistas



A prosódia do sr. José Sócrates esteve consoante e consonante. E silabada, como devia.
Afinadinha e engravatadinha como muitas de ontem e umas tantas de amanhã.
Disse o costume. Nem pio sobre a Justiçam mas algumas juras:

juro que não sabia de nada do BCP;
juro que a ministra da educação é educada;
juro que o ministro da saúde mudou.

Fiquei com a «economia internacional» a bailar-me na cabeça: estás ou não estás já em Espanha, ó crise?
Nada. Os irmãos não se escolhem: aturam-se.

A Europa está óptima e sem questões. Bravo!
Não há como os ares de Lisboa para recompor a saúde!

Quanto ao estigma eleitoral, o congresso do PS dirá.

Franzo o nariz e olho para o lado.
Vejo o duo Santana & Meneses - ai credo!

E digam lá se há melhor coisa que o fado!

Publicado por pilantra às 04:13 PM | Comentários (1)

fevereiro 04, 2008

Vivo num país surrealista enfeitado com máscaras de Veneza



O sr. Alípio Ribeiro disse na TV que houve precipitação na Judiciária relativamente ao «caso Maddie».

Mas Alípio Ribeiro não é o nome do Director Nacional da Judiciária? Há outro com o mesmo nome?!

Valha-me o inefável santo ambrósio mais a imarcescível corte celestial!


Olga Gouveia_mundo gigantes.jpg
Foto de OLGA GOUVEIA, «Fragmentos urbanos»/ O Mundo é dos Gigantes.

Publicado por pilantra às 03:53 PM | Comentários (1)

janeiro 31, 2008

Continuam as fortes novidades!

Vi e ouvi na TV

o sr. Ramos Horta, muito desembaraçado,

a propor o sr. Durão Barroso

para candidato ao Prémio Nobel da Paz 2008.

Brilhante!

Desde a última aparição do sr. Meneses que eu não achava tanta graça a uma ideia carnavalesca!

Publicado por pilantra às 08:24 PM | Comentários (3)

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(Foto Ira Bordo)

Publicado por pilantra às 08:19 PM | Comentários (0)

MINISTÉRIO DA CULTURA
Gabinete da Ministra
Despacho n.º 1156/2008

Nos termos e ao abrigo do disposto no artigo 6º do Decreto -Lei
n.º 164/2006, de 9 de Agosto, conjugados com o disposto na alínea a)
do artigo 6º dos Estatutos da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea
— Colecção Berardo, aprovados pelo mesmo diploma, determino:
1 — Que o Fundo de Fomento Cultural atribua à Fundação Colecção
Berardo a quantia de 500 000,00 € (quinhentos mil euros) correspondente
à prestação devida durante
o mês de Setembro de 2007.
2 — O presente despacho produz efeitos a partir de 1 de Setembro
2007 e revoga o meu anterior despacho n.º 28/MC/2007, de 31 de Agosto
de 2007.
12 de Dezembro de 2007. — A Ministra da Cultura, Maria Isabel da
Silva Pires de Lima.

Publicado por pilantra às 08:13 PM | Comentários (0)

janeiro 29, 2008

Boa!

Sai a baby, entra o administrador do mister!



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(foto Ira Bordo)

Publicado por pilantra às 11:13 PM | Comentários (1)

Forte novidade!

Os políticos portugueses do costume acabam de cair das nuvens: afinal Portugal foi conivente no caso dos inexistentes aviões da CIA que não andaram pelo mundo arrebanhando suspeitos fabricados à pressão!

Fico à espera dos novos nomes que chamarão a Ana Gomes!




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Misha Gordin, «The new crowd» (crowd57); 2001-2002.

Publicado por pilantra às 11:08 AM | Comentários (3)

janeiro 12, 2008

E digam lá que sou eu que tenho mau feitio!...

Nós por cá ... e o desembaraço da Zara!

Quem é que deu autorização?

Publicado por pilantra às 07:46 PM | Comentários (3)

janeiro 11, 2008

Os pesados e os pesos

Diz o nosso primeiro que a Europa precisa de força.
Eu também achava que ela anda um bocado anoréxica, de modo que me inscrevi logo no voluntariado da união faz a força.
Precipitei-me.
Pensava eu que eramos precisos muitos para dar força à Europa. Mas não: quantos menos melhor!
É que uns duzentos deputados são muito mais pesados do que o peso de uns quaisquer milhões de portugas de olho incandescente e lúbrico nas carnes e dinheiros da rica Europa!

Tem razão, o nosso primeiro.
Já viram o que seria a cambada de desempregados, velhos, polícias, famélicos, professores, funcionários e outros foliões sem futuro a trocarem os pés pelas mão e a julgarem que estavam a votar no nosso primeiro?
E tudo isto sem se poder fumar nem uma beatinha?

Queres abébias? Vai ao quiosque!

Publicado por pilantra às 08:39 PM | Comentários (0)

janeiro 09, 2008

Boas Saídas, Melhores Entradas!

Primeiro, proibiram a colher de pau - a melhor arma de batuque de todos os tempos.

Depois, proibiram a bola de berlim em pelota - por suscitar pensamentos pecaminosos na praia.

Depois, encamisaram o queque, embalaram o pastel de nata - por causa das bactérias desgovernadas.

Depois, trataram-nos da saúde e mandaram-nos mudar de ares - vamos de ambulância, voltamos a pé para enrijar as pernas.

Depois, descobriram que afinal era o fumo do tabaco - e festejaram a descoberta com fogo de artifício para tapar o fumo dos automóveis ligeiros e pesados, das fábricas e fabriquetas, dos aviões et certera e tal, pardais ao ninho quietos e calados.

Agora pagam os aumentos das pensões de velhice a prestações - não vão os velhos atirarem-se ao desvario de delapidarem a poupança de cinco cêntimos por século.

Quando será que nos proibem de votar??
É já a seguir no cozinhado parlamentaresco do «Tratado de Lisboa» - vai uma apostinha de cinco cêntimos?

Publicado por pilantra às 12:10 AM | Comentários (1)