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junho 12, 2009
Ind'agora me livrei do Vital mai do Rangel
... e já hoje acordei estarrecida: agora é a mãe do Sócrates que tem uma ligação ófe chóre com a máfia italiana!
Ai cruzes credo! Vão ver que é com a propriamente máfia de palermo, a do gato pardo!
E levantei-me e fui, cada pé mais leve que o pé antecedente, espreitar debaixo do tapete da porta da rua a ver se haveria ameaça de morte - todo o mundo sabe que embirro com o Sócrates da tv à maratona, de segunda a domingo, dias santos e laicos.
Ou, ó deusas das felizes alternativas nunca minhas!, se haveria envelope gordo a comprar-me o silêncio, o que me daria muito mais jeito - à bolsa e à vida.
Mas não: debaixo do tapete, só lixo. Um claro, legítimo e honesto lixo.
O que me desagradou principescamente, pois lá vou ter de ser eu a mafiar e a zaragatoar o pessoal limpante e nunca se sabe, nestas coisas, quem mete o pé na porca da água do balde, debalde.
Resumindo, eis que aqui jazo, qual dama das camélias sem tísica, molemente lânguida e balançando o sapato na ponta do dedão do pé, sem saber à cabeça de quem o atire. O problema não é propriamente a eleição da cabeça destinatária.
O problema é que não tenho sapatos suficientes para a cobertura da espanejante oferta do mercado cabeçoso.
Somos um país excedentário. Nascemos para exceder.
Alguns, sem imaginação, chamam-nos periféricos. Mas não é verdade. Nós é que, sabidos, nos excedentámos para a última das praias possível. E se não nos deitámos logo ao mar em busca de praia mais longínqua foi só porque, ao tempo, a culta e desenvolta Europa ainda não tinha descoberto as piscinas aquecidas onde nos obrigassem a aprender a nadar.
Valha a verdade, mui véri indide, também a douta Rodrigues ainda não era ministra da praeclara (leia-se preclara) robotic-enducaixeine fór andicapados gáis ende dóles. ó iééé! Pice, mén! (Pice de paz e não de mijar, ó franciús!)
E no entanto, antes da douta Rodrigues, já estiveram naquele sacrossanto ministério Roberto Carneiro, Marçal Grilo, Augusto Santos Silva, Oliveira Martins e até Ana Benavente, embora em segunda linha. Enfim, tudo gente parva que não fez nada, não deu por nada, não sabe nada, todos a soldo dos comunistas - principalmente Roberto Carneiro e o alegre Justino - não fora aparecer a salvação da pátria: a douta Rodrigues e sus muchachos Valter & Pedreira, correlativos & afins. Sursum corda!
Com o olho nas eleições «p'rá Europa» todos põem o olhómetro a funcionar consoante corre o dinheiro, e vai daí
excedemo-nos em sondagens, trocando médias por medianas, distribuindo variâncias por alcatruzes, achando variáveis nas invariáveis. Principalmente, escondendo vivos e usando redes de malha muito larga para que a ninguém se impedisse a fuga.
O Dr. Cavaco, já em desespero de causa, prega a moralidade. Mas como bom português que é, excede-se
e pregou que mantinha a sua estimada e alta confiança no seu amigo e leal conselheiro Dias Loureiro, em tudo igual aos demais - e nem Loureiro saltou da cadeirinha nem algunzinho dos outros se indignou com a companhia e se demitiu!
E lamentou-se publicamente das suas parcas poupanças abaladas com investimentos inopinadamente sumidos na bolha - ele, o insigne e casto financeiro.
E foi a Santarém louvar a sua raça. À Santarém da Joaninha dos olhos verdes, das portas do Sol e de Salgueiro Maia. Saberia ele ao que ia?
E, aproveitando a estada e esquecido que deferiu a dois pides pensões por «serviços relevantes prestados ao país» na mesma hora em que a recusou a Salgueiro Maia, - ainda tem o desplante de, ao abrigo da sua capa de Presidente da República, deitar uma coroa de flores aos pés da estátua de Salgueiro Maia!
Ite. missa est!
Nas eleições «para a Europa», excedemo-nos na abstenção, nos nulos e nos brancos, mudámos desta cruz para aquela cruz - que o vira, o corridinho mais a chula e o baile mandado estão-nos geneticamente nas excedências - e isso que conta? Nadissimamente, que quem conta um conto... excede-lhe outro conto.
Somos, tranquilamente, excedentários da nação. E que outra forma haverá de ser essa de excedentário?
E mais não digo, que ficaria a Drª Manuela a saber tanto como eu e nessa não caio. Não sou jornalista, não tenho de andar à cacha.
Tenham os amigos um bom dum samartaime, cuidado com os galinhos da Índia e que não vos pese o outono.
Publicado por pilantra às junho 12, 2009 09:45 AM
Comentários
os maus tempos políticos têm disto: boas escritas!
chapeau
Publicado por: Anonymous às junho 13, 2009 06:28 PM
o interessante é que não se excedeu em nada, contráriamente ao que seria de esperar, já que, se não me engano, também a menina Pilantra tem a Lusofonia inscrita no seu ADN! :D
ó iééé! Pice, mén!
Publicado por: Da Aldeia às junho 16, 2009 12:34 PM
Não é gay, é mesmo o calão americano guy e doll gajo e gaja,chavalos & chavalas - se preferir. E é uma referência à critica de José Gil ao modelo educativo (estatutos e avaliação) imposto por Sócrates e Rodrigues, «que tende a criar gente amorfa e descaracterizada, mais de acordo com o Admirável Mundo Novo do Huxley do que o progresso educativo e democrático apregoada pelo governo»(*) - e que todos têm de comer por sacrossanto, tipo governo dixit, imprimatur.
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(*) resumo de cor.
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Mas claro que tenho a lusofonia no ADN!... Até a Drª Ferreira Leite o sabe! rsrsrsrs
Tem tido azar no que tem lido aqui e no abracadabra.
Mas é verdade que sofro de ataques de fartura e de silêncio. Deve ser a tradição judaico-cristã dos retiros espirituais!
Abraço!
Publicado por: pilantra às junho 16, 2009 04:38 PM