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março 08, 2009

Dia Internacional da Mulher



Cassandra Rios


CassandraRios2.jpg
São Paulo,1932 - 2002, São Paulo


«O anjo pornográfico sai de cena»

Sexta-feira, dia 8 de março de 2002, dia internacional da mulher, morreu a mais polêmica escritora brasileira: Cassandra Rios. Ela publicou seu primeiro livro aos 16 anos, com a ajuda de sua própria mãe. Um detalhe: quando morreu, a mãe jamais havia lido um livro da filha, a pedido desta. O motivo: os livros eram muito picantes, a maior parte deles repleto de lesbianismo.
Filha de espanhóis, nascida e criada no bairro paulistano de Perdizes, Cassandra Rios se chamava, na verdade, Odete. Assinava seus livros sob pseudônimo por motivos óbvios, que o tempo comprovou: Cassandra teve, ao longo de sua carreira, 36 dos seus livros proibidos pela censura do regime militar. Não bastou ser a maior vendedora de livros do país, com recordes de 300.000 cópias vendidas, número surpreendente para os anos 60: Cassandra foi perseguida pela esquerda e pela direita, tachada de pervertida pelos defensores da moral e acusada de conservadorismo pelos que lutavam contra a ditadura. Primeira escritora a desfrutar de uma popularidade que a fazia convidada de todos programas de tv, comparecia também de smoking em festas, recebida pelos governadores da época. Foi pop e cult ao mesmo tempo. Depois de chamar a atenção de todo o país durante os anos 60 e 70, resolveu retirar-se de cena. Tornou-se messiânica e conseguiu reencontrar Odete, sem matar Cassandra.

texto de Vange Leonel

Biografia de Cassandra Rios aqui

Cassandra Rios - Bibliografia (muito incompleta)

Cassandra Rios - Poesia

cassandra rios.jpg

Publicado por pilantra às março 8, 2009 10:30 AM

Comentários

Tenho livros da Cassandra Rios ainda comprados "por baixo do balcão" :-)
Lembro-me de ser uma leitura ansiosa, devoradora.
Revelava-me temas completamente novos, completamente tabús (já mudou algo, será?!?) Sempre detestei conceitos e preconceitos. Considerei a leitura de Cassandra uma mais valia na minha adolescência. Aprendi o sofrimento de quem quer ser como é. Admirei a coragem dela, enquanto escritora perseguida, mas sobretudo a sua pertinácia em revelar "outras vidas".
Morreu no dia certo (se é que isto não é disparate meu) Paz à sua alma.
Moura

Publicado por: Anonymous às março 8, 2009 02:50 PM

Bom dia!

Publicado por: pilantra às março 9, 2009 10:49 AM

Li boa parte de seus livros. Sensacionais!!! Nunca li nada tão envolvente, falando sobre o lado urbano das grandes metropoles (São Paulo e Rio de janeiro - anos 1950 e 1960). Talvez a autora brasileira que mais mergulhou fundo no cotidiano daqueles tempos.

Publicado por: marcio silva de almeida às julho 8, 2009 05:24 PM

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