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novembro 09, 2008
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Mais e melhor no blogue da BOO : Caminhando na Terra
A Suma Trindade da Modernidade Optimista
Sócrates, que se autoprovidenciou estudos exemplares, é um brilhante técnico de vendas de computadores e um alto perito em didáctica magalhanense. Inventou o clica optimista aqui que aparece ali e levas um diploma de técnico optimista em multifunções fundidas.
Rodrigues, passada a idade da Casa Pia e do Ensino Público, tornou-se ideóloga de estatísticas optimistas brilhantes e descobriu o acesso simplex à matemática optimista sem enunciado.
Lemos, o inefável, perito em ausências autárquicas,
por certo descobriu o ensino optimista brilhante sem presenças
para o moderno sucesso optimista.
Perante semelhante Suma Trindade de Excelência em Competência da Sapiência,
Cento e vinte mil ou um milhão de professores, o que interessa isso? Nadíssima.
Se nem um milhão de chineses é significativo na China, o que poderá significar cento e vinte mil professores nas termas de Pangloss?
Sejamos modernos !
PS - Pedreira não conta: é o provador de limões de serviço.
Publicado por pilantra às novembro 9, 2008 06:37 PM
Comentários
Concordando em que há erros de metodologia na "entronização" dos avaliadores, que, em algumas situações, estão menos pedagógica e cientificamente preparados do que os que vão avaliar, esta coisa das arruadas e faixas e bandeiras é muito "old-fashion". E quanto à
democracia, era bom que o tonitroante dono do Sindicato, desse a vaga, pois há mais anos no poleiro, só o Jardim da Ilha.
Os alunos que regra geral acham a Escola Pública "uma seca" (leiam-se artigos e depoimentos afins) também não querem o "novo estatito",nem aulas (ou lá o que for) de substituição, para se baldarem às permanências lectivas à vontade e virem cá para fora engalfinhar-se, fazer "boling", beber copos ou conversar de hormonas.
Os portugueses só estão habituados a dar o litro, quando emigram, porque aqui, na ocidental praia, é para fazer o menos que se pode.E ter tudo gratuito: a casa, a saúde e o ensino.
Conheço muito boa gente, que está a ficar sem emprego, mesmo com mais de 30 anos de serviço, pois as empresas, mesmo estrangeiras, estão a fechar as delegações em vários locais da Europa e da América.
O Sócrates é muito incompetente e nada lúcido, nem está a par do que se passa no mundo?
Então que tal a tia Nela, o Santana, o Carmona, o Marcelo,o Menezes, o Pacheco, a Zázinha, o Paulinho, ou mesmo os ideólogos profissionais do PC e do BE, que ainda vivem na velha dicotomia dos inícios do séc XX, trabalhador sacrificado/patrão explorador?
Ponham-nos lá, porra! Pode ser que a Senhora de Fátima dê uma ajuda. Não é a ela que se costumam fazer procissões?
Estudaram? Fizeram estágios?
Muito boa gente muito estudou e nunca ganhou dinheiro com isso.
I. L.
Publicado por: Inês Lourenço às novembro 10, 2008 07:08 PM
Corrijo:
"tonitruante"
I.
Publicado por: Inês Lourenço às novembro 10, 2008 07:40 PM
Também estou de acordo consigo nessa da entronização.
Principalmente quando se recorre a professores de «categoria indeterminada» e se os promove a «titulares a prazo» para serem avaliadores; e feito o serviço da estupenda avaliação, pega-se neles e devolvem-se à «categoria indeterminada» anterior. Esta é bem mais revolucionária que a Revolução de Outubro de boa memória!
E essa de os professores nunca terem sido avaliados, é uma velha treta: é que os professores sempre se queixaram da avaliação do seu desempenho e das correspondentes «acções de formação», dizendo que eram uma perfeita inutilidade e que precisava ser alterada. Donde somos obrigados a concluir que os professores eram avaliados ao gosto do Ministério.
Hoje a avalição é igualmente ridícula, insuficiente e incompetente para avaliar os professores enquando agentes de ensino. Todos os professores que conheço dizem que é impossivel preparar aulas - e preparar aulas significa adaptar os conteúdos a ensinar aos alunos a quem tem de se ensinar e não a alunos modelo x ou modelo xpto.
E estes professores que me dizem isto são licenciados com cinco anos de um curso universitário, mais seis meses a um ano de tese e defesa da tese, mais um ano de Ciências Pedagógicas, mais dois anos de estágio em exercício, mais um ano ou vários de exercício com estágio e só depois disso, e havendo vaga, nomeados professores efectivos de uma ou duas disciplinas. E são gente com 25 ou 30 anos de ensino, não caíram de paraquedas na profissão.
Para alguém que pense uns minutos sobre isto, nota imediatamente que há aqui uma hierarquia implícita.
E, também, para alguém que pense algum tempo sobre o ensino, terá forçosamente de concluir que se há gente experiente em avaliar, ela está entre os professores. Isto, evidentemente, se não se pensar que avaliar o que aprendem ou não aprendem e por que não aprendem crianças e jovens, não é a mesma coisa que contar parafusos perfeitos produzidos.
Mais estranho ainda que, tendo a ministra problemas de avaliação, não recorra a professores: entre os cerca de 150.000 existentes, algum encontrará capaz. Se não encontrar, ainda tem o recurso à nata dos colégios!
A mim, quando me doi um dente, procuro um estomatologista e não um arquitecto. Do mesmo modo, se me fizesse falta aprender matemática procuraria um professor e não um jurista. Mas isto é capaz de ser um pensar antiquìssimo, como a noite do outro.
Antigamente a escola era um aparelho reprodutor da sociedade e, a bem ou a mal, lá tinhamos de marrar naquilo até saber de trás para diante o que os velhos e as velhas queriam. Nem pais nem professores nem ministros nem vizinhos queriam saber do que a gente gostava: ou aprendiamos e passavamos e eramos inteligentes; ou não aprendiamos, chumbavamos e eramos burros. Não havia alternativas personalizadas.
Hoje a escola é uma secretaria pública onde os cotas passam diplomas consoante o jeito que faz.
Oxalá o Menino de Ouro não me arranje um biscate para passar diplomas em caligrafia inglesa para analfabetos. Vai ser cá uma tentação!...
Sobre o restante, relevo - que amanhã tenho cá os trolhas logo de madrugada, não estou com humor suficiente para falar de política. Mas sempre adianto que o vulgo aborto mais o vulgo divórcio não são condições sine qua non para fazer do Sócrates um moderno. E o facto de protelar para o post eleições o reconhecimento na lei do direito ao casamento dos homossexuais, dana-me pelo oportunismo eleiçoeiro mas também não chegaria. Ele é mais de andar à la page que outra coisa.
E não estou a dizer isto para a arreliar! LOL
Bjs, M.
Publicado por: pilantra às novembro 11, 2008 02:45 AM
Ó minha amiga, falemos à vontade, como sempre.
Então o marajá Jardim decretou BOM para todos os docentes?
!Que pobreza mental e que desfaçatez.
Só uns rápidos iten(s)zinhos:
- As sociedades europeias estão diferentes, mais tecnológicas e menos teóricas e reflexivas.Os curriculos sofreram grandes adaptações e reformas (Bolonha)
-A democratização do Ensino, trouxe, como em todo o lado, avalanches de discentes e...docentes de nível medíocre.
-Tive colegas na Fac., que só foram para Humanidades porque queriam um "canudo" e eram maus demais a Matemática para entrarem nos Cursos de Ciências.Essa gente deu maus professores.
- As Escolas Superiores de Educação precisam de uma grande volta...mais os seus curriculos. Consta-me que andam a fingir que ainda estão antes de Bolonha.
-Horários de 4 horas semanais ou nem isso na pré-reforma? Outros, noutras situações, de 8 horas ou mesmo 14? Que luxo!
A correcção de testes e preparação de aulas e direcç~~oes de tuirma, sempre tiveram as costas tão largas, que até davam para aulas em colégios particulares, escolas profissionais, explicações, etc
- Mesmo no tempo dos "velhos" e "velhas" tive excelentes professoras que adorei. Uma delas a Matilde Rosa Araújo, outra a Vírginia Motta, 1.ª tradutora para português de "Under the Volcano" de Malcom Lowry (já falecida). No último dia de aulas chorávamos - seguiam-se as longas Férias Grandrs - e era frequente a turma quotizar-se para oferecer ramos de flores.
Mas tudo é diferente hoje, e é urgente acudir à Escola Pública, não invocando mordomias e privilégios corporativos, que já não se adequam ao paía em que estamos transformados, num mundo em constante mutação.
Abraço
Nesse tempo os alunos não tinham que tomar remédios para a hiper-actividade...
Publicado por: Inês Lourenço às novembro 13, 2008 02:52 AM
Jardim um marajá?? - só na nomenclatura ocidental, claro, presunçosa q.b. das suas sabedorias e costumes. Jardim é o rei dos chicos espertos. Nós rimo-nos muito dele, mas ele lá vai comendo as bananas como quer e lhe apetece! É como a banca - mesmo na crise financeira tem lucros!
Por mim, já tinham a independência há muitos anos: à vela, barra fóra.
Bolonha? «Bolonha» já é antigo. Concretamente, não parece muito mais que o assumir da má preparação escolar, da incapacidade para atinar com o mercado de trabalho futuro, do rastreio de cérebros.
A democratização do ensino trouxe ao ensino, felizmente, os filhos dos marginalizados do ensino. Gente que veio agitar o ensino tradicional. MAS a opção para responder a essa necessidade - isto é, a falta de professores para tanto bico de obra e tanta carência, arrastou os políticos para situações da procura da tábua da salvação: optou-se por achar que a preparação científica não era asssim tão importante para o geral e secundário. Que o melhor era abreviar a formação dos professores. Aí o PS desencantou Veiga Simão e ele inventou o «Ramo Educacional»
de má memória e pior preparação científica.
Acrescente-lhe a superlotação das faculdades, a violenta corrida aos cursos que dão mais oportunidades de dinheiro e estatuto, o direito de todos os pais a quererem ter filhos inteligentes e doutores, mais o ranking das notas, e muitas outras coisas e peripécias, e aí tem as agruras da instrução e da educação públicas.
Além disso, é necessário dizer que mesmo entre aqueles professores a quem o Estado condenou a uma preparação científica deficiente, há bons professores - à custa do próprio esforço.
Assim como entre os que têm maior preparação científica há verbos de encher e há os que vão para técnicos do ministério porque não são capazes de «enfrentar» uma turma. E nisto os professores são iguais a todas as classes: quer que eu lembre aqui a competência do caso do Terreiro do Paço, das pontes para a morte e das autoestradas tresmalhadas? Dos médicos que cortam pernas trocadas? Dos advogados do parlapié das duas partes? Dos juízes? Chega não chega?
As ESE foram criadas para uma finalidade que nem sei se alguma vez foi cumprida! Não se esqueça que neste país cada governo vem desfazer o que fez o anterior e que de melhoria em melhoria temos caminhado para a descoberta de que a crise afinal é agora que vem aí. E cada um desenrasca-se. Isto é igualmente válido para os politécnicos e faculdades.
Quanto aos horários dos professores, não é como diz. Está a misturar horários lectivos especiais com horários de trabalho comuns. O horário lectivo normal era de 24 horas semanais. Mas todos os professores têm muito mais trabalho do que esse. Dentro e fóra da escola. A actual ministra também foi nessa conversa e viu-se no que deu.
Quanto às «situações de pré-reforma» de que fala, e que mesmo assim não são como diz, elas são derivadas do próprio sistema de ensino: os professores pedem a aposentação quando chega o seu tempo de serviço. Como não se sabe quando vem a resposta, nesse ano o professor ficava fóra do serviço lectivo - para evitar a mudança de professor para os alunos, que poderia causar graves transtornos. Um professor de matemática não pode ser substituido por um professor de francês, nem o de francês pelo de geografia, à la Rodrigues. Se não se tomassem medidas na preparação do ano lectivo, podia até acontecer que não houvesse professor.
E o tempo para fazer um teste ou para o corrigir, embora não implique as agruras de encontrar um verso nem implique o esforço de costas da preparação de um nocturno de Chopin, só a leigos e a principiantes, tipo Rodrigues, são lana caprina.
Pois. Antigamente, tal como hoje, sempre houve bons professores, professores honestos e professores baldas. Que isto de ser professor é uma PROFISSÃO como outra qualquer. A missão, como se sabe ou já era mais de que tempo de se saber, a missão é coisa para missionários.
Publicado por: pilantra às novembro 14, 2008 11:12 AM