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agosto 15, 2008
L'Ultima Recital et les adieux irrévocables aux Folies Bergère
Actrizes: Marianne James, Ariane Cadier
Realização : Marianne James, Véronique Vola.
[excertos]
... e eu com elas me vou: até setembro quiçá... outubro! rsrsrsrs
Publicado por pilantra às 08:35 PM | Comentários (1)
agosto 12, 2008
Judith Herzberg (II)
O MAR
Ouve-se o mar
tapando as orelhas com as mãos
dentro de um búzio
num boião de mostarda,
ou à beira mar.
CANTIGA
Não me mintas por favor
sobre algo grandioso nem outra
coisa qualquer. Prefiro ouvir
de ti as piores criticas do que
mentiras que são piores ainda.
Não me mintas sobre o amor
sobre algo que sentes ou algo
que gostarias de sentir. Prefiro
ficar triste do que ouvir as tuas
mentiras que são mais tristes ainda.
Não me mintas sobre o perigo
porque sinto bem o teu medo
e aquilo que percebo é verdade
ou então não te conheço
o que é mais perigoso ainda.
Não me mintas sobre a doença
prefiro enfrentar o precipício
do que perder-me numa só
das tuas mentiras piedosas
porque a queda será maior ainda.
Não me mintas sobre a morte
porque enquanto estivermos por cá
o teu modo de excluir-me,
de não dizer o que pensas,
é pior e mais morte ainda.
TODAS AS MANHÃS
Todas as manhãs, entre o enfiar
do sapato esquerdo e do sapato direito
ele vê a vida desfilar-lhe diante dos olhos.
Por vezes só a custo consegue
calçar o sapato direito.
SENTIMENTAL
Sentados no carro numa fila,
com o rádio ligado, gases de escape
e música, uma canção ele diz
que acha bonita, sobre
violinos em fogo e uma dança que continua
até ao fim do amor.
Não pela canção mas pelo que ele diz
ela não consegue olhá-lo.
Agora há no carro uma coisa a mais:
música e gases de escape e embaraço.
Embaraço porque a dança
até ao fim do amor dura tempo de mais,
entra demais no passado
e no futuro, a alma
salta-lhe do peito, de repente tão desamparada,
ela diz apenas: «Sentimental».
Sim, diz ele, sentimental.
Ela nunca saberá se ele sabe
como ela sentiu essa palavra.
Ele nunca saberá o que ela
entendeu, até que ponto,
ela nunca saberá que ele
entendeu que ela entendeu
o que o transiu de repente, só se
alguém, talvez um historiador,
reconstituir mais tarde exactamente o que sentiam
as pessoas com rádios a tocar nas filas.
(Trad. de Ana Maria Carvalho)
O que resta do dia , Ed.Cavalo de Ferro.
Lisboa, Janeiro 2008
Publicado por pilantra às 09:29 PM | Comentários (1)
agosto 10, 2008
GRISALHA CABELO A CABELO
Estranhei o primeiro. Mandei-o para Londres,
mas o meu amor não o descobriu na carta em que o metera,
e assim caiu logo ao chão
onde ninguem mais o encontraria. Have one of mine,
ofereceu uma senhora idosa, mas
nessa altura ele só queria o meu cabelo.
O segundo descobriu-o o cabeleireiro.
A senhora quer que o deixe ficar ou prefere
que eu lho arranque. Que ele tenha dito «a senhora»
já achei esquisito, arranque-o lá disse-lhe mas
vi logo que, filosoficamente, não estava certo,
e decidi ter mais juízo
quando me aparecesse o terceiro.
O terceiro apareceu realmente, não o esperava.
Ainda o cobri com um tom arruivado
mas J. não gostou nada e
lá sabia porquê, porque
ainda há pouco estivera à beira da morte,
e assim com o quarto e o quinto
resolvi conformar-me.
Agora tenho cem e isso abre-me
portas. Para cabeças tão grisalhas
como a minha ou não, para linhas
que ainda podem desaparecer quase todas.
Sinto afinidades com rostos indefinidos,
totalmente áridos que pensam saber já tudo,
mas ainda se iluminam, ilusionistas,
sem rugas. Les absents ont tort,
quem pinta o cabelo nem sabe o que perde.
Judith Herzberg
Trad. de Ana Maria Carvalho
«O que resta do dia», edição Cavalo de Ferro.
Publicado por pilantra às 06:25 PM | Comentários (18)
agosto 01, 2008
O inaudito dia seguinte
Afinal o Quartel General mais a palha continuam em Abrantes, o Marquês ainda é de Pombal, o Saldanha permanece Duque e até o António José de Almeida mantem o dedo malicioso.
A água em Marte é que me estragou o dia.
Já me tinham pisado a Lua à revelia do Bernardo de Passos.
Agora corro o risco de ir a banhos a Marte.
Espero que o Tribunal Constitucional se pronuncie, para meu sossego, que eu cá não quero ir às termas para marte nenhum!
E Vénus que já anda a ser sondada! Que será de Vénus?
Que a Abelha Maia nos guarde dos altos desígnios do livre-arbítrio conjuntural!
Publicado por pilantra às 11:14 PM | Comentários (5)