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julho 25, 2008
Penélope escreve
É mais que certo: não sinto a tua falta.
Fiquei a tarde toda a arrumar os teus papéis,
a reler as cinco cartas que me foste endereçando
na semana que perdemos: tu no Alentejo,
eu debaixo de água. Fui depois regar as rosas
que deixaste no quintal. Sempre só e sem
carpir o meu estado (porque não me fazes falta),
pus o disco da Chavela que me deste no Natal
e comecei a preparar o teu prato preferido.
Cozinhar fez-me perder o apetite; por isso
abri uma garrafa de maduro e não me custa
confessar-te que não sinto a tua falta.
Por volta das dez horas, obriguei-me a recusar
dois convites para sair (aleguei androfobia)
e estou neste momento a recortar a tua imagem
(não me fazes falta) nas fotos que possuo de nós dois,
de maneira a castigar com o cesto dos papéis
a inábil idiota que deixou que tu te fosses.
José Miguel Silva
Publicado por pilantra às 01:16 AM | Comentários (3)
julho 16, 2008
Mulheres de Klint

Klimt, Gustav, Music I, 1895
Oil on canvas; 37 x 45 cm.
Neue Pinakothek, Munich

Klimt, Gustav; Mermaids (Whitefish); c. 1899.
Oil on canvas, 82 x 52 cm.
Zentralsparkasse, Vienna

Klimt, Gustav, Nude Veritas,1899.
Oil on canvas, 252 x 56 cm, .
Theatre Collection of the National Library, Vienna

Klimt, Gustav ; Judith I; 1901
Oil on canvas, 60 1/4 x 52 3/8 in. (153 x 133 cm)
Osterreichische Galerie, Vienna

Klimt, Gustav; Portrait of Emilie Floge;1902.
Oil on canvas; 71 1/4 x 26 1/8 in. (181 x 66.5 cm).
Historisches Museum der Stadt Wien, Vienna

Klimt, Gustav ; Hope I; 1903.
Oil on canvas; 189 x 67 cm.
National Gallery of Canada, Ottawa

Klimt, Gustav; The Three Ages of Woman:;1905.
Oil on canvas; 178 x 198 cm.
Galleria Nazionale d'Arte Moderna, Rome

Klimt, Gustav; Portrait of Fritza Riedler; 1906.
Oil on canvas; 153 x 133 cm.
Austrian Gallery, Vienna

Klimt, Gustav; Hygeia - Detail from "Medicine"; 1907.
Oil on canvas ; 430 x 300 cm.
Destroyed by fire at Immendorf Palace, 1945 .

Klimt, Gustav; Portrait of Adele Bloch-Bauer I ; 1907.
Oil and gold on canvas; 138 x 138 cm.
Private collection

Klimt, Gustav; Hope II;1907/08 ;
Oil and gold on canvas: 110 x 110 cm;
The Museum of Modern Art, New York

Klimt, Gustav; Danae; 1907-08.
Oil on canvas; 77 x 83 cm;
Private collection, Graz .

Klimt, Gustav ; Judith II ; 1909
Oil on canvas ;178 x 46 cm
Galleria d'Arte Moderne, Venice .

Klimt, Gustav: Portrait of Mada Primavesi ; c. 1912
Oil on canvas ; 150 x 101.5 cm
Metropolitan Museum of Art, New York

Klimt, Gustav; Portrait of Eugenia Primavesi ;c. 1913-14.
Oil on canvas ;140 x 84 cm.
Private collection

Klimt, Gustav; Death and Life ;1916.
Oil on canvas; 178 x 198 cm.
Private collection, Vienna .
Publicado por pilantra às 10:18 PM | Comentários (6)
julho 13, 2008
Ladrões de bicicletas - Vittorio de Sica (1948)
Mil quilómetros por dia pedalava meu pai, desde
a cama junto ao Douro até à próspera Cerâmica
de Valadares. Se qualquer homem recebe,
à nascença, uns sessenta inimigos por hora,
imaginem a jornada de um operário ciclista.
Tudo são despesas para ele: o rosário de geada
nas giestas, o jornal atropelado pelo vento, o verdor
da Primavera, a poalha do suor em cada mão.
Meu pai, é claro, não se queixa, ganha um conto
de réis, tem uma casa portuguesa e grandes sonhos
de amanhãs a gasolina. Pelo menos não trabalho
em nenhum matadouro, pensa ele, e com razão,
erguido nos pedais do seu veículo de sombra,
solitário trepador pela encosta de Avintes. Não
trabalha em nenhum matadouro. E nesse reconforto
passa a Quinta dos Frades, alcança o Freixieiro,
sente já o rumor de fumacentos camiões na nacional.
José Miguel Silva
(fotos samartaime, 2008)
Publicado por pilantra às 01:35 AM | Comentários (2)
julho 10, 2008
bebe-se... pintura!
Publicado por pilantra às 10:17 PM | Comentários (5)
julho 09, 2008
Nneka
Africans
The Uncomfortable Truth
Publicado por pilantra às 11:27 PM | Comentários (0)
(foto «samartaime»)
Publicado por pilantra às 06:19 PM | Comentários (0)
julho 06, 2008
quando as serpentes regatearem o direito a colear
e o sol fizer greve para ganhar o salário mínimo -
quando os espinhos olharem as suas rosas alarmados
e os arco-íris estiverem seguros contra a velhice
quando um tordo não puder cantar nenhuma lua nova
se todas as corujas não tiverem aprovado a sua voz
- e qualquer onda assinar sobre a linha ponteada
senão um oceano é obrigado a fechar
quando o carvalho pedir licença à bétula
para criar uma borboleta - os vales acusarem as suas
montanhas de terem altitude - e março
denunciar abril por sabotagem
então acreditaremos nessa íncrível
humanidade inanimal ( e não antes)
e.e. cummings
Trad. Jorge Fazenda Lourenço
(foto «samartaime»)
Publicado por pilantra às 05:44 PM | Comentários (2)
julho 05, 2008
Lição de Sabedoria

Como faço para serenar as paixões, Mestre?
Come laranjas
Mas como laranjas antes ou depois, Mestre?
Em vez de, burra!
[Júlia Kristeva no YouTube, mais o lamentavel suicídio das paixões]
Publicado por pilantra às 12:36 PM | Comentários (1)
julho 04, 2008
Grandes Datas
merecem lembranças
Publicado por pilantra às 08:42 PM | Comentários (0)
julho 03, 2008
A Dr.ª Ferreira Leite e os homossexuais
Disse a Dr.ª Ferreira Leite na TV - e o Público, qual espadilha, confirma - ,
que não tem nada contra a homossexualidade. Entendo-a: como qualquer tecnocrata foi clara, eficiente e banal.
No seguimento do seu raciocínio e já um tanto agastada pelo peso do esforço de entendimento, adiantou a Dr.ª Ferreira Leite que, no entanto, é contra o casamento legal entre homossexuais.
Aqui, baralhei-me.
A Dr.ª Ferreira Leite defende, implicitamente, dois tipos de casamento: o legal e o ilegal. E é aqui que a porca torce o rabo: não entendo essa figura do casamento ilegal. Sempre pensei que o casamento ou era ou não era. O casamento ilegal é que não entendo mesmo: lá vou ter de esperar que o Pacheco Pereira troque em miúdos essa complexidade inóspita!
A Dr.ª Ferreira Leite mais uma vez me azedou o leite sem que lhe veja utilidade.
Querem ver que eu, que sou contra o casamento, que vivo há 30 e tal anos com a mesma pessoa, não querem lá ver que, calhando, não só estou casada contra a minha vontade como ninguém se lembrou de me participar o tal do meu casamento e, ainda por cima, só 30 anos depois, qual Conde de Monte-Cristo do matrimónio, sei que estou num casamento ilegal?
E isso dá direito a quê?
A prisão preventiva?
A cadeia?
A pulseira electrónica?
A estrela amarela ao peito?
A cruz roxa na testa?
Não contente, a Dr.ª Ferreira Leite com receio de não ter sido suficientemente explícita esclareceu «que não se pode dar o mesmo estatuto» - aos homossexuais, evidentemente.
Que nisto do estatuto é que reside o busílis do desempenho ou não do papel – sociologicamente falando;
e, muito paralela e popularmente dito, de ter ou não ter papel passado - civilmente falando.
No Teatro, o faz de conta da vida, o problema não se põe: qualquer homossexual pode, com toda a dignidade, representar o papel de casado e dar um enxurro de porrada na mulher que nem a ASAE se alarma.
Mas podemos muito bem à saída ouvir comentários do tipo: «Viste como o cabrão do maricas fez aquilo bem?».
Estes comentadores são os seus companheiros de ocasião, Dr.ª Ferreira Leite.
Esperava melhor da sua capacidade.
Na Vida a homossexualidade existe, simplesmente.
E os «actos que definem socialmente a homossexualidade» são ainda mais comuns e correntes do que os tecnocratas e burocratas da moral vigente sempre pretenderam e pretendem fazer crer.
Olhe à sua volta, olhe os seus pares, olhe o seu povo.
Não lhes olhe as carteiras: olhe-lhes «as cadeiras».
E quando, desassombradamente embora, voltar a assumir que pretende discriminar os homossexuais unicamente pela sua diferença, lembre-se que é concorrente a um lugar político.
E que mesmo eu, que não gosto do político José Sócrates, votaria nele contra si.
Publicado por pilantra às 02:36 PM | Comentários (0)
julho 02, 2008
Mais inovações inovadoras
Depois dos gloriosos exames estatisticogasosos
do nosso inimputável Ministério
da Educação para a Segunda Idade da Pedra
vem mesmo a calhar esta conversa :
Publicado por pilantra às 11:33 AM | Comentários (0)