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junho 09, 2008
Manjeronas 0 - Alecrins 1
A drª Ferreira Leite, hierática, abriu o baile do despique - como lhe competia:
o Serviço Nacional de Saúde é para os pobrezinhos. Nem mais.
Mas aqui os pobrezinhos são muitos.
Muitos mais do que aqueles que parecem ser. Aliás, este caso dos pobrezinhos, é bem pior do que aquele caso dos que parecem vigaristas e dos que são vigaristas e não parecem. Mesmo muito pior.
E depois dos pobrezinhos ainda há os pobres, os que até têm uma ideia do que lhes falta para comer, para o frio, para os remédios. E que piam pouco mas têm um brilhozinho no olho que prenuncia vingança.
E, passada a trapobana dos pobres, ainda há a multidão dos parolos que julgam que são ricos porque nunca precisaram mandar cantar o romeno do semáforo.
E depois dos parolos ainda há os provincianos que julgam que podem pagar aquilo que, na prática, não tem preço e que é, para sua desgraça drª Ferreira Leite, a saúde periclitante.
E há os desempregados, gente de sizo e calma enquanto a doença não lhes cai nos filhos e a fome não lhes dá volta ao estômago.
E depois ainda há os das listas de espera, os que não têm outo remédio que fazerem um número na lista do casting mais silêncioso da telenovela lusitâna.
E ainda há aqueles que estão mansamente a ver onde pára o anzol e que sabem, tanto ou mais que a drª Ferreira Leite, que não vão no parlapié da novidade de excelência da medicina económica. Como não embarcaram, antes, na nave psicadélica do capitalismo popular.
Por mim, a drª Ferreira Leite pode sair já de cena que a peça está vista e a comédia da saúde a ninguém agrada.
Por menos que isso Sócrates perdeu o seu mirante para a praça da alegria.
Mas, com a punção hierática da drª Ferreira Leite, Sócrates vai, pelo menos, tentar a mansarda da rua da esperança.
Publicado por pilantra às junho 9, 2008 03:10 PM
Comentários
gostei MUITO deste texto
Publicado por: peixinho da horta às junho 10, 2008 11:10 AM