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junho 25, 2008
As concertações sem conserto
Afinal parece que houve não um concerto de camionistas mas a coincidência de vários concertos de umas tantas bandas de camionistas que, cansados de tocar em garagens, se concentraram em pontos escolhidos pelo pião do rapa em cima de um mapa de Portugal do ACP e que, por acaso, acertaram em pontos nevrálgicos da circulação rodoviária nacional.
Decorreu esta cena, curiosamente, enquanto a ANTRAM negociava com o governo. Mas não houve escândalo: os camionistas estavam em greve e a ANTRAM é representante dos grandes transportadores, dos patrões, portanto. Assim sendo, não havia pressão sobre o governo, o governo não se sentiu pressionada e tudo se resolveu a contento da ANTRAM e da Galp que entrou em cena por ter escorregado na maionese - como explicam ali os manos brasileiros.
No rescaldo da querela se seria greve se seria lock out ou o que seria aquilo então, os camionistas donos de camião ou camiões concertaram-se e fundaram a ANTRAM Dos Pequeninos com vista a futuras conduções rumo à ANTRAM.
Como tudo se passou e aconteceu no maior dos silêncios governamentais, fomos todos para a praia e/ou campo gozar o farnel que os hiperes e superes ainda tinham nas prateleiras. E passou-se.
Ainda os portugueses não tinham sido capazes de esgotar o combustivel que prudentemente açambarcaram nos depósitos das suas viaturas ligeiras particulares, surge o Ministro agrícola a dizer que a CNA era da extrema esquerda e a CAP da direita muito conservadora. A CAP insurgiu-se violentamente e disse que não ia à Concertação Social.
Vai daí o vulgo nosso Primeiro Sócrates aparece na TV (todo bonito e sorridente, de madeixas a atirar um pouco para o lilás para fugir ao já cansativo cinzento prata) e na sua proverbial clareza argumentativa de rotina explica, entre sorrisos suaves, que as palavras do Ministro agrícola não tinham sido bem entendidas.
Ora nem mais, disse a CAP, e correu a apresentar-se à porta da concertação, de caneta em riste.
Às tantas, sai o tipo da CGTP com um ar amarelento.
Depois lá se fez a concertação e saíram todos muito felizes.
Pouco tempo depois ficámos a saber que a UGT tinha assinado para um concerto que «incentiva a não sindicalização», isto é, que promove a fragilização dos sindicatos.
Vou ficar aqui muito caladinha à espera que o João Proença declare a falência da UGT e se deslocalize para a fundação do sindicato dos operários do fabrico de sapatos em Mumbai, na Índia.
Porreiro, pá!

(Foto: 1ª página do «Público»)
Publicado por pilantra às junho 25, 2008 11:21 PM
Comentários
não foram todos para a praia: alguns estavam a ver o euro
Publicado por: peixinho da horta às junho 27, 2008 09:29 AM
Pois foi! Algunzinhos ficaram a ver a bola a passar! Aquilo até parecia o filme do Antonioni mas com bola!
Aliás toda aquela guerra de camionistas e derivados foi apenas uma manobra espanhola para desconcentrar os portugueses e quebrar o apoio mediúnico à nossa equipa! O Felipão, que não percebe de greves, foi apanhado desprevenido e não meteu a devida cunha à senhora do caravagio e vai daí, pumba, atirou-se ao Tamisa. Eita carapau!
Publicado por: pilantra às junho 27, 2008 11:46 AM