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abril 21, 2008
Psicoprostiputices olímpicas
Declaro-me farta de ouvir falar da China, do Tibete, dos Jogos Olímpicos, do Dalai Lama.
Há coisa menos coisa de uns 50 anos, o Tibete era um sítio onde se ia escalar montanhas e ver raridades folclóricas pasmantes. Os dalai-lamas governavam aquilo ao estilo feudalismo pedestre em social-idade do bronze e havia umas cantorias monocórdicas de homens de cabeça rapada e túnica a atirar para o vermelho-sangue-de-boi escuro. Era muito interessante e original.
Ao tempo os chineses, como não tinham máquinas mas tinham engenho e excesso de mão de obra, faziam à mão tudo o que imaginavam e mais o que copiavam e que ia das estradas às barragens e outras inauditas coisas.
Entretanto, um menino que anunciaram viria a ser terrivelmente importante, deixou o Tibete e foi para outro lugar onde lhe fosse permitido crescer com alguma paz e fazer-se Dalai Lama. E fez-se.
Com o correr das décadas, a China foi atacada pela doença do progresso e resolveu arrastar com ela - para o progresso - o Tibete que estava ali mesmo à mão e tinha montanhas muito altas donde se podia ver o mundo todo em redor, assim se tivessem bons olhos e o mundo em mapa.
E correu o tempo. E com ele milhares de rotineiras perseguições, criativas torturas, comesinhas mortes.
Há muitissimo poucos anos, e estando já o Tibete no estado em que está, lembraram-se o chineses de que lhes faria bem ao ego realizarem os Jogos Olímpicos. E anunciaram esse desejo e demandaram o projecto e recolheram o sorriso babado da assembléia das nações. Não houve protestos nem correrias nem alembradorias. A China estava a ficar deslumbrante: que mercadão para as leis do mercado!
Tão deslumbrante ficou a China, que só a raros lembrou a ocupação, as atrocidades, as condenações, a escravatura, os direitos, a liberdade.
E ainda menos se lembraram dos bebés. Principalmente das meninas chinesas.
Pois aqui ficam, para que conste mais uma vez.
Publicado por pilantra às abril 21, 2008 10:57 PM