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março 11, 2008

A propósito de mais um novo pensionista




Aos 50 anos de idade e com 20 anos de descontos como deputado, o sr. M. M. acaba de requerer a Pensão a que tem direito, no valor mensal vitalício de 2.905 euros mensais.

Contudo, um trabalhador normal tem de trabalhar até aos 65 anos e ter uma carreira contributiva completa durante 40 anos para obter uma reforma de 80% da remuneração média da sua carreira contributiva.
Tudo bem: é só mais um deputado a receber aquilo que ele legislou e a lei estipula - muitos foram antes e muitos virão depois.

E muitos mereciam mais e muitos outros menos. É tudo uma questão de avaliação do trabalho desempenhado embora, no presente caso dos deputados, só de quatro em quatro anos sejam avaliados.

Porém, os deputados não são efectivamente avaliados por aqueles por quem dizem ser «avaliados» de quatro em quatro anos e de quem dizem ser os «representantes» e que adoram invocar: «os utentes da deputação».

Na realidade, os deputados são nomeados pelos partiditos dos Partidos, por avaliação a olhómetro já que gravatas, falas mansas, óculos de aros de tartaruga ou de ouro ou de pêlo de elefante, mais algum desembaraço na leitura dos papéis nada significam sobre o saber, a experiência, a perseverança, a honestidade e a habilidade.

E se estes elementos e as suas múltiplas e inesgotáveis alíneas não forem rigorosa e metafisicamente cumpridas, podemos então dizer que os deputados não são, de todo, avaliados. Que se trata, politicamente falando, de uma corporação que usufrui de progressão automática na carreira e, ainda por cima, de ocasião.

Aliás, só assim se entende que todo o funcionalismo público tenha chegado onde chegou sem alguma vez na vida ter sido avaliado. E muito à pressa aqui declaro que toda a excepção a esta regra pontua no caso dos meretíssimos, por causa da separação dos poderes.

Mas, voltando à dita: e de gente sem avaliação, o que espera a nação?
Que fale de excelência, evidentemente: a cada um o sonho americano ou chinês ou russo que merece, ainda que lhe falte o espaço para o passo.

A coerência da Nação é discutida, ajustada e legislada na Assembleia da República - que, por sua vez, é constituída não pelo imóvel e respectivos móveis, mas pelo conjunto dos deputados. E daí saem governos, gestores públicos e privados, and so on: simplex a corte.

A culpa da coerência centrifuga existente na Nação, esta pesada culpa é, sim e sem dúvida, dos professores.
Que perderam a oportunidade única de os chumbarem a todos logo na quarta classe e para todo o sempre.

Bem sei que há canudos por fax, cartas de condução por clonagem, seguros faz-de-conta e economia paralela tirando a paralelipipédica. Mas isso, como se sabe, não consta que sejam funções públicas pelo que as equivalências são mais privadas e encolarinhadas.

Mas ainda há salvação: mandem Maria de Lurdes Rodrigues reformar a Assembleia da República e vão ver como aquilo se embrulha tudo e estacionam, angustiados, em cima da passagem dos peões - para variar.


Publicado por pilantra às março 11, 2008 02:31 PM

Comentários

E quem fala assim não é gaga!! Isso é que era.. os deputados todos a serem avaliados uns pelos outros com a regras e grelhas da lulu!! :)

Publicado por: Boo às março 13, 2008 09:21 PM

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