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janeiro 27, 2008
Terrorismo?
É bem possível.
Mas os portugueses andam já tão aterrorizados com o Ministério da Saúde que tudo o mais lhes excede a fantasia.
Não me aflige muito o problema dos tristes nus hospitares. Com um pouco de calma todos sabemos que das primeiras coisas que se faz a um acidentado, é despi-lo - quando o acidente já não o fez.
E também sabemos que, estando doentes e sendo internados, a primeira coisa que fazemos é despirmo-nos - com maior ou menor ajuda da família ou do pessoal.
O problema não é morrer nu, evidentemente.
O problema é estar vivo, semi-consciente e maltratado e jazer numa espécie de camisa de papel azul e talvez um lençol em instalações sem quaisquer condições de acolhimento e sem pessoal suficiente para atender gente diminuida.
Mais grave ainda, se isso é numa urgência hospitalar.
Mais grave ainda, se se ordenou o fecho de centros de proximidade descurando alternativas.
Mais grave ainda, se se despejaram em cima de urgências hospitalares já em sobrecarga a sobrecarga dos acasos do quotidiano.
E não contentes com a crueza, ainda «esperam» que no «deprimido interior» estradas e veredas sejam autoestradas e vias rápidas!
E «julgam» que as ambulâncias são todas como as do INEM! E que o «pessoal» disponível nos povoados e lugares são pelo menos «primos» do INEM!
É muito possível que o Sr. Ministro da Saúde seja um iluminado e vá salvar, pelo menos, as estatísticas referentes à saúde dos portugueses.
Mas até à data aquilo que se vê, sente e vive, é que as pessoas não têm a quem recorrer. Fecharam-lhes as poucas e periclitantes portas de humanidade que existiam: o dr. Mário foi embora, a enfermeira Bia também, até a senhora das limpezas já não está lá para dar o telefone dos bombeiros!
O que o Zé sabe, vive e sente é que somam os telefonemas, somam as explicações, somam as horas e ninguém, mas ninguém mesmo, lhe acode.
Publicado por pilantra às janeiro 27, 2008 04:55 PM
Comentários
não há dúvida de que este ministro da saúde nos anda a tratar da saúde...
Publicado por: peixinho da horta às janeiro 27, 2008 11:55 PM
olha, sabes que mais? Apetece-me tratar-lhe também da saúde!
Talvez, quem sabe, um dia ele tenha uma desenfreada dor de barriga quando se andar a pavonear por um desses lugares...
Publicado por: peixinho da horta às janeiro 27, 2008 11:59 PM
a propósito de terrorismo, entre mim e um terrorista vai um nadinha de nada; estava eu num hospital público, sem condições, e abri o jornal onde li não sei o quê sobre os 10 (DEZ) estádios acabadinhos de construir. Só não saltei dali para colocar uma bomba porque
1. De certeza que não iam reciclar o material dos estádios para construir hospitais
2. Achei que a população não merecia ficar com entulho à porta, a somar ao entulho que estava no governo.
3. As agulha do soro incomodava-me mas incomodava-me mais ter de voltar a ser picada.
4. Nunca me ajeitei a andar a passear com o boby (vulgo equipamento do soro)
5. O pessoal hospitalar era simpático.
6. Presumi que era melhor receber visitas no hospital que na prisão.
Mas não me provoquem que eu já não ando com o soro atrás!
Publicado por: peixinho da horta às janeiro 28, 2008 12:09 AM