novembro 20, 2009

Fundo de Desemprego



Uma borboleta, um colar de coral
o rapaz não quer saber de competência.
Está por agora aqui
amanhã pode sentar-se noutro lado
não tem opinião sobre coisa nenhuma
e nada nem ninguém o desconvocam
do seu concílio com a indiferença.
Veio de Colónia e na volta é semelhante
suprimiu hamburguers
com pescadores ao lado.
O resvale da tarde sobre rochas
não lhe prega na alma
precipícios.
Um ocaso onde há melancolia
desperta-lhe a contra-gosto
recessões
e perde tempo a descobrir ao sol
a loura rapariga inanimada
enquanto apalpa
na bolsinha a erva.
No outro dia é com resignação
que se saúdam
e a tarde nos contunde
mineral.


Fátima Maldonado



Publicado por pilantra às 04:15 PM | Comentários (0)

novembro 18, 2009

Contra o abuso na RTP



Quem tem um dedo de testa devia escrever já ao provedor do telespectador, na RTP (aqui) e insurgir-se por uma televisão pública, que todos nós pagamos, ir dar uma publicidade desmedida e importância a um referendo organizado por alguém desejoso dos seus dez minutos de fama.

Quem tem um dedo de testa devia manifestar a sua oposição a um referendo que vamos todos pagar e que não é mais do que uma manobra de diversão para continuar a negar direitos a alguns cidadãos. E mantê-los como cidadãos de segunda.

Quem tem um dedo de testa devia perguntar por que razão o Prós e Contras não dá o mesmo tempo de antena aos referendos organizados pela comunidade lgbt. Escrevam e nanifestem a vossa reprovação, já que nem o Presidente da República, nem o Primeiro Ministro, nem todos os surdos e mudos que governam, nestas ocasiões, o País, se insurgem conta um óbvio atropelo de direitos e sectarismo de quem dirige a RTP.

Mandem os vossos emails aqui!

Eu gosto deles:

tangasdehonra.png

Porque falaram como deviam e porque têm uma paciência infinda para estar sempre a repetir, impavidamente, aquilo que é óbvio e que gente crescida, com vergonha na cara, não devia sequer pensar em mencionar.




(Parabéns, Tangas, pela ideia e pelo trabalho!)



Publicado por pilantra às 11:38 PM | Comentários (0)

novembro 17, 2009

« Ne serait ce pas Albert?»





Imagem1.jpg



Publicado por pilantra às 07:24 PM | Comentários (1)

novembro 14, 2009













Publicado por pilantra às 10:57 PM | Comentários (0)

E isto o que será?










Publicado por pilantra às 02:24 PM | Comentários (0)

novembro 13, 2009



amanhã vou comprar umas calças vermelhas
porque não tenho rigorosamente nada a perder:
contei, um a um, todos os degraus
sei quantas voltas dei à chave,
sublinhei as frases importantes,
aparei os cedros
fechei em código toda a escrita.

Amanã comprarei calças vermelhas
fixarei o calendário agrícola
afiarei as facas
ensaiarei um número
abrirei um livro na mesma página
descobrirei alguma pista.


Ana Paula Inácio



Publicado por pilantra às 05:11 PM | Comentários (1)

novembro 12, 2009

O «incremento» do divórcio





A partir do momento em que as mulheres conquistam

a independência económica,

é óbvio que só fica casada quem quer... Qual é o espanto?



Publicado por pilantra às 11:13 PM | Comentários (0)

novembro 11, 2009

união civil registada, olé!





Em louvor da assembleia de encolhidos que temos

e pelo esplendor de Portugal, Portugal, Portugal!

esguardai, apachorrai e cantemos irmãos :




Eu sou uma unida civilmente registada pelos palhaços parolos

Tu és um unido civilmente registado pelos cobardes sebentos

Ela é uma unida civilmente registada pelos bufos untuosos

Nós somos os unidos civilmente registados da Parvónia

Vós sois os unidos civilmente registados do compadrio sacrista

Eles são os unidos civilmente registados duma psicoprostiputice sanzonal.




Ide-vos e calai-vos antes que a pachorra me falte

e eu conjugue outro tipo de brejeirices.



Publicado por pilantra às 01:21 PM | Comentários (2)

novembro 10, 2009

Dom Ortiga ortigou-se





Isto da posição da icar relativamente ao casamento dos homossexuais começa a ficar triste de se ouvir.

Primeiro, está vedado aos padres qualquer tipo de casamento ou acasalamento. Podem e devem, evidentemente, expressar a sua opinião e devemos escutá-los atenciosamente.
Porém, é preciso não esquecermos a ignorância experimental das santas almas na matéria.

Segundo, ainda não ouvi ninguém dizer que se deve obrigar os padres a casar e/ou acasalar seja com quem for - portanto não entendo a aflição que mina o sossego das santas criaturas.

Terceiro, ainda não ouvi alguem dizer que seria obrigatória a presença de, pelo menos, um padre nos casamentos e/ou acasalamentos civis, donde a minha estranheza quanto ao estado de choque de tão santas almas.


Quarto, não tenho conhecimento de alguém que tenha reivindicado a benção matrimonial para o casamento civil de homossexuais, donde não entendo em que se baseia a perturbação das santas criaturas.


Quinto, tenho claramente visto que a cada bispo sua cabeça. Donde, evidentemente, a cada cabeça sua sentença. O que manifestamente se torna bastante num aquilo que ele disse não foi ele que disse, fui eu que não disse.

Adelante adelaide.

De Dom Jaime Ortiga e seus pares eu antevejo e almejo o fomento dos fabulosos gabinetes de reencaminhamento sexual para homossexuais, à la Bruno, para o santo apaziguamento da casta e amiga pátria que o seu deus nos deu.

E para que não me tenham por troglodita intratável,
aqui declaro a minha disponibilidade para a santa experiência do reencaminhamento desde que me encaminhem uma bela freira para me amparar nas agruras metafísicas do cursilho.

Nihil obstat.



Publicado por pilantra às 03:03 PM | Comentários (3)

novembro 09, 2009

Da herança corruptiva





A corrupção herdou-se e vai herdando-se.

Herdámos a «corrupção de classe», sob a forma de privilégios variados, que iam desde os latifúndios aos monopólios industriais e que viviam paredes meias com os grandes fazendeiros e concessionários coloniais, muitos dos quais apenas conhecendo, disto e daquilo, os números: de hectares e de lucros.
E, tendo tão farto império, como poderiamos esquecer os nossos velhos aliados?
O açúcar era um privilégio inglês apesar dos portugueses que lhe andavam na babugem.
Tal como o chá era inglês e belga- apesar da babugem portuguesa do Gurué.
Note-se que mesmo na babugem se tinham lucros de respeito.
Mas na babugem era diferente: aí já se sentiam o ar do tempo, as aflições, apertos e trabalhos.

Herdámos a «corrupção corporativa» como a que levou Marcelo Caetano a acabar com a polícia de trânsito da época - aquela do um sabia ler, o outro escrever e o terceiro gostava de acompanhar com intelectuais, que a anedota é pelo menos desse tempo.
Tal como herdámos o silêncio inter pares ou, se preferirem, à la d'Artagnan: o «um por todos e todos por um» de médicos, engenheiros, contabilistas, farmacêuticos, cozinheiros, os sacrílegos economistas e financeiros, juristas, etc., etc., etc..

E herdámos a «corrupção sem classe» do envelopezinho para os papéis andarem mais depressa,
da denúncia do vizinho a troco duma orelha de porco,
do perú no natal do chefe, para não ficarmos esquecidos nas promoções de janeiro,
da ida à missa para se mostrar a fiabilidade ao patrão,
da cestinha de ovos à Senhora para que interceda junto do Sr. Doutor e o rapaz consiga um trabalho,
miserere nobis.
Que tempos imperdoáveis aqueles
do pão por deus, poucas letras e a esmola do trabalho.

Hoje, o palmo adiante do nariz alargou-se incomensuravelmente.
Não para todos, é verdade, mas para muitos mais.
Inclusive para a corrupção.

E de novo a vemos, à corrupção,
agora de excelência e disfrutando da sua inefável sustentabilidade
mas sempre ou de classe, ou corporativa ou sem classe nenhuma.

Bem poderemos invocar Herculano e os seus «fartai, vilanagem» ou «destapai, cães, e lambei!»
- mas isto não vai com invocações. Sequer com indignações.

Isto vai com polícias que os agarrem, juízes que os julguem, tribunais que lhes saquem o que roubaram.

Se não, terá de ser o povo - a única entidade soberana, todos os outros são meros delegados de propaganda - a indicar-lhes «a serventia da casa».

E isso é quando, ó povo?



Publicado por pilantra às 02:33 PM | Comentários (2)

novembro 08, 2009

Zélia Barbosa














( Obrigada Esteva! )




Publicado por pilantra às 02:46 PM | Comentários (1)

novembro 07, 2009

Da conjugação acintopleonástica
do sublime verbo recandidatar





Quis a TV que eu estivesse a olhar para ela quando mostraram a inauguração da nova Portucel , no episódio do discurso presidencial.
Que espanto!

Imaginem que aquela figura hirta, torva e taciturna de quem, piedosamente, afasto olhos e ouvidos por pura gentileza institucional,
inopinadamente passou à gesticulação:

ele abriu os braços, ele curvou-se para a frente, ele sorriu, apontou, inclinou-se para trás, ele sorriu, cruzou os braços, agarrou o púlpito, ele sorriu, deu um passo para a esquerda, deu dois passos para a direita, chegou-se ao púlpito, ele sorriu, afastou-se do púlpito, balançou num pé, ele sorriu, abençou a assembleia, balançou no outro pé, ele abraçou o ar. Ah!, Aaah! não me calava eu de boca escancarada, ah! para todo o sempre ah!
O homem estava que parecia um Sócrates.

Fiquei tão esmagada pela transcendência do momento, que nem consegui apurar com o devido rigor se ele piscou ou não piscou o olho para a câmara.
Mas eu ia jurar que sim.



Publicado por pilantra às 10:35 AM | Comentários (0)

novembro 04, 2009

João Aguardela



Aguardela 1.jpg


megafone 1

«Terço da Quaresma»
(Recolha de JA Sardinha)


naifa_rabat.jpg


(sobre Recolhas Michel Giacometti:)

Canto da Santa Cruz

Senhora do Carmo

Moda do Ladrão

Encomendação das Almas

O mineiro



Aguardela 3.jpg


(sobre Recolhas José A. Sardinha:)

Saias da Morena

Canto de S.João

Cantiga da Segada

Maragato




Publicado por pilantra às 01:05 AM | Comentários (2)

novembro 02, 2009

As prioridades dos prioritários



Admito que os que não querem e não sabem por que não querem, digam não quero porque não quero.
Admito, igualmente, que os que não querem porque acham mal e não sabendo explicar por que acham mal, digam não quero porque acho mal e pronto.

Não entendo é os que dizem que «estando o País na inaudita e profundíssima crise se vá agora tratar do casamento dos homossexuais como se não houvesse outras prioridades».
E não entendo porque julgo sempre urgente reparar injustiças e/ou discriminações como esta de negar o direito ao casamento civil a alguns concidadãos, direito que lhes assite e que reivindicam.
Não vejo em que possa, uma pequena alteração na escrita legislativa, contribuir para o agravamento da crise, o aumento de desemprego, o fim da pátria.
Além do mais, as caras que aparecem a invocar o descalabro nacional e o naufrágio da pátria são exactamente as mesmas caras que há anos invocam a desgraça, adiam a retoma e insistem em nada fazer pela tal da salvação da pátria que não seja a da salvação das próprias bolsas e teorias subsequentes.
Que, para sentir e pagar a crise e o naufrágio, estão cá «os portugueses».

Por acaso, a juntar à prioridade do reconhecimento de todos os cidadãos a usufruirem de iguais direitos já que respondem a iguais deveres, até há outras prioridades prioritárias já abordadas, e sobre as quais há manifesto consenso. Mas sobre as quais os senhores das prioridades prioritárias do costume responderam com a rapidez do costume, o costume: Ai que vamos à falência!
Tratam, essas prioridades recusadas, igualmente de direitos :
a) o direito a receber um salário que permita a quem trabalha não viver na pobreza - caso do salário mínimo cujo aumento de 20 €/mês ameaça o esplendor de Portugal, segundo os senhores prioritários;
e b), o direito dos velhos a receberem uma pensão que lhes permita comer sem andarem à esmola da sopa dos pobres, noite fóra.
Porém, estas não são necessidades prioritárias - como tudo quanto toque no bem estar das ilustres priorezas...

( e sim, estou a rir-me muito do vocábulo que me saíu e vos fica duplamente a matar!)





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outubro 30, 2009



Nova Dois 001.jpg



Publicado por pilantra às 07:19 PM | Comentários (0)

outubro 28, 2009

Para uma varredoura estêvica





«Grandes Atacadores do Mundo,


Atai-vos e Tropeçainde!»



e cainde de borco


e partinde a cornadura!



Publicado por pilantra às 10:56 PM | Comentários (6)

outubro 25, 2009



giotto_innocents.jpg

Giotto
«Slaughter of the Innocents» (c. 1305)
Scrovegni Chapel, Padua




Publicado por pilantra às 06:37 PM | Comentários (6)

outubro 21, 2009

da arte mutante


a terra gira...


desenhos imprevistos.jpg


... o sol escarnece!



Publicado por pilantra às 11:30 PM | Comentários (2)

outubro 15, 2009



Cacs 2.JPG


Chatice! Corri tanto que nem me apanhei.

Publicado por pilantra às 07:35 PM | Comentários (2)

outubro 14, 2009

João Aguardela



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No próximo dia 5 de Novembro terá lugar no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, às 21h, um concerto de homenagem ao João Aguardela com algumas das bandas que ele mais acarinhava: Gaiteiros de Lisboa, Dead Combo e Ó’Questrada, para além de A Naifa, na primeira (e decerto única) actuação sem o Aguardela.

Nesse concerto será anunciada a instituição, com o apoio da SPA, do Prémio Megafone, que «pretende destacar anualmente músicos e/ou entidades que com o seu trabalho contribuam para o presente e o futuro das tradições musicais portuguesas».

É da mais elementar justiça, em todo este processo, chamar a atenção para os seus timoneiros: a Sandra Baptista, companheira do João Aguardela. e o Luís Varatojo, seu camarada de armas em A Naifa, antigo líder e vocalista dos Peste & Sida (depois rebaptizados Despe e Siga) e explorador e inovador da guitarra portuguesa.


Megafone5


Aguardela






Publicado por pilantra às 12:44 AM | Comentários (0)