maio 14, 2008

Lá vem a nau catrineta da globalização!




Jornalista mas... brasileira!


E o que aconteceu à jornalista??? Foi demitida. Para aprender que com coisas sérias, como quadrilhas e pandilhas, não se brinca nem a brincar!


Publicado por pilantra às 07:21 PM | Comentários (0)

maio 13, 2008

Lição de sabedoria


Princípio de Sabedoria.jpg

- Mestre, como faço para me tornar sábia?

- Boas escolhas .

- Mas como fazer boas escolhas?

- Experiência - diz o mestre.

- E como adquirir experiência, mestre?

- Más escolhas.


Publicado por pilantra às 12:13 PM | Comentários (2)

maio 12, 2008

Parecer semanal do Professor Marcelo


Ontem, na sua habitual prédica dominical aos bons chefes de família e mães zelosas, o Professor Marcelo declarou que se debruçara atentamente sobre o caso do novo director da judiciária e que tinha concluído que o homem era uma boa escolha.

Só não se percebeu se era uma boa escolha da justiça se do debruçamento do professor.
Vamos lá ver quanto tempo aguenta o varandim.


Publicado por pilantra às 09:20 PM | Comentários (1)

maio 10, 2008

Birmânia!.....

Birmania 6.jpg
Birmania 9.jpg
Birmánia 8.jpg
Birmânia 10.jpg
Birmânia 12.jpg
Birmãnia 9.jpg


Solidariedade com a Birmânia aqui??


Publicado por pilantra às 12:41 AM | Comentários (0)

maio 06, 2008

A bom entendedor...



qualquer cena basta!...

Publicado por pilantra às 06:50 PM | Comentários (1)

maio 02, 2008


«Há quem sonhe com coisas que aconteceram, e explicam porquê.

Eu sonho com coisas que nunca acontecerão e pergunto:

porque não?? »

(autor desconhecido mas perspicaz!)


barco na areia A.JPG


Publicado por pilantra às 07:32 PM | Comentários (3)

maio 01, 2008

Viva O Primeiro de Maio !


manif016copy_BOO_a.jpg
(Foto da BOO)


Publicado por pilantra às 12:28 AM | Comentários (1)

abril 30, 2008




isto vai !

Publicado por pilantra às 01:19 PM | Comentários (3)

abril 28, 2008

Para dar força à primavera...



... mais uma foto (musicada) da BOO , a ver se damos cor aqui à chafarica!


estrela046copy.jpg

Maria Bethânia - «Mel»

Publicado por pilantra às 02:46 PM | Comentários (1)

abril 25, 2008

25 de Abril sempre!



Como eramos tristes, antes do 25 e Abril!

Cantávamos coisas tristes, de um modo triste. E tudo quanto se cantava não valia pelo que se dizia mas pelo que se dava a entender - era o furar do muro da censura.

Deixo aqui uns poucos dos nossos «baladeiros». Faltam muitos., mesmo muitos. Mas não me era tecnicamente possivel. E isto é só para que façam ideia de «como era»:

António Bernardino - Cantiga para os que partem ( guerra colonial e emigração)

Duarte Mendes - Lágrima de uma preta ( racismo)

José Afonso - A morte saíu à rua (assassinato pela PIDE de José Dias Coelho)

José Mário Branco - Mudam-se os tempos... (a mudança)

Manuel Freire - Livre (Liberdade de expressão)

Padre Fanhais - Juventude ( resistência)

Paulo de carvalho - Maria vida fria ( guerra colonial)

Samuel - Poema da malta das naus (guerra colonial)

Vieira da Silva - Canção para um povo triste ( fascismo)

Adriano Correa de Oliveira - P'ro que der e vier (resistência)


Depois... veio o 25 de Abril!

images4.jpg

images5.jpg

images6.jpg

images 7.jpg

images 8.jpg

E hoje já podemos cantar tudo!

Publicado por pilantra às 04:34 PM | Comentários (4)

abril 24, 2008

Um galardão destes não se pode perder!



seloabril.png

Ganhei este sinal de amizade :
obrigada, Seguradeti !

Estas são as regras:

Copie o selo aqui no blog ( ou no Gospel Gifs http :/ gospel-gifs.zip.net ), nomeie 10 blogs amigos e visite cada um deles avisando da nomeação. Se foi nomeado por alguém, passe adiante e visite os outros nove blogs que foram nomeados junto com você. Ao passar a campanha, pode copiar este texto ou criar o seu próprio texto. O importante é não esquecer de avisar onde se encontra o selo e de nomear os seus 10 blogs amigos.

Vamos lá ver se consigo atinar com os blogues que acompanho desde... 2003!
Nem todos sobreviveram, é verdade. Mas o núcleo «duro» permanece!
São os do tempo do «Samartaime» e da sua Pilantra. Lembram-se?
Aqui vão, à aventura:

Assumidamente

Bifinha

Caloria Zen

Manchinha

Mar

Meia Volta

Precious

Renas & Veados

Tica & Teca

Xarrroke

Publicado por pilantra às 04:25 PM | Comentários (4)

abril 23, 2008



Madeleine Peyroux - I'm All Right

... e do mal, o menos!

Dance me to the end of love (live) - The Swingfellas


Publicado por pilantra às 12:26 AM | Comentários (1)

abril 21, 2008

Psicoprostiputices olímpicas



Declaro-me farta de ouvir falar da China, do Tibete, dos Jogos Olímpicos, do Dalai Lama.

Há coisa menos coisa de uns 50 anos, o Tibete era um sítio onde se ia escalar montanhas e ver raridades folclóricas pasmantes. Os dalai-lamas governavam aquilo ao estilo feudalismo pedestre em social-idade do bronze e havia umas cantorias monocórdicas de homens de cabeça rapada e túnica a atirar para o vermelho-sangue-de-boi escuro. Era muito interessante e original.

Ao tempo os chineses, como não tinham máquinas mas tinham engenho e excesso de mão de obra, faziam à mão tudo o que imaginavam e mais o que copiavam e que ia das estradas às barragens e outras inauditas coisas.

Entretanto, um menino que anunciaram viria a ser terrivelmente importante, deixou o Tibete e foi para outro lugar onde lhe fosse permitido crescer com alguma paz e fazer-se Dalai Lama. E fez-se.

Com o correr das décadas, a China foi atacada pela doença do progresso e resolveu arrastar com ela - para o progresso - o Tibete que estava ali mesmo à mão e tinha montanhas muito altas donde se podia ver o mundo todo em redor, assim se tivessem bons olhos e o mundo em mapa.

E correu o tempo. E com ele milhares de rotineiras perseguições, criativas torturas, comesinhas mortes.

Há muitissimo poucos anos, e estando já o Tibete no estado em que está, lembraram-se o chineses de que lhes faria bem ao ego realizarem os Jogos Olímpicos. E anunciaram esse desejo e demandaram o projecto e recolheram o sorriso babado da assembléia das nações. Não houve protestos nem correrias nem alembradorias. A China estava a ficar deslumbrante: que mercadão para as leis do mercado!

Tão deslumbrante ficou a China, que só a raros lembrou a ocupação, as atrocidades, as condenações, a escravatura, os direitos, a liberdade.
E ainda menos se lembraram dos bebés. Principalmente das meninas chinesas.


Pois aqui ficam, para que conste mais uma vez.

Publicado por pilantra às 10:57 PM | Comentários (0)

abril 19, 2008

A Naifa à naifada com a vida, o fado e o resto que isto não está para benesses



A Naifa2_capa.jpg

Um feitio de rainha

Esta depressão que me anima

Pequenos romances

Página seguinte


Música: João Aguarela (baixo), Luís Varatojo (guitarra portuguesa), Maria Antónia Mendes (voz), Paulo Martins (bateria).
Poemas: Maria Rodrigues Teixeira.

Mais informação sobre A Naifa


Publicado por pilantra às 08:25 PM | Comentários (2)

Pirosices



Isto a Mao não vai que passado é . E o Grande Cherne emigrou.

A Piao ainda menos: o aeroplão despencou faz décadas e os descendentes andam entretidos a apanhar tibetanos e a dar lustro a jogos de rua como a malha e o paulito.

A nossa esperança agora é Ribau.

Ribau, o Grande Anunciador das Vésperas do Prestimoso Moínho de Vento.


Publicado por pilantra às 07:34 PM | Comentários (0)

abril 16, 2008

... que isto é só enquanto vida !...


Striptease


Publicado por pilantra às 07:07 PM | Comentários (2)

abril 15, 2008

Os cinco defeitos na praça pública



Sem bolo de chocolate e com um frio destes, ó coisa ruim, ficar a criança exposta pois claro à intempérie!

Coisa de vizinhas que passam o dia na varanda e de binóculos
a langussar aqui o pátio das osgas!!

Mas aproveitemos o remanso para a introspeção - à moderna, para arreliar o Vasco Graça Moura e a APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros):

1- Desarrumada mas a culpa nunca é minha e sim das insanas das minhas mãos e dos meus pés levianos

2- Despassarinhada, que as coisas nunca são só o que se pensa. E ainda há liberdade de entendimento, por muito que lhes custe libertar o pensamento.

3- Muito mau feitio, é verdade! Ele é diretamente proporcional ao muito bom feitio dos outros.

4- A mania matricida de me rir com e das palavras. E convencida de que se não desenvolvermos essa mania, ainda vamos a mirandês de uma variante incógnita, caspite castelhana.

5- Perdida só por mil bolos de chocolate ! Que bolo só é se de chocolate. E chocolate, por mais chibante, não é bolo!


Posta que fui a confesso, passo aos ameaçadores convites:

Segura dela

Manchinha

Oxalá

Travessia - uma brasileira que tem um blog em Portugal! rsrsrs

Publicado por pilantra às 11:42 AM | Comentários (3)

abril 09, 2008

De tanga e ao desafio !



O desafio chegou-me da venerável dona - em comunhão desandanalógica, economicamente falando - da Botica das Tangas e é o de apontar cinco autores ou obras literárias preferidas, mais indicar um livro ou autor que ache que merece apodrecer na estante.

Passemos às queridas avulsas, sem ordem nem gabarito:

«Outono em Pequim», do Boris Vian, em francês ou na tradução portuguesa da Luiza Neto Jorge.
Porque quando era eu miuda muito pequena, raro foi o dia em que não ia de castigo para «o quarto escuro». E quando me senti adolescente parti, de bicicleta, qual Martinho Toucinho, em busca do buraco negro mãe de todas as escuridões da minha infância.

«O Velho e o Mar», do Hemingway, ou da provação da espinha para a humildade de cada qual.

«Bourlinguer», do Blaise Cendrars. (Não sei se há tradução portuguesa).
Porque todas as viagens têm cais e cada cais mil viagens.

«Les Sept Piliers de la Sagesse», de T.E. Lawrence. (Não conheço tradução portuguesa.O original inglês: «The Seven Pillars of Wisdom»).
Pelo direito inalienável de todos os marinheiros a darem à costa e perderem-se no deserto.

[«Justine», 1957; «Balthazar»,1958; «Mountolive»,1958; «Clea», 1960] ou «O Quarteto de Alexandria», do Lawrence Durrell, na tradução portuguesa do Daniel Gonçalves.
Porque, para além da exemplificação da teoria da relatividade, já contempla a inconstância da luz na paisagem vitalicia. E porque me apresentou Kavafis.



Um autor para apodrecer na estante não, que todo o espaço de estante é pouco.

Mas um autor que NÃO ENTRA na estante: José Régio, p. ex..



E o desafio aqui fica, agora entregue às meninas:


Alguém

Bifinha

Silver

Tica&Teca

Travessia

... desejando que não tenham ido todas de férias!

Publicado por pilantra às 01:45 PM | Comentários (3)

abril 08, 2008

Com Acordo ou sem Acordo...


... é só questão de sotaque! rsrsrsrs



Publicado por pilantra às 07:44 PM | Comentários (1)

abril 07, 2008

Billy Preston, Eric Clapton, Ringo Starr, Paul McCartney,
Dhani Harrison and a slew of other friends of...

Publicado por pilantra às 03:09 PM | Comentários (0)

abril 04, 2008

Martin Luther King

Prémio Nobel da Paz, 1964


I have a dream!...

180px-March_on_Washington_edit.jpg

The Death of the Dream:

balcony_April_1968.jpg

The Day Martin Luther King Was Shot :

4 de Abril de 1968

NESTA VARANDA DE UM MOTEL EM MEMPHIS, TENNESSEE.


Nina Simone - «Dr.Martin Luther King», Saga of the Good Life and Hard Times

Publicado por pilantra às 01:56 PM | Comentários (1)

março 31, 2008

A casa amarela (*)



Casa amarela 1.JPG

Casa Amarela 2.JPG

Casa Amarela 3.JPG

Foi-se!...

Foi-se.JPG


(*) Não confundir com a «casa amarela» do João Cesar Monteiro: essa era o Júlio de Matos, nos idos de 60 do século passado.

Publicado por pilantra às 08:09 PM | Comentários (2)

março 25, 2008

A volta do mar



DSCN1135_A.JPG
Foto Samartaime, MAR:08

Publicado por pilantra às 11:26 AM | Comentários (0)

março 24, 2008

Avulsas



I
Uma simpática federação ou confederação ou associação de pais, ouvida sobre o edificante episódio da Carolina Michaelis declara pensar que há na nossa sociedade uma crise de autoridade. E alastrou a crise de autoridade ao Estado e às famílias - mais vale que o mal seja de muitos que sempre se dilui na floresta.
Eu, que sou simplória, acho que há é uma fartura de falta de educação que já afecta a noção do ridículo. Porque só isso justifica que uma robusta e espadaúda jovem se entregue a uma cena guinchante de histeria que lhe deveria ter passado pelos quatro anos. Enfim, coisas de pais!


II

Vejo que os portugueses arranjaram mais uma ocupação exaltante a pedido das Finanças: a declaração das despesas de casamento!
Incapaz de reduzir as próprias despesas e as «do Estado» e já em desespero de causa, as Finanças apelam à bufaria geral dos cidadãos para que denunciem os gastos de famíliares e amigos com a festa do seu casamento! A criatividade é assombrosa. A chamada delega na «consciência» dos cidadãos - como já anteriormente se tinha feito com os restaurantes, lembram-se?

Mas grande parte dos cidadãos não é muito melhor: contrapoem o seu direito à privacidade, pois então.
E logo de seguida estranham a ausência de incentivos no IRS para quem declare os tais gastos!... É que havendo incentivos no IRS a bufaria compensa e aí já há privacidade para todos!

É caso para a ressurreição do velho dito: «os povos tem os governos que merecem»!

Publicado por pilantra às 06:09 PM | Comentários (0)

março 22, 2008

As aleluias possíveis

Rita Redshoes, evidentemente.
Com votos de que também cante em português.

Publicado por pilantra às 04:49 PM | Comentários (0)

março 17, 2008

A Lisboa da BOO



manif003copy_BOO.jpg

rainbow003copyBOO.jpg

trancas007copyBOO.jpg


tejo219copyBOO.jpg

expo088copyBOO.jpg

exp132copyBOO.jpg

expo053copyBOO.jpg

metro005copyBOO.jpg

carmo002BOO.jpg

Fotos daBOO

Publicado por pilantra às 01:14 PM | Comentários (3)

março 14, 2008

Sofia Lourenço

DSCN0705.JPG

Amanhã, sábado 15 de Março, às 18:30, na FNAC/Chiado com apresentação de Rui Vieira Nery

lançamento do novo disco «Porto Romântico» de Sofia Lourenço (piano).

Para ouvir um bocadinho do cêdê active a grafonola, à sua direita

E para mais informação sobre o disco e ouvir mais faixas clique aqui vá até ao dia 6 e... descubra a música! rsrsrs

Sofia 3.JPG

Publicado por pilantra às 02:45 PM | Comentários (0)

março 11, 2008

A propósito de mais um novo pensionista




Aos 50 anos de idade e com 20 anos de descontos como deputado, o sr. M. M. acaba de requerer a Pensão a que tem direito, no valor mensal vitalício de 2.905 euros mensais.

Contudo, um trabalhador normal tem de trabalhar até aos 65 anos e ter uma carreira contributiva completa durante 40 anos para obter uma reforma de 80% da remuneração média da sua carreira contributiva.
Tudo bem: é só mais um deputado a receber aquilo que ele legislou e a lei estipula - muitos foram antes e muitos virão depois.

E muitos mereciam mais e muitos outros menos. É tudo uma questão de avaliação do trabalho desempenhado embora, no presente caso dos deputados, só de quatro em quatro anos sejam avaliados.

Porém, os deputados não são efectivamente avaliados por aqueles por quem dizem ser «avaliados» de quatro em quatro anos e de quem dizem ser os «representantes» e que adoram invocar: «os utentes da deputação».

Na realidade, os deputados são nomeados pelos partiditos dos Partidos, por avaliação a olhómetro já que gravatas, falas mansas, óculos de aros de tartaruga ou de ouro ou de pêlo de elefante, mais algum desembaraço na leitura dos papéis nada significam sobre o saber, a experiência, a perseverança, a honestidade e a habilidade.

E se estes elementos e as suas múltiplas e inesgotáveis alíneas não forem rigorosa e metafisicamente cumpridas, podemos então dizer que os deputados não são, de todo, avaliados. Que se trata, politicamente falando, de uma corporação que usufrui de progressão automática na carreira e, ainda por cima, de ocasião.

Aliás, só assim se entende que todo o funcionalismo público tenha chegado onde chegou sem alguma vez na vida ter sido avaliado. E muito à pressa aqui declaro que toda a excepção a esta regra pontua no caso dos meretíssimos, por causa da separação dos poderes.

Mas, voltando à dita: e de gente sem avaliação, o que espera a nação?
Que fale de excelência, evidentemente: a cada um o sonho americano ou chinês ou russo que merece, ainda que lhe falte o espaço para o passo.

A coerência da Nação é discutida, ajustada e legislada na Assembleia da República - que, por sua vez, é constituída não pelo imóvel e respectivos móveis, mas pelo conjunto dos deputados. E daí saem governos, gestores públicos e privados, and so on: simplex a corte.

A culpa da coerência centrifuga existente na Nação, esta pesada culpa é, sim e sem dúvida, dos professores.
Que perderam a oportunidade única de os chumbarem a todos logo na quarta classe e para todo o sempre.

Bem sei que há canudos por fax, cartas de condução por clonagem, seguros faz-de-conta e economia paralela tirando a paralelipipédica. Mas isso, como se sabe, não consta que sejam funções públicas pelo que as equivalências são mais privadas e encolarinhadas.

Mas ainda há salvação: mandem Maria de Lurdes Rodrigues reformar a Assembleia da República e vão ver como aquilo se embrulha tudo e estacionam, angustiados, em cima da passagem dos peões - para variar.


Publicado por pilantra às 02:31 PM | Comentários (1)

março 10, 2008

Maria do Rosário Pedreira




Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto
e a luz é fraca e treme e eu tenho medo
das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas
da casa e de tudo aquilo com que sonhes.

Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava
no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha
a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi
de quatro folhas; e das ervas húmidas e chãs
com que em casa se cozinham perfumes que ainda hoje
te mordem os gestos e as palavras.

O meu corpo gela à míngua dos teus dedos, o sol vai
demorar-se a regressar. Há tempo para uma história
que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres,
serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória,
como na minha pesará para sempre a pedra do teu sono
se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.

* * *

O verão deixa-me os olhos mais lentos sobre os livros.
As tardes vão-se repetindo no terraço, onde as palavras
são pequenos lugares de memória. Estou divorciada dos
outros pelo tempo destas entrelinhas - longe de casa,
tenho sonhos que não conto a ninguém, viro devagar

a primeira página: em fevereiro, eles ainda faziam amor
à sexta-feira. De manhã, ela torrava pão e espremia
laranjas numa cozinha fria. Havia mais toalhas para lavar
ao domingo, cabelos curtos colados teimosamente ao espelho.
Às vezes, chovia e ambos liam o jornal, dentro do carro,
antes de se despedirem. As vezes, repartiam sofregamente
a infância, postais antigos, o silêncio - nada

aconteceu entretanto. Regresso, pois, à primeira linha,
à verdade que remexe entre as minhas mãos. Talvez os olhos
estivessem apenas desatentos sobre o livro; talvez as histórias
se repitam mesmo, como as tardes passadas no terraço, longe
de casa. Aqui tenho sonhos que não conto a ninguém.


in «A Casa e o Cheiro dos Livros»

mariarosariopedreira.jpg




Publicado por pilantra às 08:49 PM | Comentários (3)

março 09, 2008

A aula dos cem mil...

manif021copy_BOO.jpg

manif022copy_BOO.jpg

manif016copy_BOO.jpg


vista pela BOO

(Há lá mais!)

Publicado por pilantra às 07:38 PM | Comentários (1)

março 08, 2008

Para todas as mulheres que, por nós, se esqueceram de si.

E para todas as mulheres que, por si, se esqueceram de si.

rosa.jpg


Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.


Sophia de Mello Breyner Andresen

Publicado por pilantra às 04:21 PM | Comentários (2)

março 07, 2008

«Que povo é este» ?


Temos imenso jeito para o biscate e para o desenrasca.
Até o nosso Primeiro desenrascou uns amigos assinando, de biscate, uns projectos.

O que não temos é habilidade. Falta-nos, tragicamente, a habilidade.

O Ministro da Economia não teve habilidade para a língua portuguesa e deu-nos o caso pimpão do allgarve.

O ex-Ministro da saúde não teve qualquer habilidade para explicar ao povo o subido benefício das ambulâncias, nem do extremo conforto das urgências hospitalares em excelência de entupimento, nem do desenvolto acréscimo de clínicas privadas por perto. Como não teve habilidade para atribuir vagas para mais médicos de família. Como não teve habilidade para convencer alguns médicos a comparecerem, durante os horários de trabalho atribuídos, nos miseráveis postos de atendimento de doentes, vulgo «posto da caixa». Como não teve habilidade para convencer «os utentes» de que o nada era bem melhor do que a lástima que iam tendo.

Mas hoje, ou ontem, a nova Ministra herda-lhe o mau do imponderável: uma excelente ambulância enganou-se ou foi enganada, como a culpa, e um médico morreu com uma hemorragia apesar de um cirurgião ter abalado em seu socorro. Graças à falta de habilidade para atinar com o parqueamento da ambulância, morreu mais um homem a quem um amigo não foi bastante. Um homem que, sendo português, não teve a habilidade suficiente para se manter vivo e esperar, pacientemente, por um dos prolegómenos a toda a excelência futura – passe a toada à Kant!

A ex-Ministra da cultura não teve, pelo menos, habilidade para administrar a gulosa «colecção Berardo» nem para resolver e apressar o estranho caso do Acordo Ortográfico.

A Ministra da deseducação e da desinstrução não tem habilidade para entender que avaliação de professores já havia, só que era… ruim, segundo os professores.
Nem tem habilidade para entender que são os professores quem executará qualquer reforma que se faça no ensino. A Ministra que ponha os olhos nos ingleses e repare que hoje aquilo de que os ingleses precisam e pedem para todo o lado é de professores.
Mas a senhora é portuguesa, só percebe de biscates e desenrasca - não tem habilidade.

E neste incomensurável fado da inabilidade, novo refrão se junta.
Hoje descobrimos (de novo) que o Ministro da Administração Interna não teve habilidade para explicar às suas polícias como deveriam proteger os cidadãos que se manifestam. Vai daí as polícias foram às escolas e, sem qualquer espécie de habilidade, desataram a querer saber quantos iam, quem ia e como iam. Os professores, evidentemente. À «Marcha da Indignação» que amanhã decorre em Lisboa.

Mas que trágico é o nosso fado!
Logo na falta de habilidade é que nos havia de atacar a excelência!

Publicado por pilantra às 10:57 PM | Comentários (1)

março 06, 2008

Alguém sabe do sr.Menezes?


É que preciso pedir-lhe desculpa: escrevo sempre meneses e afinal é menezes!

Ganda nóia!

Publicado por pilantra às 09:50 PM | Comentários (0)

março 04, 2008

Maria Ângela Alvim

A volta

Tão só em prosseguir busquei sentido
e o caminho é sem regresso a quem caminha
por nenhum instinto além reconhecido.
Espaço meu ou de loucura, era sozinha.

Vinha de não sei onde, lar perdido
de mim mesma, ou infância. Vinha
quando apenas vi que recobrara o ido
antigo estar em tal estância, minha.

E tudo que abandonei, o a que deu termo
muda solidão pairando em grito ermo,
largo deserto visto em falso medo,

tudo que abandonei, faz companhia.
Enquanto, indo, um ocaso brando me assistia
eis que amanheço em mim, volto a ser cedo!



Estou e não me respondo

Estou e não me respondo.
Assisto. Em mim se decide
um inútil afã e se some
a vida que me preside.

E passo, ainda... Meu nome
há muito não coincide
comigo se estar se consome
e tantas vezes me elide.

Me move o tempo mais frio
de tanto pranto afogado
num quase mito de mim.

Vou morando em desvario
quase em sonho inaugurado
para um começo, meu fim.



V

Moro em mim? No meu destino, largado
partido em mil?
Moro aqui? Demoraria
sempre aqui, sem me saber - fugindo sempre
estaria?
Eis um lugar. Degredo
(de quê?). Dimensão se perseguindo
num sonho? - Sim, que me acordo.
Tudo existe circunstante
e ninguém para me crer.
Sou eu o sonho,
momento da ausência alheia (que devasso quase fria).
Morte, vida recente,
subindo em mim a resina,
ungüento de noite, amor.

As sombras e seus véus,
tantos véus - o mais sucinto
preso a meu corpo (aparente?)
me divide em dois recintos.
Um deles sendo equilíbrio
noutro posso me conter.
Avanço no sono aberto
até a altura do dia,
fria, fria,
mais fria, minha pele
filtra a aurora - neste tempo
aquela hora, seu pulso de instante e ocaso.

Eis que me encontro. Limite
de transparência e contato
entre a luz e meu retrato, na casta
parede - a louca?
Marulho d'água, caindo
dentro de mim, claridade.
Graça de mãos mais presentes,
que minhas mãos, já vazias
de sua forma, na palma.
Que gesto extenso as reteve
sempre além, configuradas?

E este azul, quase em branco
se desfazendo (na carne?).
Ah! Três retinas cortadas
de um prisma, se amanhecidas
nestes vidros, na vigília.
Ah! Três retinas pousadas
em ver, em ver contemplando
(ser, será o esquecimento
de quanto somos - pensando?).


Maria Ângela Alvim

Brasil (1926 - 1959)

Superfície (1ª ed.br.1950)
Toda Poesia
apresentação de Max de Carvalho
Assírio & Alvim - 2002

Publicado por pilantra às 11:15 PM | Comentários (2)

março 03, 2008

Ora aqui está um bom resumo !

Publicado por pilantra às 10:49 AM | Comentários (0)

fevereiro 26, 2008

Ria a Ria

IRIS - Atira-te ao mar!

IRIS - ó mãe !

Publicado por pilantra às 01:22 PM | Comentários (0)

fevereiro 22, 2008

Morreu Milena Barbosa


«Não mais a natureza ou o Estado, ou uma qualquer religião a decidir sobre a vida e o futuro das mulheres, mas elas próprias.»


Madalena Barbosa

Faro, 1942 - 2008 , Lisboa



PÚBLICO: {Público.pt, 21-02-2008]

Aos 66 anos
Morreu Madalena Barbosa, fundadora do Movimento de Libertação das Mulheres
21.02.2008 - 17h53 Lusa
Madalena Barbosa, fundadora do Movimento de Libertação das Mulheres, em Abril de 1974, organismo de luta pelo "direito à igualdade de oportunidades, sem discriminação de género", morreu hoje aos 66 anos, anunciou o grupo parlamentar do PS.

Nos anos 80, Madalena Barbosa integrou a Comissão da Condição Feminina, actual Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, onde trabalhou até agora, lembra o grupo parlamentar do PS. Nas eleições intercalares de 2007 foi candidata à Câmara de Lisboa pelo Movimento Cidadãos por Lisboa.

No decorrer da sua carreira, a activista representou Portugal e a União Europeia em várias cimeiras e conferências internacionais, nomeadamente em Nova Iorque.

Madalena Barbosa auto-definia-se como "feminista, socialista e mulher, chamada em outros lugares do mundo gender expert".

Madalena Barbosa morre um dia antes do lançamento de "Que Força é Essa", o seu livro de crónicas e textos de reflexão sobre temas como feminismo, igualdade e estudos de género, participação cívica e política. A obra será lançada amanhã na Fábrica Braço de Prata, no Poço do Bispo, onde também será feita uma última homenagem.

A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) já lamentou o falecimento da feminista, a quem diz prestar homenagem por se tratar de "uma das primeiras lutadoras pela despenalização do aborto em Portugal". Foi "uma mulher que sempre se firmou como feminista em todas as dimensões da sua vida", sublinhou a UMAR em comunicado, acrescentando que vai "preservar o exemplo de dignidade e de coragem revelado nos dias mais difíceis da sua vida".

Em comunicado, a UMAR apela à "participação das feministas portuguesas" nas cerimónias fúnebres de Madalena Barbosa, sexta-feira às 16h00 na casa mortuária Santa Joana, em Lisboa. O funeral segue para o cemitério do Alto de S. João, onde o corpo será cremado pelas 23h00.


Publicado por pilantra às 10:11 PM | Comentários (0)

cenas do quotidiano algarvio...



- Esta está deserta!
- Nem penses,,, Vai tu à frente, sozinha.deserta.jpg

Ninguém??
nem pensar.jpg

Ai que vinha outra atrás!...
apanhada.jpg

Chisca-te Rosairinha!...
ninguem.jpg
(Fotos «samartaime», Algarve, 21:FEV:08)

Publicado por pilantra às 10:11 PM | Comentários (0)

fevereiro 20, 2008

Já me esquecia das pontes!


Desde que não ponham um toldo ao Terreiro do Paço,

concordo aí com o cidadão:

pontes sobre o tejo.bmp
(Anónimo)


E estou compradora de todos os ilhéus de entulho que apareçam no Tejo:
tenho um plano de urbanização porreiro para um condomínio privado com um hospital Melo e tudo!

Publicado por pilantra às 07:09 PM | Comentários (2)

fevereiro 19, 2008

As velhas cheias de Lisboa



Maria Elisa voltou à RTP com a memória das cheias de 67 e fui ver no que dava. Que ainda me lembro e duvido que alguém que viu tenha esquecido.

Estava em Lisboa havia menos de uma semana e fui jantar a casa de uns amigos. Saí pouco depois da meia-noite. Chovia bastante e eu teria de percorrer a 24 de Julho e a Av. da Índia que, tradicionalmente, alagavam. Principalmente a 24 de Julho.

Desci a Infante Santo e ao fundo, sob o viaduto, vejo um espelho escuro. Aproximei-me muito devagar: era água. Mas água como? Como era possível aquela piscina? Abateu o chão? Eu não conseguia atinar com o que via. Virei o carro e subi a Infante Santo.

Enquanto pensava noutro caminho, talvez a Maria Pia para Alcântara, liguei o rádio. E ouvi o Fialho Gouveia a pedir barcos de borracha para a Praça de Espanha. Que havia autocarros presos na lama e era preciso tirar de lá as pessoas antes que subisse mais «a água».

Lembrei-me de me terem contado da experiência da «invasão dos marcianos», uma reposição portuguesa do programa do Orson Wells, e pensei: estes tipos estão loucos, vai dar barafunda outra vez! Mas de repente lembrei-me da água na Infante Santo, parei o carro e fiquei a ouvir. Havia cheias em Lisboa, pediam mesmo barcos para a Praça de Espanha. Pediam para se evitar a zona baixa da cidade e quem precisasse seguir para zona ocidental que utilizasse a autoestrada . E fui para a autoestrada meio preocupada meio incrédula, apesar da evidência das ruas transformadas em ribeiras agitadas e da chuva grossa que não parava.

A subida da autoestrada, vista do viaduto, era uma serpente gorda de luzes vermelhas, quase parada. No alto da subida havia polícia: tinham feito uma abertura no separador e só podia seguir quem ia para Montes Claros. Os outros tinham de voltar para Lisboa e procurar onde passar a noite que havia problema com um paiol não sei onde e Algés e o Dafundo «estavam fechados à circulação».

Mas no dia seguinte foi pior. Lembrei-me de descer até Algés, pensando nas caves – que hoje são lojas por causa dessas cheias: foi proibido serem utilizadas para habitação.
Porque muita gente ficou aí encurralada na lama. Morreu gente nas casas da rua Damião de Góis, na Rua dos Lusíadas e naquelas ruas ali à volta. Morreu gente no largo da praça de Touros. Morreu gente junto ao Mercado. Nos passeios.
Nunca soubemos quantos morreram. Morreram. Alguns deixaram as mãos marcadas nas paredes. Outros sobreviveram à família por casualidade e nunca mais foram quem eram.

Em Odivelas foi ainda pior, eu sei. A Maria Elisa recordou-o, e bem, em pormenor.
Morreram centenas de pessoas. E hoje, tal como dantes, não sabemos nem quem nem quantos.
A censura do fascismo apagou-os.

Uns tantos ficámos a saber que é sempre possível a repetição do desastre e que há modos de o prevenir e evitar o cataclismo. De que valeu?

Nem de propósito: acabado o programa da Maria Elisa, repetiu-se outra noite de pandemónio.
De novo a zona ribeirinha de Lisboa alagou. De novo a ribeira do Jamor matou.
Tivemos muito menos mortes, felizmente. Mas os estragos materiais são idênticos.

Até quando, Catilina?


Publicado por pilantra às 06:25 PM | Comentários (2)