fevereiro 08, 2010

QUE COMBOIO É ESTE



Que comboio é este que me leva
entre sobressaltos e tumultos
em visita ao miolo da noite

- até ao seu mais fundo patamar
onde a própria memória
dos dias estagnou
e já é só um charco de si mesma,
e já não se ouvem rãs, mas choro e
ranger de dentes.

Que comboio é este, que viagem,
que galáxia por destino.


A. M. Pires Cabral



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Publicado por pilantra às 07:59 AM | Comentários (1)

fevereiro 04, 2010

Bora rir de espanto!










Publicado por pilantra às 05:56 PM | Comentários (0)

fevereiro 02, 2010

Génesis


De mim não falo mais: não quero nada.
De Deus não falo: não tem outro abrigo.
Não falarei também do mundo antigo,
pois nasce e morre em cada madrugada.

Nem de existir, que é a vida atraiçoada,
para sentir o tempo andar comigo;
nem de viver, que é liberdade errada,
e foge todo o Amor quando o persigo.

Por mais justiça... - Ai quantos que eram novos
em vâo a esperaram porque nunca a viram!
E a eternidade... Ó transfusâo dos povos!

Não há verdade: o mundo não a esconde.
Tudo se vê: só se não sabe aonde.
Mortais ou imortais, todos mentiram.

Jorge de Sena

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Publicado por pilantra às 10:32 AM | Comentários (0)

janeiro 31, 2010

Burkas e «burkinaus»




Adoro conversas e debates de burkas.
O que eu me tenho cultivado só à conta das burkas.


Primeiro, aprendi que espaços públicos são só os espaços públicos.
Se pensavamm que as ruas, praças, pracetas, jardins, alamedas e outras quejandices são espaços públicos, desenganem-se.
Espaços públicos são só as repartições. Sejam elas repartições da saúde, da justiça, da educação , da religião, do cinema do circo, do cidadão, etc.. E independentemente do aparato do edifício.


Segundo, aprendi que da porta de casa até à porta duma repartição da saúde ou da justiça, por exemplo, não percorremos um espaço público mas sim um espaço de liberdade de expressão. Portanto, tanto pode ir nu como pode ir em cuecas e peúgas e na cabeça um chapéu aos quadradinhos, como pode ir de burka.
Ou pode, se gostar de emoções mais fortes, ir todo nu com um carapuço enfiado na cabeça que ninguém pensará que é o vizinho mas sim o encapuzado que assaltou a bomba da gasolina.
Porém, não se lembre de ir todo nu com um preservativo às bolinhas cor-de-rosa enfiado no pirilau - que está aí a chegar o santo papa e é capaz de parecer provocação !


Terceiro, aprendi que as estrangeiras alternativas às mães de Bragança podem recorrer ao encapuzamento fronteiriço para evitarem o constrangimento, e subsequente desconforto, da guarda republicana de cá e da guarda civil de lá.


E a terminar, a minha hora de sorte: vou finalmente deitar fora esse resquício do passaporte soviético que é o bilhete de identidade! Ponho uma burka e se a polícia me perguntar quem sou eu, digo que sou o Dr. Dias Loureiro e vou à minha vidinha, olarila!








Nota aos distraídos: a mulher que usa burka não tem de mostrar a cara quando vai ao hospital pela simples razão de que ela nem vai ao hospital - fica em casa. Quem «vai à consulta» é o marido. Estamos conversados?




Publicado por pilantra às 06:15 PM | Comentários (0)

janeiro 28, 2010

Haiti


AJUDE A CANCELAR


A DÍVIDA EXTERNA DO HAITI




assine a petição aqui



Publicado por pilantra às 07:10 PM | Comentários (0)

janeiro 27, 2010

une valse a mille temps



Jacques Brel




Publicado por pilantra às 08:33 PM | Comentários (1)

janeiro 23, 2010

em verdade vos digo, policarpos,
que o vosso reino
é só no outro mundo



O original, na TV em França




O que toda a gente já conhece:




Legendado em português , para que não restem dúvidas:





Publicado por pilantra às 09:37 PM | Comentários (0)

janeiro 22, 2010

TUAREGUES










Publicado por pilantra às 10:19 AM | Comentários (0)

janeiro 20, 2010

Lula Peña, «gaivota»



Custódio Castelo e Richard Galliano com Lula Peña


Gaivota

lula pena | MySpace Music Videos




Publicado por pilantra às 12:31 AM | Comentários (1)

janeiro 19, 2010

TELHADOS DE VIDRO 13, página 13


ANDAR A PÉ

Vou tocar no piano um mi muito agudo para a casa ficar mais fresquinha.
Já toquei.

*

- Porque chamou a um livro seu Versos verdes? Porquê verdes?
- Verdes porque versos. Verdes porque verdes.

*

Um psicanalista disse- me: «A vida é luta. Perca a vergonha». Eu não
quero perder a delicadeza.

*

Alinhar frases para ganhar dinheiro. Trabalho que detestei fazer e
que fiz mal.

*

Foi a ler O Padrinho de Mario Puzo, aos 13 anos, que descobri que
existiam relações sexuais, que descobri como se faziam bebés.

Adília Lopes

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Edições AVERNO, novembro 2009

Publicado por pilantra às 04:35 PM | Comentários (0)